Olheiro BnR – Clyde Edwards-Helaire

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Os Kansas City Chiefs venceram o Super Bowl LIV coroando-se como a melhor equipa da NFL após uma época em que demonstraram um poderio ofensivo ao alcance de poucos. No entanto, de alguma forma, conseguiram colocar mais uma arma ao dispor de Patrick Mahomes, já que no Draft lhes caiu no colo o melhor RB disponível, Clyde Edwards-Helaire.

Para colocar esta escolha em perspetiva, podemos referir que os Chiefs selecionaram Helaire com a 32ª escolha e que, nos cinco drafts anteriores, o primeiro RB tinha saído no Top 10 em quatro deles. Resta, então, olhar para Clyde Edwards-Helaire e tentar perceber quer porque as equipas o foram deixando passar, quer porque será uma boa adição para os Chiefs.

Comecemos pelo que faz de Edwards-Helaire uma contratação tão excitante. O atleta de Baton Rouge ficou “em casa” na Universidade e rapidamente se começou a destacar na poderosa LSU, não tendo ano de Redshirt e jogando bastante logo no ano de caloiro, subindo de nível na época seguinte e agarrando a titularidade no seu ano de junior, antes de entrar antecipadamente na NFL, prescindindo do ano de sénior, ou seja, é ainda muito jovem, já que fez menos dois anos de Universidade que a grande maioria dos atletas que entra na Liga.

A sua última temporada na LSU é o principal ponto de referência, já que foi o titular na sua posição e jogou ao lado de Joe Burrow, o QB que foi a primeira escolha deste Draft e que já se assumiu em Cincinnati. Entre corrida e receção, contou com mais de 1800 jardas e foi preponderante na conquista do título nacional.

Trata-se de um RB que, como os números antes mencionados demonstram, é uma verdadeira ameaça dupla, tendo capacidade para fazer avançar a bola tanto pelo chão como pelo passe. Se a sua capacidade de receção é um ponto forte, a verdade é que Edwards-Helaire é, acima de tudo, fenómeno a encontrar espaços livres para penetrar na defesa adversária e, adicionalmente, tem uma excelente capacidade de continuar a avançar a bola após contacto. Nos Chiefs, com as defesas a terem de se precaver de Hill ou Watkins, haverá certamente muito espaço e Helaire poderá encontrar imenso sucesso.

Perante tudo isto, resta saber o porquê de todas as restantes equipas terem preferido outros homens na primeira ronda. Não foi por falta de necessidade, porque houve cinco selecionados na posição na segunda ronda e outros tantos na terceira ronda. Dois outros fatores justificam, no meu entender, esta situação. Em primeiro lugar, a grande profundidade em qualidade deste draft em OT e WR, duas posições em que alinham vários jogadores por posição simultaneamente, tirou-lhe muitas oportunidades de ser escolhido mais cedo.

Por outro lado, apesar da qualidade do jovem do Louisiana ser inegável, não era um talento que convencesse de forma clara a ser escolhido logo na primeira metade da ronda e, daí para baixo, estamos a falar de equipas que lutam pelos playoffs e, por isso, procuram já atletas para posições mais específicas e não têm tantas falhas para preencher no plantel.

Foto de capa: NFL

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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