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Amigos, conhecidos, simpatizantes e todos os leitores que leram esta rubrica até aqui…
Queria fazer uma nota prévia para o facto de o passo 8 e 9 saírem juntos.
Foi um ciclo duríssimo para a equipa e fisicamente não me encontrei em todos os momentos o melhor possível daí ter sido impossível o passo 8 (após o jogo com o CVA) sair na semana passada.
Farei então um balanço do que foram esses dois jogos, do que falta, aspirações e teremos uma entrevista alargada com a vice capitã Gilda Santos!
Obrigado pela compreensão!
Então vejamos….
CVA 3 CC 2
“Perdemos!”
Às vezes, o quase chega. Desta vez devia chegar. A caminhada foi duríssima até aqui. Da equipa de setembro, oscilante, que perdeu com os Maristas, no início do Regional, até esta equipa personalizada que pôs o favoritíssimo a 3 pontos do Adeus. Foi possível isto tudo! Houve treinar com a casa as costas, fazer das tripas coração para que a viagem fosse o mais tranquila possível, um esforço financeiro incrível por parte das jogadoras e comissão técnica e os entendidos todos a explicar que, no fundo, não éramos bons o suficiente, que CVA e LVC eram muito superiores as equipas de Lisboa e que nos tínhamos que contentar com o 3º lugar… Para, no fim, estarmos a 3 pts de sair de Aveiro com um incrível 3-1 e eliminando o favorito de todos. O Guilherme fez um trabalho excepcional durante as semanas que antecederam o jogo em todos os capítulos, foi inexcedível na viagem e tive o orgulho de ver uma equipa sê-lo ali mais uma vez, um conjunto que nos deve deixar a todos estupefactos pela quantidade de dificuldades que teve sempre atirada a cara e mesmo assim esteve tão perto do sonho. A equipa com a qual era possível. Podíamos perder este jogo mais 10 vezes seguidas, que era possível. Podia ter caído nosso, em qualquer um dos 5 Side-outs da sequência infernal do 4º set!
Mas às vezes, como neste caso, o quase não chega. Não me levem a mal, eu tenho todo o orgulho nelas. Tive a oportunidade de lhes confessar em reunião na segunda-feira após que, de longe, elas representam um dos projectos que mais me orgulho na minha carreira e que inevitavelmente é ali, no pavilhão, com elas que gosto de estar no dia-a-dia.
Mas neste caso não posso só gostar de ser do CC, de termos feito tudo, de termos ido longe, não posso ter só orgulho nelas. É que ficar conformado com esta derrota, um segundo que fosse, era insultar o que esta equipa pôs em campo. Tenho todo o orgulho nelas, mas não posso ficar feliz pelo que elas conseguiram. Neste caso o quase não chegava, não era o dia de sermos os campeões morais. Precisávamos que fosse nosso, elas podiam tê-lo feito nosso; se perdemos, perdemos tanto quanto se podia perder. Olhando para o jogo não estamos orgulhosos, porque não ganhamos; neste caso, a nossa maior honra é estarmos frustrados e impotentes e desolados porque perdemos. É que só perde quem pode ganhar. Nós pudemos. Não temos de estar orgulhosos. Um bom perdedor é perdedor a vida inteira.
GCP 0 CC 3
“Atitude de Campeãs!”
Depois de Aveiro jogava-se e joga-se uma época diferente! É importante e imprescindível que consigamos encontrar motivação para ganhar os nossos jogos por alguns motivos:
– 1º E MAIS IMPORTANTE- Por todo o sacrifício que pusemos na época e pelo colega do lado. Mesmo em momentos de desânimo ver o vosso esforço faz com que eu e o Gui trabalhemos a 110% e se o destino não nos quiser dar a oportunidade da final 4 este ano ao menos que as coisas terminem nos nossos termos
-2º – Só faz sentido esperar por um deslize do nosso rival se nós fizermos a nossa parte!
No fundo, tudo o que pudemos controlar agora é a nossa atitude, empenho e carácter.
E, nesses capítulos, esta época mostrou que estas miúdas têm atitude de campeãs!
Foi com estas premissas que fomos jogar a casa do GCP.
Fomos competentes, humildes e sérios na abordagem ao jogo e naturalmente vencemos 3-0!
Faltam 2 jornadas!
Estamos a 1 ponto!
Tudo pode acontecer…..
Entrevista alargada com a vice capitã Gilda Santos, Central da equipa:

Na entrada para este ciclo de dois jogos o CC estava em 1º a depender só de si, neste momento isso não acontece. Consegue descrever como foi para si o jogo em Aveiro?
