ATP 250 Estoril Open 2021 #3 | Um dia de surpresas

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APÓS TOCAR NO CÉU, UM REGRESSO À REALIDADE

O embate que se seguiu, seria protagonizado por dois antagonistas de propensões bem diferentes: por um lado contávamos com a solidez , a experiência e maior habituação ao piso por parte de Albert Ramos-Vinolas. O catalão é o detentor do 46º posto da tabela individual masculina, um verdadeiro “habitué” da superfície, que ostentava o desígnio de cabeça-de-série número sete do torneio. Neste encontro, encontrava o francês, que deixara de fora Denis Shapovalov, Correntin Moutet, que ocupava, à entrada da competição, a 73ª posição mundial.

As intenções táticas de Ramos seriam simples de delinear, forçar ao máximo pontos bem longos, tentando explorar a inconstância, quer de rendimento desportivo, bem como mental do seu oponente. Foi de forma normal e sem grandes sobressaltos que o hispânico foi tomando conta da ocorrência, com o gaulês a denotar uma opção quase que obsessiva por recorrer ao “amorti”, pancada que com o desfiar do desafio o adversário foi acabando por ler melhor, sendo que esse golpe foi perdendo assertividade e eficácia. Com o diferencial ao cabo desse primeiro set a fixar-se num placard de 6-4.

O francês ia mantendo a mesma toada de fio de jogo, mas agora Ramos parecia estar a “descair”. Entretanto, o jovem ia mantendo diálogos quase que constantemente com a sua equipa técnica e com o juiz de cadeira, o luso Carlos Ramos, perdendo com a prática de tais atitudes e não conseguindo capitalizar o mau momento que Ramos ia vivendo.

Já com a frustração a atingir o seu auge foi então que, conjugada com a subida de rendimento de Ramos, acabaram por dar origem ao seu sucesso. No final, a segunda ficou resolvida com um 6-3, com a sua passagem do espanhol a consumar-se em 1h50m. Assim se confirmou que é necessário muito mais do que bons fundamentos de jogo para almejar ter resultados consistentes, sendo que a parte mental é fator decisivo para um tenista de topo se manter focado constantemente, com Moutet a não conseguir aproveitar a “embalagem” que adquirira no dia anterior.

UMA INCONSTÂNCIA QUE CUSTOU BEM CARO A HUMBERT

Já com a noite a irromper, o court central acolhia a partida entre Ugo Humbert, terceiro pré-designado, oriundo de França e número 31 mundial e Alejandro Davidovich Fokina, curiosamente um atleta que, embora atrás no ranking, número 48, vinha numa sequência de melhores resultados. Destaque-se que este espanhol de origem balcânica chegara na edição transata até à penúltima fase da competição.

Parecia, contudo, que Humbert teria uma tarefa bem mais facilitada, visto que o tenista de apenas 21 anos, o mais novo ainda em prova, entrava bastante nervoso e irregular, anotando vários erros, com o francófono a somar os dois primeiros jogos do encontro. Apesar de tal começo, Fokina foi ficando mais consistente, usando tanto a esquerda batida como a cruzada para penetrar a mente do seu oponente, com o ascendente a mudar e o break a ser recuperado de pronto.

Desde então e, ao longo do set inicial, foi sempre o hispânico a estar nitidamente mais esclarecido. Humbert decidiu quase sempre mal, querendo encurtar a duração das jogadas, terminando invariavelmente por cometer o erro. Resultado? A primeira partida era concedida pelo parcial de 6-4, após 40′.

O deserto de ideias, bem como de soluções, parecia ir continuando a afetar o jogo do mais cotado, que entrava numa espiral de negativismo, tantos eram os erros não forçados que ia cometendo, sendo que, já tinha uma quebra de serviço contra no segundo set. Contudo, Fokina ainda “abanou”, com a configuração do duelo a ameaçar sofrer uma mutação, mas Humbert durou apenas cerca de uma dezena de minutos sólido, visto que voltou ao que anteriormente havia demonstrado: muita inconsistência, irregularidade e, mais que tudo, pouco predisposto a operar a remontada.

Após 80 minutos de um encontro que acabou por desiludir, pois esperavam-se muitos “pontos ganhantes”, sendo que se registaram bem mais erros. Assim, Fokina acabou por enviar mais um dos favoritos para casa, marcando agora duelo com Ramos na fase seguinte do torneio.

Contada a história dos quartos, falta apenas referir que as meias finais, jogar-se-ão já este sábado. A primeira partida está agendada para as 12h00, ao passo que a segunda está previsto iniciar-se nunca antes das 16h.

Diogo Rodrigues
Diogo Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.

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