O estranho caso de Roger Federer

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Cabeçalho modalidadesRoger Federer regressou ontem à competição no ATP250 de Estugarda e no primeiro encontro após mais de dois meses de pausa – o último encontro oficial do suíço foi na final do Masters 1000 de Miami, onde venceu Rafael Nadal. Desta vez, no primeiro encontro disputado sob relva, o suíço teve pela frente um Tommy Haas que, aos 39 anos, já pode (e deve) ser considerado um histórico do circuito profissional. Não existia um encontro com uma soma de idades tão elevada (74) desde que Luis Ayala (com 49 anos) defrontou Ricardo Cano (30 anos), em 1982. Desta vez foi mesmo o mais velho a levar a melhor dentro das quatro linhas, surpreendendo a comunidade do ténis internacional, que esperava, certamente, um regresso mais pujante de Federer àquela que é a sua superfície favorita.

Quanto ao encontro, não se pode dizer que tenha sido sempre bem jogado – longe disso – nem tão pouco espetacular. O atual 5.º classificado no ranking ATP entrou em court com uma postura mais leve e tranquila do que o habitual e manteve-a durante as quase duas horas de encontro, esboçando até alguns sorrisos para a bancada no decorrer do encontro. No entanto, o primeiro set não fazia prever o desfecho final, pois o hepta-campeão de Wimbledon conseguiu aproveitar o estranho nervosismo que apresentou Tommy Haas, nervosismo esse que o levou a um número demasiado elevado de erros não forçados, facilitando a vida ao suíço sem que este tivesse de se aplicar verdadeiramente. Na segunda partida, os erros persistiram parte a parte e o set desembocou num tie-break onde Roger Federer teve match-point por duas ocasiões, pelo que Tommy Haas foi mais forte e aproveitou o set-point que teve a seu favor quando o marcador registava 9-8 para o alemão. No set decisivo Federer não foi capaz de puxar dos galões, mantendo-se num ritmo de “jogging” que o levou a ceder o seu serviço aos 2-2 e a não mais recuperar dessa desvantagem, tendo Tommy Haas conseguido manter um ritmo que, não tendo sido muito elevado, acabou por se revelar suficiente e eficaz para as condições do encontro de ontem.

Fonte: ATP World Tour
Fonte: ATP World Tour

Roger Federer perdeu assim o seu segundo encontro na temporada de 2017, curiosamente o segundo frente a jogadores fora do top 100 mundial – Tommy Haas ocupa atualmente a 302.ª posição na hierarquia mundial. Recorde-se que já em Março, no Dubai, Roger Federer havia sido derrotado por um inspirado Evgeny Donskoy (116.º) em três partidas também. Este registo não deixa de surpreender o mundo do ténis, que conhece Roger Federer pela sua regularidade e pela qualidade que tem vindo a apresentar ao longo de toda a sua carreira, o que faz dele, muito provavelmente, o melhor tenista de sempre. No entanto, tendo em conta a pausa de dois meses que fez no seu calendário para descansar o físico (que ano após ano se vai desgastando, apesar de o campeoníssimo helvético não o fazer parecer), esta derrota deve ser encarada sem pânico, tal como Federer reconhece. “Cometi alguns erros cruciais e não estive tão bem como queria nos momentos importantes. Dá-me mais tempo para preparar Halle. Como otimista é assim que vejo esta derrota.”, disse Federer tranquilamente aos jornalistas.

O suíço irá permanecer em terras germânicas, seguindo agora para Halle, onde irá fazer os últimos preparativos para atacar o seu 8.º título em Wimbledon, sendo por isso previsível que se apresente mais competitivo em campo a partir de segunda-feira. Será Federer capaz de recuperar o seu ténis a tempo do seu Grand Slam favorito?

Foto de Capa: ATP World Tour

Henrique Carrilho
Henrique Carrilhohttp://www.bolanarede.pt
Estudante de Economia em Aarhus, Dinamarca e apaixonado pelo desporto de competição, é fervoroso adepto da Académica de Coimbra mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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