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Roland Garros 2021 | Novak Djokovic fez o «impossível»!

Filipe Torres · 8 min

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Terminou o segundo Grand Slam do ano. Foi um torneio que contou com os melhores tenistas do mundo em terra batida e que teve um vencedor inesperado. Apesar de algumas desistências, foi um torneio que teve grandes jogos e que agradou os fãs da modalidade. Com muita surpresa, não houve o «Rei do Roland Garros» na final. Desta vez, os finalistas foram Stefanos Tsitsipas e Novak Djokovic.

Foto de Capa: ATP Tour

STEFANOS TSITSIPAS: O GREGO ESTÁ “ON-FIRE” EM 2021

2021 está a ser o ano de Tsitsipas! Já conquistou vários títulos e falta-lhe um tipo de competição que acontece apenas quatro vezes por ano: um Grand Slam. Ora, depois de ter sido um semi finalista do Australian Open, Tsitsipas tinha uma boa oportunidade de chegar à final do Roland Garros. A partir do momento em que se conhecia as duas metades do torneio e a eliminação inesperada de Thiem, o grego era visto como o principal favorito a chegar à final. E foi isso que aconteceu!

As duas primeiras rondas foram as mais fáceis para o melhor tenista grego de todos os tempos. Derrotou Jeremy Chardy e Pedro Martinez, sem perder qualquer set.

Na terceira ronda, o grego apanhou um mini-susto, quando perdeu o primeiro set para o norte-americano John Isner. Porém, não passou disso. A ronda seguinte era, teoricamente, mais complicada. O adversário era o espanhol Pablo Carreno-Busta. O resultado foi igual aos das primeiras duas rondas. E foi o que aconteceu novamente nos quartos-de-final. Daniil Medvedev fez uma prova melhor do que se esperava ao ter chegado a uma fase tão adiantada do torneio. Porém, não conseguiu ganhar qualquer set ao grego, apesar de ter jogado um tie-break.

O jogo mais complicado do seu percurso até à final foi o das meias-finais. O motivo era simples: Alexander Zverev era o adversário. No início parecia que o jogo estava a correr às mil maravilhas para o grego – ganhou os dois primeiros sets. Apenas cedeu um jogo de serviço e respondia muito bem ao serviço do alemão. Porém, o início do terceiro e quarto set não foi igual à imagem do grego nos primeiros dois sets.

O finalista seria conhecido no último set. E foi aí que o grego subiu de rendimento. Apesar do primeiro jogo de serviço ter sido quase semelhante aos dos últimos dois sets, Tsitsipas não cedeu. Foi um set à imagem do grego e garantiu a sua primeira final de Grand Slam. Podia ser o primeiro Grand Slam de um

NOVAK DJOKOVIC: O FINALISTA “INESPERADO”

Apesar de ser o número 1 mundial e um jogador com bastante reconhecimento e mérito, foi uma surpresa ver Djokovic na final. O motivo é simples: estava na metade do quadro principal do torneio que o “rei da terra batida”, Rafael Nadal.

O sérvio demonstrou um grande nível em todo o seu percurso até à final: apenas perdeu 4 sets.

As três primeiras rondas foram acessíveis para o número 1 mundial. O sérvio derrotou o norte-americano Tammy Sandgren, o uruguaio Pablo Cuevas e o lituano Ricardas Berankis. E o resultado foi igual nos três jogos: 3-0.

O trajeto de Djokovic começou a piorar a partir da quarta ronda. Nessa fase da competição, o sérvio defrontou um dos prodígios de Itália, Lorenzo Musetti. Para muitos que não conheciam o italiano, foi um excelente jogo para conhecer a qualidade do jovem tenista. Ele não se intimidou, inicialmente, e venceu os primeiros dois sets do encontro, sempre no tie-break. Apesar de tudo, foi uma grande surpresa.

Ora, apenas deu Djokovic a partir do terceiro set. Musetti apenas ganhou um jogo no terceiro set e não qualquer jogo no quarto. O jogo seria decidido no quarto set, quando o Musetti desistiu, por motivo de lesão, numa altura em que estava 4-0 para Djokovic. Que grande jogo do italiano!

Nos quartos-de-final, Djokovic defrontou um dos melhores jogadores em forma, Matteo Berrettini. Tal como Musetti, Berrettini fez um grande jogo contra o sérvio e apenas ganhou o seu único set no tie-break. Foi um encontro com muitas duplas faltas – 10 de Djokovic e 11 de Berrettini -, mas o italiano não aguentou o poderio do sérvio.

O maior desafio na terra batida é, sem dúvida, tentar derrotar o espanhol Rafael Nadal e Djokovic teve sucesso nas meias-finais da competição. Pela segunda vez em toda a carreira, Djokovic derrotou Nadal no maior torneio de terra batida.

Para quem desconhecesse, Nadal participou em 16 edições do Roland-Garros e levantou o troféu em 13 ocasiões! Foi um dos melhores encontros da prova, quiçá o melhor. Djokovic entrou da pior forma e perdeu o primeiro set. Parecia que o pior estava para vir ao sérvio, mas conseguiu, com muito mérito, contornar o resultado e derrotou o “rei da terra batida”, em 4 sets. Que prova do sérvio!

