Estoril Open – Dia 3: O jogo que ninguém queria ganhar

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João Sousa e Pedro Sousa protagonizaram hoje um dos melhores encontros do ténis português desta geração. O mais cotado saiu vencedor, pelos parciais de 4/6, 7/6 (1) e 7/5, ao cabo de 2h25 de encontro, com match-points salvos de parte-a-parte.

O melhor tenista português de sempre tinha antecipado ontem que este seria um encontro “muito interessante de acompanhar” e a verdade é que os dois tenistas protagonizaram um espetáculo que ficará na memória dos fãs da modalidade.

O encontro começou com uma quebra de serviço para um lado e para o outro, mas no final do parcial foi Pedro Sousa a conseguir quebrar o serviço de João Sousa, para “fechar” a 6/4 e aproveitar essa “alavanca” para um segundo set onde distribuiu esquerdas e direitas que colocaram muitas dificuldades ao tenista vimaranense.

O segundo set abriu com 4/1 a favor de Pedro Sousa, mas o lisboeta não foi capaz de levar a melhor, tendo sido quebrado quando servia para ganhar o set. Com a igualdade reposta, Pedro Sousa venceu o seu jogo de serviço, obrigando ainda João Sousa a salvar um match-point antes de levar a partida para tie-break, onde o mais cotado em campo venceu, sem margem para dúvidas, por 7-1.

No set decisivo, e com Pedro Sousa em claras dificuldades físicas, o marcador foi estando igual até ao 3/3, altura em que Pedro Sousa volta a surpreender ao quebrar o serviço de João Sousa, que parecia estar cada mais confortável em campo. Mais uma vez, o tenista lisboeta, atual 140º classificado no ranking mundial, não foi capaz de “segurar” a vantagem e o marcador voltou a igualar ao 5/5.

Com a igualdade reposta foi a vez de João Sousa mostrar a “tarimba” que tem conquistado no circuito e depois de assegurar o seu jogo de serviço, colocou Pedro Sousa em dificuldades, tendo conseguido “fechar” o encontro a seu favor, ao fim de quatro match-points.

Fonte: Millennium Estoril Open

A experiência ao mais alto nível e o factor físico acabaram por ser essenciais no encontro que colocou frente-a-frente o trabalho ao talento. João Sousa mostrou, uma vez mais, a força mental que o caracteriza, enquanto Pedro Sousa, um mestre do virtuosismo, mostrou o porquê de ser apelidado como o mais talentoso desta geração.

Apesar da derrota, Pedro Sousa considera ter feito “um bom jogo, ao longo dos três sets”, lamentando o facto de estar “acabado fisicamente”, embora considere que o fator físico não justifica a derrota. Sem querer apontar este encontro como o melhor da sua carreira, Pedro Sousa sai com a certeza de que foi um dos melhores, apesar de, “ser uma derrota que custa a digerir”.

Numa jornada em que o ténis português saiu a ganhar, o encontro entre duas das maiores apostas da nova geração do ténis mundial acabou até por sair ofuscado. Kyle Edmund venceu o jovem australiano Alex De Minaur, pelos parciais de 6/2 e 7/5, afastando assim o pupilo de Lleyton Hewitt.

Ao final do dia, na estreia da sessão nocturna, Frances Tiafoe venceu o 4º cabeça-de-série e finalista do ano passado, Gilles Muller, em dois sets apenas, por 6/4 e 7/5. Já João Sousa, depois de 2h25 de jogo em singulares, “despachou” em 90m o encontro de pares, ao lado de Leonardo Mayer, vencendo por 6/4 e 7/6 (4).

Na quinta-feira, o Clube Ténis do Estoril recebe os dois principais cabeças-de-série, Kevin Anderson e Pablo Carreno-Busta, vencedor do torneio, com João Sousa a entrar em campo novamente na Sexta-feira.

Foto de Capa: Millennium Estoril Open

Miguel Dias
Miguel Dias
O Miguel jogou ténis durante mais de dez anos, sendo actual vice-presidente do clube ténis da sua terra natal, Almeirim. Para além disso, acompanha a modalidade desde 2008, tendo feito já a cobertura do Portugal Open, entre outros, e tendo sido já comentador convidado da Eurosport para a modalidade.                                                                                                                                                 O Miguel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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