Académica 0-2 Boavista: A moleza e uma sentença

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Parecia estar escrito que seria hoje o dia em que José Viterbo abandonaria a sua cadeira de sonho. É que o Boavista já fora o “carrasco” de Paulo Sérgio (depois de perder com os axadrezados, foi demitido) e as circunstâncias em que a Académica se encontrava (“são as que são”, disse José Eduardo Simões) faziam antever que algo iria mudar. Foi Viterbo quem tomou a iniciativa, ainda que aquilo que os jogadores têm feito esteja claramente abaixo daquilo que podem dar, e o jogo desta tarde foi evidência disso mesmo.

O calor dá moleza, mas não exagerem! A forma como a Académica (não) entrou em campo deixou transparecer um conjunto de jogadores que ainda associava o calor às férias e à falta de compromisso, algo que jamais pode acontecer entre profissionais de qualquer tipo, muito menos jogadores de futebol a jogar ao nível nacional mais alto. Assim se explica o golo madrugador do Boavista (ainda não estavam decorridos 30 segundos), “patrocinado” pela passividade de Ricardo Nascimento e Emídio Rafael, que permitiu a Zé Manuel fugir à marcação para inaugurar o marcador.

Um balde de água fria que não acordou os jogadores da Briosa. A equipa limitava-se a ver a tripla do ataque boavisteiro (Uchebo, Luisinho [“foi um jogo especial, passei dois dos melhores anos da minha vida em Coimbra”, disse em conferência de imprensa] e Zé Manuel) a criar perigo (Zé Manuel esteve por duas vezes perto do golo), rodando entre as três posições da frente de ataque de um 4x3x3 bem montado por Petit, que também impedia que alguns assomos de responsabilidade de vários jogadores da Académica se convertessem em situações de perigo – primeiro remate dos estudantes aos 43 minutos, por Ivanildo, de longe.

Ao intervalo, a Académica parece ter despertado para a realidade. As férias tinham acabado, mas já se tinha dado uma parte de avanço. O Boavista mantinha a boa organização (excelente prestação da dupla Idris/Ruben Gabriel) e impedia que as intenções de criar perigo do adversário passassem disso mesmo. Aliás, o risco que José Viterbo correu ao colocar Hugo Seco (saiu Leandro) e Gonçalo Paciência (substituiu João Real, lesionado) apenas se traduziu num único remate, muito longe da baliza de Mika.

É certo que a Briosa conseguia penetrar o meio-campo contrário, mas esbarrava na boa organização axadrezada. A Académica tinha a bola nos pés, o Boavista o jogo nas mãos. E assim foi passando o segundo tempo, com poucas oportunidades de perigo mas com alguma vontade por parte da Briosa. Porém, as intenções, por si só, foram insuficientes para mudar o rumo da história de um início de época desastroso e de um jogo que parecia ter a sua sentença escrita à partida – oportunidades flagrantes na segunda parte apenas para o lado do Boavista. Uma deu golo, com Anderson Carvalho a responder da melhor maneira a um canto de mangas arregaçadas. A outra, com Zé Manuel isolado perante Trigueira, terminou com boa defesa do guardião.

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José Viterbo foi alvo da primeira chicotada psicológica da Liga
Fonte: Facebook da Académica

No clássico (Boavista tem 52 presenças na Liga, a Académica 63) mais pobre da jornada, imperou a equipa mais bem organizada. O Boavista voltou a marcar, dois jogos depois de não o conseguir (questionado sobre se já existia plena afinação dos processos ofensivos, Petit disse ao Bola na Rede que estes ainda estavam a ser trabalhados, e que as bolas que não entraram em Braga e no Bessa acabaram por entrar hoje).

A Briosa voltou a desiludir, e José Viterbo, “como bom academista que me considero”, disse, apresentou a demissão, aceite por José Eduardo Simões, que, num momento presenciado pelo Bola na Rede, abraçou, lavado em lágrimas, o agora antigo treinador da Briosa.

Um jogo, muita moleza e uma sentença.

Figura do jogo:

Petit – A forma como o Boavista se dispôs em campo tem o dedo do treinador. A solidariedade de todos os jogadores e a forma como se entregaram ao jogo parece ser o transfere, do banco para o campo, da personalidade do treinador.

Contou com um golo madrugador, é certo, mas a forma como dispôs o xadrez foi a chave para a vitória.

O Fora-de-jogo:

Leandro- Aos 9 minutos era amarelado, ao intervalo era substituído. Um dos jogadores dos quais mais se esperava desiludiu. Foi macio no “seu” meio-campo e não conseguiu penetrar o contrário, revelando-se uma das figuras da permissividade da Briosa.

Foto de capa: Facebook da Académica

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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