A SURPRESA: DANIIL MEDVEDEV

Há vários jogadores que surpreenderam: Novak Djokovic, Lorenzo Musetti, Davidovich Fokina, entre outros. Mas há um nome que merece um destaque especial: Daniil Medvedev. Apesar do russo ser o número 2 mundial do ranking ATP, ninguem esperava ver Medvedev chegar aos quartos-de-finais da competição.

O motivo era simples: Medvedev nunca tinha passado da primeira ronda do quadro principal. O Roland-Garros é conhecido por ser o “calcanhar de aquiles” dos Grand Slam para o melhor tenista russo da atualidade.

Desta vez, Medvedev foi muito feliz. O sorteio ditou que Alexander Bublik fosse o adversário do russo na primeira ronda. Ao contrário das outras ocasiões, Medvedev passou para a segunda ronda com uma grande prestação: ganhou em menos 2 horas e não perdeu qualquer set.

AS DESILUSÕES: RAFAEL NADAL E DOMINIC THIEM

É muito estranho dizer que um semifinalista foi uma desilusão, mas é verdade. Rafael Nadal não conquistou Roland-Garros, para surpresa dos muitos fãs da modalidade. Como já foi dito, Nadal é o “rei” da terra batida e Roland-Garros. Não há um único jogador que se aproxima do estatuto de Nadal neste terreno de jogo – só foi eliminado 3 das 16 vezes em que participou. Tendo em conta que Nadal já tem 35 anos, será que vai ser o princípio de uma nova era de novos campeões no Roland-Garros?

Um jogador que foi uma autêntica desilusão foi o Dominic Thiem. O tenista austriaco foi finalista em 2018 e 2019 – perdeu curiosamente ambas finais para Nadal. E qual foi o resultado desta vez? Eliminação na primeira ronda.

Visto por muitos como o “príncipe da terra batida”, é muito estranho ver Thiem sair do quadro principal tão cedo. O tenista que causou essa surpresa foi o espanhol Pablo Andujar-Alba. Não é a primeira vez que o espanhol faz uma gracinha dessas em 2021: já tinha eliminado o experiente Roger Federer – que desistiu do Roland-Garros antes do jogo dos oitavos-de-final – no ATP de Genebra. O mais surpreendente da derrota é que Thiem venceu os dois primeiros sets! Depois surgiu um Super Andujar-Alba para conseguir uma reviravolta memorável para causar a primeira grande surpresa do torneio.

A GRANDE FINAL

A final do Roland-Garros não contou com o espanhol Rafael Nadal. Os finalistas foram Novak Djokovic e Stefanos Tsitsipas. O favorito para a grande maioria era Novak Djokovic. Depois de ter eliminado o “rei da terra batida” e por ser um vencedor “normal” em Grand Slams, Djokovic era o vencedor da final.

O primeiro jogo do primeiro set foi muito semelhante à imagem do jogo todo. A única diferença foi o vencedor. Djokovic teve duas oportunidades para quebrar o serviço do grego, mas sem sucesso. Depois disso, os serviços foram bastantes fortes para ambos jogadores. O último jogo de serviço do grego foi o menos bem sucedido – cedeu o set.

Parecia que Djokovic ia ganhar, mas também foi quebrado e o jogo foi para tie-break. Essa fase do set foi um completo caos. Nenhum dos jogos conseguia servir bem, algo que não aconteceu durante o primeiro set todo. Quem sorriu no final do set foi o grego. A salientar o grande número de aces que fez (7).

No segundo set, Djokovic entrou muito mal e Tsitsipas continuou em grande! Depois de um período equilibrado, sem haver qualquer situação de perigo, o sérvio voltou a ceder quando o Tsitsipas fez o 5-2. O grego ganhou o seguinte e parecia que a vitória estava quase nas mãos de Tsitsipas.

No terceiro set, esperava-se uma de duas atitudes de Djokovic: ou o sérvio ia abaixo ou ia tentar recuperar uma desvantagem de dois sets. O que se viu foi, claramente, a segunda opção. Depois de um 40-15 para o grego no seu serviço, o sérvio recuperou a desvantagem e conseguiu quebrar na quinta tentativa! Djokovic acabaria por conquistar o set e Tsitsipas teve que pedir assistência médica no final do set.

Depois de uns minutos sem jogar, começou o quarto set. Tal como tinha acontecido no jogo das meias, Tsitsipas entrou muito mal e foi quebrado nos seus primeiros dois jogos de serviço. E tal como aconteceu nesse mesmo jogo, Tsitsipas voltou a desperdiçar uma vantagem de dois sets.

Entramos para o quinto e último set da partida. O público estava quente – já se tinha saudades de ver muito público ativo numa final de um Grand Slam. O problema do Tsitsipas estava a ser, novamente, os serviços iniciais. Teve muito perto de ser quebrado no primeiro, não foi, mas acabou por ser no segundo. Para infelicidade do grego, Djokovic estava a servir muito bem e nunca esteve perto de ser quebrado. O sérvio acabou por ganhar o jogo no segundo match point.

Apesar do esforço incrível de Tsitsipas em todo o torneio, não foi desta que conquistou o seu primeiro Grand Slam. Djokovic fica assim com 19 Grand Slams, ficando assim a 1 do recorde de Roger Federer e Rafael Nadal. A destacar que Stefanos Tsitsipas descobriu que a avô tinha falecido 5 minutos antes de começar o jogo. Que belíssima prestação do grego!

Filipe Torres

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