A performance dos portugueses no Australian Open

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Este ano, na Austrália, estivemos muito próximos de contar com a presença de três portugueses no quadro principal (QP) de um torneio do Grand Slam, algo inédito na História da modalidade no país, mas João Sousa, aquele cuja presença em torneios deste nível já damos por garantida, ficou impossibilitado de participar neste torneio devido a um teste positivo à COVID-19. Restou-nos, assim, contar com a participação de Pedro Sousa, que se apurou para o QP pela primeira vez de forma direta, e Frederico Silva, que ultrapassou o qualifying disputado, este ano, em Doha.

O sorteio foi pouco amigo e colocou desde logo em cheque as aspirações de termos um tenista luso na segunda ronda. Este ditou que Pedro Sousa tivesse pela frente o campeão da edição de 2014, Stan Wawrinka, e que Frederico Silva tivesse de enfrentar um dos melhores jogadores da sua geração e, na minha opinião, o melhor servidor do mundo, Nick Kyrgios.

PEDRO SOUSA VS STAN WAWRINKA

A jogar contra um dos jogadores mais agressivos e explosivos do circuito, o Pedro saberia que qualquer bola ligeiramente curta iria permitir ao suíço atacar, controlar a troca de bolas e ficar mais próximo de vencer o ponto, foi exatamente isso que aconteceu, Pedro Sousa, não tendo feito uma má partida, esteve longe de ser brilhante e foi concedendo demasiado espaço ao suíço.

Wawrinka esteve sempre no controlo dos pontos e, por isso, da partida e, nos momentos cruciais, “metia uma abaixo” e conquistava o break sem grande dificuldade. Pedro Sousa nunca conseguiu verdadeiramente importunar Wawrinka, muito menos no serviço do suíço, e, quando assim o é, o resultado vai andando até à mais do que inevitável derrota.

Stan Wawrinka é um jogador com capacidades muito diferentes dos jogadores que o Pedro está habituado a ter pela frente, e isso foi notório ao longo do encontro, que acabou por terminar com os parciais de 6-3, 6-2 e 6-4.

FREDERICO SILVA VS NICK KYRGIOS

No mesmo court, mas algumas horas depois, Frederico Silva tinha pela frente um grande jogador e muito ameaçador, sobretudo em piso rápido onde pode fazer do seu serviço uma arma ainda mais letal. Tendo em conta este poderio no serviço que Nick Kyrgios tem, fechar os seus jogos de serviço rapidamente era algo chave para que o português pudesse ambicionar um bom resultado, não foi exatamente o que aconteceu.

Apesar de ter sofrido apenas mais três breaks que o seu oponente, um em cada set, Frederico Silva teve de enfrentar 17 pontos de break, dos quais até conseguiu anular 12. Por outro lado, apesar de ter tido um aproveitamento de 100%, o tenista das Caldas da Rainha apenas teve duas oportunidades de fazer break. Ainda assim, o português nunca pareceu intimidado pelo jogador que tinha pela frente, entrou muito autoritário e, até, fazendo aquilo que eu, para ser honesto, imaginei que até pudesse não conseguir fazer durante o jogo todo, quebrar o serviço do australiano.

Frederico Silva fez um “jogaço”, do melhor que já o vi fazer tendo em conta o adversário, e fez tudo o que estaria ao seu alcance para levar o melhor resultado possível, notou-se, até, várias vezes um Kyrgios desconfortável e nervoso. No ténis, como em qualquer desporto, não há vitórias morais, mas com um adversário deste calibre, apenas este facto já é motivo para o Kiko se sentir orgulhoso da sua prestação.

Para ajudar a pôr em perspetiva este desfecho, podemos olhar ao prize money. Os dois jogadores têm exatamente a mesma idade e, antes do Australian Open, Nick Kyrgios tinha um career prize money de $8,5M, ao passo que o Frederico Silva tinha apenas $284.000. Uma diferença colossal que serve de mote para falar também um pouco do que significa para o português esta semana de competição.

É que, apenas ao que esta edição do Australian Open diz respeito, o tenista das Caldas vai arrecadar quase metade do que tinha até então. $40.346 por ter passado o qualifying e $76.850 por ter participado no QP, para um total de $117.196 que lhe dão uma boa almofada para iniciar a época depois de um ano com muitos prejuízos e poucos lucros. Somando, a este valor, os $76.850 do Pedro Sousa, ainda que tenhamos ficado sem portugueses logo na primeira ronda, a armada lusa arrecadou um total de quase $200.000 em prize moneys, valor bastante significativo para qualquer um dos dois tenistas.

Foto de Capa: FPT

José Maria Reis
José Maria Reishttp://www.bolanarede.pt
O Zé Maria é neste momento estudante daquele que ele espera ser o último ano de Economia no ISCTE. Desde muito cedo que começou a praticar vários desportos exceto, ao contrário da regra geral, futebol porque chamar pé esquerdo ao seu pé direito é um elogio. Mais tarde percebeu que era com uma raquete de ténis na mão que mais gostava de passar o tempo e foi aí que começou a crescer a grande paixão que tem pelo ténis. Vê e acompanha muito desporto, mas o ténis e o futebol, sobretudo o seu Sporting, são a sua perdição.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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