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Se muitos previam que essa fosse uma tarefa difícil para o suíço, este tratou de deixar bem claro que é o melhor sob relva.
Do famoso big four, o espanhol Rafael Nadal, decacampeão de Roland Garros, foi o primeiro a cair na relva de Wimbledon nesta edição da prova. Nadal venceu os seus primeiros encontros pelo que nunca se mostrou plenamente confortável na superfície que, tradicionalmente, causa mais problemas ao seu estilo de jogo. Por isso, e por não se ter preparado tanto como a maioria no circuito para este major (por decisão técnica) as expetativas relativas à prestação do maiorquino não eram muito elevadas. Ainda assim, Rafa chegou com alguma tranquilidade aos oitavos de final, ronda em que encontrou um sempre perigoso Gilles Muller que se exibiu a um nível acima daquele que costuma apresentar e, após 4 horas e 47 minutos de puro thriller, levou de vencida o 3º do ranking mundial por 6-3, 6-4, 3-6, 4-6, 15-13.

Andy Murray jogou perante o seu público e fez História mesmo antes de bater a sua primeira pancada na relva do All England Club este ano: foi a primeira vez na Era Open que, na vertente masculina, Wimbledon teve como 1º Cabeça-de-série um líder do ranking ATP britânico. Estavam por isso elevadas as expetativas dos britânicos e muitos achavam que o escocês renovaria o título que conquistou em 2016. Durante a primeira semana (a sempre difícil primeira semana para os principais candidatos à vitória nos Grand Slams) Murray cumpriu a sua obrigação e chegou aos quartos de final com relativa facilidade e, aparentemente, bem a nível físico.
No extremo oposto do quadro surgiu Novak Djokovic, vindo de uma vitória tranquila no torneio de Eastbourne o que permitiu que o sérvio mostrasse mais confiança no seu ténis e conquistasse vitórias fáceis até aos quartos de final.
Ninguém acreditava que esta ronda se revelasse fatal para os dois primeiros cabeças-de-série, mas foi isso mesmo que aconteceu. Andy Murray até entrou bem na partida frente a Sam Querrey vencendo o primeiro set mas Sam Querrey soube manter-se no encontro mesmo depois de estar a perder quer 1-0 quer 2-1 em sets, e fez o suficiente – “ajudado” por um Murray desinspirado – para vencer o quarto e quinto sets por 6-1 deixando gelado o público que assistiu a esta surpresa in loco. Ao mesmo tempo decorria no Court 1 o encontro entre Djokovic e Berdych, encontro esse que teve apenas um set, bem disputado, que terminou com 7/6 para o checo. Na segunda partida, quando já se via no marcador 2-0 para Berdych, Novak Djokovic sentiu que o seu corpo não estava em condições e desistiu do seu compromisso.
Se a generalidade dos adeptos da modalidade ficou triste com as derrotas de Nadal, Murray e Djokovic, Roger Federer parecia não estar a competir no mesmo mundo dos seus rivais. Sempre com uma tranquilidade visível, e uma confiança no seu jogo que não havia como não notar, o suíço foi “passeando” o seu ténis pelos courts e, com o quadro cada vez mais aberto para o seu lado, Roger Federer não acusou qualquer nervosismo e chegou facilmente à Final sem ceder um único set ao longo das duas semanas de prova.
Hoje, no encontro que poderia colocar Roger Federer (ainda mais) acima de todos os atletas na História de Wimbledon, não consegui evitar uma relação quase umbilical com a Final que se realizou há pouco mais de um mês em Paris, e que colocou Nadal frente a Wawrinka. Sem retirar qualquer mérito ao croata Marin Cilic, que realizou uma campanha fabulosa nestas duas semanas em Wimbledon e mostrou uma vez mais que, não sendo um jogador espetacular – no verdadeiro sentido da palavra – nem vistoso, é um dos mais regulares valores do circuito nos últimos anos, a Final de hoje estava como que destinada a pender para Roger Federer (bem como a de Roland Garros estava para Nadal). O peso dos números e da história fazem com que estas Finais contivessem uma carga emocional demasiado elevada para que estes dois super-campeões como são o suíço e o espanhol fossem surpreendidos. Acredito que nenhum atleta no circuito roubaria a vitória a nenhum dos dois, em nenhuma das duas Finais.

Fonte: AELTC/Ben Solomon
Federer venceu um Cilic, que ainda por cima se apresentou diminuído fisicamente, por 6-3, 6-1, 6-4 numa Final sem história (até nisso foi parecida a Final de Roland Garros!) e levou para casa o oitavo troféu de Wimbledon conquistando o segundo Grand Slam da época a um mês de completar… 36 anos.
O desporto tem destas coisas. A História teima em encontrar estes paralelismos e neste caso fala por si mesma, elevando cada ano mais alto o nome daqueles que são, cada vez de forma mais destacada, os melhores de cada modalidade. No ténis, se já houve em tempos dúvidas entre quem ocupava o lugar mais alto no Olimpo, a cada dia que passa essa mesma História parece gritar para todos ouvirem um só nome. Roger Federer.
Foto de Capa: AELTC/Thomas Lovelock
Artigo revisto por: Pedro Couto













