
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Concluídas as competições de ensino, nas quais Portugal fez história com a 8.ª posição por equipas e o 7.º lugar de Rodrigo Torres na disputa individual nos Jogos de Tóquio. Num evento que viu a germânica Isabell Werth, por conta do ouro obtido na competição por equipas, torna-se na primeira/o praticante da modalidade a lograr amealhar seis metais ao longo de toda a carreira olímpica.
Rodrigo Torres e a #EquipaPortugal de Dressage apurados para a final individual do Grand Prix, nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 #LetsGoPortugal Saiba mais na app pic.twitter.com/YxgBTrKRth
— COP (@COPPORTUGAL) July 25, 2021
Era agora tempo do Parque Natural de Tóquio, reservado às competições hípicas, acolher o concurso individual de saltos de obstáculos. Competição esta pautada normalmente por muito espetáculo e que dividir-se-ia por dois dias: o primeiro destinado à realização de uma qualificação com 50 conjuntos à partida dos quais sairiam os 30 melhores, com base nas pontuações dos seus percursos. Estes teriam acesso a disputar no dia seguinte uma finalíssima na qual se decidiriam os lugares medalháveis! TTóquioóquio
Acrescente-se que a responsabilidade da feitura dos percursos e subsequente colocação dos obstáculos a transpor cabia ao colombiano Santiago Varela, um dos mais renomados cavaleiros de sempre do país, aos dias de hoje já retirado.
Refira-se ainda que o detentor em título, o britânico Ben Mahir, era candidato a revalidar a coroa olímpica, em Tóquio, contudo não podia esquecer a temível armada sueca, os representantes do país do “Tio Sam” e as surpresas bem tradicionais dos Jogos que sempre acontecem neste tipo de concursos. Tóquio
A defesa da bandeira lusa, estava mais uma vez entregue a Luciana Diniz, cavaleira de 50 anos e que montando “Vertigo Do Deserte”, participava na sua quarta olimpíada, após o 38.º lugar em Atenas 2004 ainda em representação do seu país natal, o Brasil. A atleta voltaria ao palco de todos os sonhos já em representação de Portugal: em Londres 2012 onde ficando entre os 20 melhores conjuntos se apurou para a final, culminando com a participação no Rio 2016 onde registou um fantástico nono posto, apesar de ter visto o estribo do seu montado soltar-se em plena prova. Posto isto e fruto de toda a sua experiência internacional, a carioca era garantia de bons resultados para a nossa pátria.
Com a qualificação em marcha, eram visíveis as dificuldades e “armadilhas” colocadas ao longo deste exigente percurso que ia fazendo “vítimas atrás de vítimas”, sendo que poucos eram os conjuntos a passarem incólumes tamanha era a complexidade do traçado nipónico. Bem se podia dizer que mais que impressionar era vital assegurar!
Só para que se tenha ideia: eram somente cerca de uma dezena os conjuntos a concluírem a sua primeira atuação, que esperavam não fosse a última, sem penalizações. Tóquio
Luciana entrava para a pista, cerca das 12h de Portugal continental, com legítimas ambições a tentar melhorar o desempenho conseguido cinco anos antes, e o conjunto patrício não fez a coisa por menos! Com uma solidez, uma rapidez e serenidade maravilhosas conseguiram sem qualquer mácula, apresentando uma prestação irrepreensível, carimbar presença na finalíssima do dia seguinte, tendo sido um de entre 12 conjuntos a concluírem sem qualquer falta. Era agora fundamental começar a redirecionar atenções para o dia seguinte, com as medalhas a serem um objetivo bem palpável, mas para o qual ainda havia muito que galopar!
A corrida pelas medalhas iniciava-se, mas o filme esse parecia voltar a ser reescrito, uma vez que a exigência e a complexidade do percurso pareciam ser ainda superiores aos apresentados no dia anterior, visto que cumpridos os primeiros 12 percursos apenas três haviam sido “limpos”, estando desde já apurados para uma “barrage” (desempate) que decidiria a atribuição de medalhas.