GS- Sabíamos a importância do jogo contra o Aveiro, e depois da única derrota que sofremos nesta fase por 3-1 em casa, teria que ser o tudo ou nada. Estávamos com os mesmos pontos, sets ganhos e sets perdidos, era como se soubéssemos que quem ganhasse aquele jogo estaria automaticamente qualificado para a final 4.Depois de 250 Km, estávamos motivadas, queríamos tanto como adversário, mas apenas um podia ganhar! Estávamos lá para discutir ponto a ponto.
Como explica o mau 1º set? Naquele 4º set faltou experiência?
GS- Entrámos muito apáticas, o serviço do CVA condicionou bastante a nossa recepção, o primeiro set foi como se estivéssemos a ver o que ia acontecer, com medo de jogar aquilo que realmente sabemos jogar. A partir do segundo set, tivemos CC, apesar da distância de 5/6 pontos em que ficávamos atras em momentos cruciais conseguimos passar para a frente, e não foi deslize do adversário, foi mérito nosso! No quarto set, faltou muita experiência, faltou concentração, faltou querermos mais que o CVA. Com a vantagem que tínhamos ficamos à espera que o adversário falhasse e não que fossemos nos a conquistar o set. Foram 5 sets, duros 5 sets, fisicamente e psicologicamente. Perdemos a negra, nunca tínhamos perdido uma negra! Apesar da derrota, fica o sabor amargo de que apenas um deslize do CVA mudaria o rumo dos nossos pontos.
Qual a reacção da equipa? Como se sai de um resultado tão dramático numa “final antecipada” e se tem forças anímicas para preparar o próximo jogo?
GS- Estaria a mentir se disse-se que saímos bem! O grupo estava em baixo, por muito que quiséssemos acreditar que mais cedo ou mais tarde o CVA deslizaria, as contas agora estavam muito complicadas, mas ainda assim, o objectivo era ganhar os próximos jogos pela margem máxima e esperar que um “milagre” acontece-se. As forças vão se arranjar onde menos esperamos! Quando achávamos que era o fim do mundo, estávamos lá para mais uma semana a treinar, treinar e treinar. Desistirmos NUNCA!
O que achou da resposta da equipa contra o GCP?
GS- A resposta no GCP foi boa! Apresentamo-nos certinhas, com muito respeito pelo adversário e com a noção de que se poderíamos ganhar por 3-0 não o iriamos fazer por 3-1 ou 3-2. Neste momento tudo conta, e foi com esse espirito que alcançamos o 3-0.
Neste momento faltam 2 jogos e o CC tem de ganhar os seus e esperar uma escorregadela do CVA…. Acha possível? A equipa trabalha com que espirito/objectivo actualmente?
GS- A equipa trabalha com o objectivo de ganhar todos os jogos. Neste momento mais nenhuma equipa me interessa que não seja a nossa. Não vamos baixar os braços e o objectivo é ganhar os dois jogos que faltam, depois de fazermos o nosso trabalho, aí sim é ver as contas dos adversários.
Num campo mais individual a Gilda tem sido a capitã em campo e é a jogadora mais experiente do grupo… Como tem sido a sua época até aqui? Como antevê o jogo com o Sesimbra sábado?
GS- Bem, agora é a parte que vem o sentimento ao de cima. As pessoas que já trabalharam comigo sabem o quanto eu visto a camisola de um clube, de uma equipa e de uma família. É verdade que tenho alguns anos de voleibol, que no ano passado me sagrei campeã nacional da 2ª divisão por outra equipa, mas também é verdade que nunca tive num grupo tão mais novo como no CC. No desporto como na vida, há situações em que ganhamos “calo” quando passamos por elas, e faz parte ganhar e faz parte perder, e faz parte ensinar e faz parte aprender. Cheguei a meio da época, apenas para treinar pois a minha vida profissional não dava para conciliar com uma primeira divisão. Tive que jogar, por mim, pelo grupo que me recebeu de braços abertos, e que apesar das diferenças de idades percebi que poderia aprender muito mais com elas, que elas comigo. Sei o quanto é importante a minha experiência, dentro como fora de campo, a forma como sou tratada por algumas como a “mamãe da equipa” é espelho de que estou lá para ajudar e isso é muito gratificante. O facto de ter sido capitã (devido à lesão da nossa Sara), não muda em nada aquilo que sou. Não é um assinar de boletim ou um risco na camisola que muda o que temos que dizer ou fazer! Estou com o CC, para aquilo que o CC precisar, assim como sei que o CC estará comigo sempre. Que venham mais anos, assim a vida o deixe, não sabemos o dia de amanhã, mas certamente que há muita coisa que só faz sentido com este grupo que é gigante!
Aos treinadores, só posso agradecer pela confiança em mim e no meu trabalho.
O jogo contra o Sesimbra será um jogo mais difícil que o do fds passado, mas que nem por isso deixaremos de enfrentar como temos enfrentado todos até agora. Estamos lá para jogar e se depender de nós, para o vencer também.















