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Garbiñe Muguruza: “La Furia” Espanhola em Wimbledon

Francisco Sampaio · 3 min

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Cabeçalho modalidadesDiz-nos a história que “ténis”, em espanhol, rima com “terra batida”. Porém, a tradição nem sempre se cumpre, e, desta feita, Garbiñe Muguruza mostrou ao mundo que é muito mais do que uma tenista competente em pó de tijolo. A espanhola bate com muita força na bola, sobretudo na sua pancada de direita, tem uma atitude extremamente agressiva no court, e, graças a esses predicados, conseguiu sair de Wimbledon com o título de campeã do mais icónico dos torneios do Grand Slam.

O caminho até à final foi impressionante, com a espanhola a deixar pelo caminho nomes como os de Ekaterina Alexandrova, Yanina Wickmayer, Sorana Cirstea, Angelique Kerber, Svetlana Kuznetsova e Magdalena Rybarikova. No seu excecional trajeto, Muguruza apenas cedeu um set contra a anterior número um mundial, Angelique Kerber, que se apresentou em Wimbledon com um nível de jogo significativamente superior àquele que tinha vindo a demonstrar ao longo da presente temporada.

Na final, Muguruza teve pela frente a campeoníssima Venus Williams, que, aos 37 anos de idade, marcou presença pela nona vez na final do torneio londrino. Tendo em conta o historial de ambas as jogadoras em relva e a sua experiência nos grandes momentos, o favoritismo parecia pender a favor da norte-americana. Porém, após um primeiro set no qual Venus Williams desperdiçou dois set points, a norte-americana pareceu ter perdido a confiança, não mais conseguindo manter os índices de concentração ao nível que é exigido numa final de um torneio do Grand Slam. Baixou a sua eficácia de serviço (um dos aspetos mais fortes do seu jogo) e, no segundo set, acabou por levar um “pneu” de Garbiñe Muguruza. A espanhola até somou menos winners do que Venus (14 contra 17) mas, por outro lado, esteve sempre muito consistente, tendo menos erros não forçados do que a norte-americana (11 contra 25).

muguruza wimbledon 2017
Fonte: Página do Facebook de Wimbledon

E foi assim que, aos 23 anos de idade, a melhor tenista espanhola da atualidade venceu o torneio que, há dois anos, havia perdido na final contra a mais nova das irmãs Williams e que, no cumprimento à rede, esta lhe disse que haveria de vir a vencer. A última vez que uma tenista espanhola triunfou em Wimbledon remonta a 1994, ano em que Conchita Martínez (que acompanhou Muguruza durante as últimas duas semanas) conquistou o torneio londrino. Para Venus Williams, este foi um (pouco conseguido) regresso a uma final de Wimbledon nove anos após a última ocasião em que a disputou. Curiosamente, das duas vezes em que Muguruza venceu um torneio do Grand Slam, fê-lo em encontros disputados frente às irmãs Williams.

venus williams wimbledon 2017
Fonte: Página do Facebook de Wimbledon

Para Garbiñe Muguruza, esta conquista representa um salto no ranking WTA para a 5.ª posição. A tenista espanhola tem pecado pela irregularidade mas, caso consiga manter a sua consistência exibicional, poderá num futuro próximo aspirar a figurar no top 3 mundial e, quem sabe, a lutar pela conquista de mais títulos do Grand Slam. Qualidade a espanhola já tem, bem como a capacidade de se apresentar a um grande nível em diversas superfícies; resta agora continuar a trabalhar, sem perder o foco, e a não permitir que no seu jogo a vertente psicológica se sobreponha à vertente técnica, na qual Muguruza é, claramente, uma das melhores tenistas da atualidade.

 

Foto de Capa: Página do Facebook de Wimbledon

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Francisco Sampaio

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