Com a temperatura dentro e fora da pista bem elevada, o dia era de decisões e Luciana, uma sonhadora por natureza não queria deixar escapar uma oportunidade para surpreender, contudo a experiente cavaleira sabia que a concorrência seria mais que muita, sendo que só repetindo a extraordinária prestação da véspera o conjunto poderia candidatar-se em letras grandes a um metal! Tóquio
Ambos entravam para o dia D como o 15.º conjunto a tentar superar as exigentes condições. A prova começava com o montado a demonstrar superior forma física: grande à vontade na transposição dos pórticos e grande compromisso, cenário este que Luciana ia incutindo em Vertigo, corrigindo e incentivando-o, por forma ao lusitano manter a exemplar prestação. Quanto tudo parecia encaminhar-se para um percurso sem faltas e no qual a possibilidade de penalizar por excesso de tempo nem sequer era questão relevante ficaria provado, infelizmente mais uma vez , que até ao final tudo pode acontecer.
À entrada da derradeira tripla de obstáculos e após transpor a barreira mais complexa deste conjunto final, surgiria mesmo um balde de água bem gelada, com o derrube e consequentes quatro pontos somados no derradeiro salto. Tal situação não apagou a brilhante atuação do conjunto luso, que com uns malditos quatro pontos e com o tempo de 84.69, melhorando em cerca de 50 segundos o registo da véspera, viram a sua viagem a Tóquio valer-lhes um meritório décimo posto que soube a fel, dadas as condições nas quais foi obtido e visto que por uma nesga não se juntaram aos restantes seis conjuntos no desempate que daria acesso às medalhas.
Aí chegados e com o “rei” Ben a tentar manter o trono, destacava-se a armada sueca que de entre os seis conjuntos colocava dois no momento de todas as decisões. Aí e apresentando todo o seu prestígio, conhecimento mútuo e toda a enorme experiência o ouro rumaria novamente até à Grã-Bretanha. Ben Mahir montando Explosion W, findaria o desempate em 37.85, somando deste modo o segundo ouro consecutivo a nível individual em certames do género, visto que em 2012, em casa, havia subido ao degrau mais alto do pódio, mas no evento por equipas.
Com a prata teria de se contentar o sueco Peder Fredricson comandando Hm All-in, que realizaram o derradeiro percurso efetuando a marca de 38.02. O bronze viajaria até aos Países Baixos com o responsável a ser o conjunto composto por Maikel Van Der Vleuten e Beauville Z que terminaram a prova em 38.90, naquele que seria considerado pela crítica especializada um dos mais difíceis traçados de sempre de desenho exigente, rigoroso e genial.
Quanto a Luciana, deixou a indicação que se nada de mal suceder até à próxima olimpíada pode, e com toda a propriedade, sonhar com um diploma olímpico ou algo mais!
Luciana Diniz 10.ª classificada na final olímpica de Saltos de obstáculos. Saiba mais na app da #EquipaPortugal #LetsGoPortugal pic.twitter.com/Fw3h5UDo21
— COP (@COPPORTUGAL) August 4, 2021
A ação no centro hípico de Tóquio ficaria concluída com a prova por equipas em que nações como França, Grã-Bretanha, EUA ou Bélgica eram fortes candidatas aos postos medalháveis. Tóquio
De reforçar que a disputa via participarem três cavaleiros por nação, com estas a serem apuradas para a prova de acordo com a sua classificação no ranking da modalidade. Venceria quem no somatório de todos os percursos, um feito por cada elemento do respetivo país, somasse menor número de penalizações.
Em mais um dia de calor intenso e em que as condições para se atingir a eternidade olímpica eram desafiadoras tanto pela temperatura e humidade elevadas, bem como pelo exigente traçado a ser percorrido, faziam com que fosse necessário um dia perfeito para atingir a glória! Tóquio
Com dez formações à partida e numa competição em que se esperava que a emoção fosse palavra de ordem, tal acabaria mesmo por se comprovar! O ouro, após três desempates numa das competições mais disputadas de sempre em certames desta projeção, acabaria por ser sueco, a prata ficaria em posse do trio belga, enquanto que no bronze terminou a equipa germânica. A grande desilusão seria mesmo a turma britânica que findaria a compita num “magro” sexto posto, numa das piores prestações dos últimos anos.
Deste modo chegaram ao final as provas hípicas na presente edição dos Jogos em Tóquio, num desporto belo que demonstra todas as capacidades animais bem como uma total e indispensável harmonia entre cavaleiro e respetivo montado.









