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Quão cedo é cedo demais? Eis Felix Auger-Aliassime

Henrique Carrilho · 3 min

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Dando uma espécie de seguimento ao artigo da semana passada, nesta “Edição Olheiro falo sobre um jovem que vai singrar no mundo do ténis. Palavras precipitadas? Ora olhemos o jovem Felix Auger-Aliassime.

Nascido no Canadá, curiosamente partilha o dia de nascimento com o seu ídolo Roger Federer (apesar de ter nascido 19 anos depois do suíço), Felix Auger-Aliassime tem figurado ao longo dos últimos anos, em diversos sites e blogs dedicados ao ténis, e frequentemente as palavras que se seguem são “é o mais novo de sempre a…”. Habitualmente vejo com maus olhos a excitação de muitos meios de comunicação social em torno de jovens de 14, 15, 16 anos um pouco à semelhança da busca incessante pelo “Novo Ronaldo” ou “Novo Nadal” pelos desportos deste mundo.

Creio que, mais do que ser engraçado para os miúdos verem o seu nome coberto de elogios e espalhado pelo mundo, se as pessoas que de mais perto rodeiam as crianças não forem capazes de controlar a euforia e manter os pés no chão, a pressão e expetativas acabam por “matar” o talento. É só olhar para as listas de “Novos Ronaldos” ou “Novos Federer” e ver quantos realmente singraram na sua modalidade.

Felix Auger-Aliassime é uma promessa do Ténis mundial
Fonte: Tennis Canada

No entanto, este miúdo de que hoje falo parece – segundo treinadores próximos do canadiano – “não ter ego” e ser, de facto, um trabalhador incansável. Trabalho esse que levou o jovem de apenas 17 anos a estrear-se na semana passada (em Roterdão) em quadros principais de provas do circuito principal ATP. Para trás, o canadiano (que, apenas por curiosidade, já mede 1,91m) deixa um circuito júnior recheado de triunfos – com 15 anos apenas venceu o prestigiado Eddie Herr International, bem como o Prince George’s County International Championship e o US Open de pares, juntamente com o seu habitual parceiro, compatriota e amigo Denis Shapovalov, com quem chegou também, no ano seguinte à Final de Wimbledon antes de vencer a prova de singulares do US Open, com 16 anos.

Já no ano passado, ano dedicado à participação em mais torneios Challenger e Future do que provas ITF Junior, o jovem canadiano ousou vencer o Challenger de Lyon (que contava com nomes como Horacio Zeballos, Marcel Granollers ou Paul Henri Mathieu) antes de, na semana em que decidiu não defender o título em Flashing Meadows para jogar em Sevilla, vencer também o Challenger espanhol – onde também participaram os portugueses João Domingues, Gonçalo Oliveira e Gastão Elias.

É certo que a sua estreia no circuito profissional ATP não correu da melhor forma – perdeu em 3 sets frente a Filip Krajinovic – um “velho conhecido” do canadiano a quem já venceu múltiplas vezes em anos passados – mas basta ver alguns encontros do canadiano (alguns disponíveis no YouTube) para perceber que há ali “qualquer coisa” especial. Não é um miúdo como tantos outros que troca mais uma bola do que o adversário. Ele bate cada direita ou esquerda com a força e determinação de quem vai para o winner.

Felix Auger-Aliassime e Denis Shapovalov
Fonte: ATP

Ele não se limita a pôr o primeiro serviço em jogo. Ele vai para cada serviço em busca do ás. Um pouco ao estilo Gael Monfils (versão espetacular) o canadiano consegue juntar a potência com o sentido de oportunidade gerando garantidamente entretenimento de qualidade para quem assiste aos seus encontros. Para além da garra revelada por Felix dentro do court, o jovem de 17 anos parece ser muito consciente do que pode vir a ser a vida de tenista e afirma que “tenho boas notas na escola e quero manter esse nível, afinal nunca se sabe o que é que aí vem”.

Com o devido acompanhamento (fulcral para o sucesso destes jovens precoces no futuro) e a atitude certa – dentro e fora do campo de ténis – o canadiano pode oferecer ao seu país uma dupla de sonho nos anos que aí vêm. Afinal se juntarmos Felix Auger-Aliassime e Denis Shapovalov a Vasek Pospisil (contando que o super-veterano Daniel Nestor de 45 anos entretanto se retire) o Canadá pode tornar-se uma potência digna do país que é nesta modalidade. No que toca a Auger-Aliassime, porém, é necessário ter paciência – exigir o mundo a um miúdo desta idade é uma atitude digamos “pouco inteligente” – e apreciar o processo de desenvolvimento de um atleta que, se tivesse de apostar, acabará o ano perto do top-100. Aos 18 anos. Daí para a frente, resta-nos ver o que acontecerá!

Foto de Capa: ATP

Henrique Carrilho

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