Ainda não se ouviu o Galo cantar

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7 derrotas, 3 empates e ainda nenhuma vitória na Liga: este é o saldo que nenhum gilista queria, mas que é a dura realidade. A equipa de Barcelos tem apenas 3 pontos ao fim de 10 jornadas, mas o pior é que não se vê solução à vista.

A época começou com João de Deus ao comando. O atual treinador da equipa B do Sporting apenas durou 3 jogos, com outras tantas derrotas. Depois chegou José Mota, que começou com um moralizador empate em Paços de Ferreira, mas não conseguiu colocar a equipa no bom caminho. Apesar do bom desempenho nas taças (o Gil Vicente eliminou o Atlético na Taça da Liga e o Real Massamá na Taça de Portugal), não se pode dizer que estes sucessos não fossem mais do que as obrigações dos gilistas. Em 7 jogos na Liga, José Mota ainda não conseguiu colocar a equipa a vencer e a lanterna vermelha da tabela está há muito tempo na sua posse.

Olhando para o plantel, não vejo muitas soluções de qualidade. Retirando Adriano Facchini e Diogo Viana, penso que nenhum dos jogadores teria lugar como titular numa equipa que lute pelos lugares europeus na nossa Liga. Enza-Yamissi/Pecks é a dupla de centrais mais utilizada, mas também já por lá passaram Gladstone, Luan e até mesmo Evaldo. Não é por acaso que a equipa já encaixou 23 golos e viu 43 cartões amarelos nos 13 jogos disputados nesta temporada. Sentem muitas dificuldades a defender e com apenas 3 centrais é difícil gerir castigos e lesões. Daí as duas adaptações que já aconteceram.

O lateral direito Gabriel Moura mostrou qualidade na temporada passada, mas tem estado alguns furos abaixo neste momento, acompanhando também o ritmo dos colegas. No outro flanco, Evaldo e Jander têm repartido a titularidade, ainda que José Mota tenha optado por colocar os dois ao mesmo tempo nas últimas duas partidas (Evaldo a lateral e Jander como extremo). A defesa tem sido alvo de muitas mudanças (prova disso é que o quarteto mais utilizado no 11 inicial foi apenas visto em 4 dos 13 jogos da temporada), e isso não é nada bom para a criação de uma solidez nos processos de jogo. Além da falta de estabilidade das escolhas, há o problema da pouca qualidade das mesmas. Entre Pecks, Enza-Yamissi e Gladstone, não me parece que haja um verdadeiro líder, alguém que possa comandar a defesa. Penso que este setor, nomeadamente na zona central, é uma das brechas que o Gil Vicente tem obrigatoriamente de colmatar no mercado de inverno.

Além do excesso de golos sofridos, o número de golos marcados também devia merecer uma reflexão da parte dos responsáveis. A equipa tem uma média inferior a 1 golo por jogo no conjunto de todas as competições (12 golos em 13 jogos), e também no setor ofensivo a rotatividade tem sido a palavra de ordem. Tal como na defesa, o trio atacante mais utilizado de início (Avto, Diogo Viana e Simy) apenas iniciou 4 dos 13 encontros do Gil esta época. Diogo Viana é um jogador de inegável qualidade, mas peca ainda por um individualismo que, por vezes, se torna excessivo. O ponta de lança nigeriano Simy, com 4 golos em 8 jogos, é o melhor marcador da equipa e tem disfarçado algumas das inegáveis deficiências do setor ofensivo dos “galos”. Marwan Mohsen tem sido uma desilusão e os outros atacantes não se têm destacado ao longo dos jogos. Avto e Diogo Valente (principalmente este) têm estado longe daquilo que já mostraram nos relvados portugueses.

José Mota tem pela frente uma das tarefas mais difíceis da sua carreira Fonte: Gil Vicente FC
José Mota tem pela frente uma das tarefas mais difíceis da sua carreira
Fonte: Gil Vicente FC

Apesar de todos estes equívocos que apontei no plantel, o maior enigma parece ser o meio campo. Olhando para a lista de jogadores, vemos 7 hipóteses mais plausíveis para alinharem no trio utilizado por José Mota no seu sistema tático: Luís Silva, Vítor Gonçalves, Leandro Pimenta, João Vilela, Luan, Hossam Hassan e o mais experiente César Peixoto. Com estes jogadores, pensei que não seria pelo meio campo que o Gil Vicente iria sentir mais problemas. Contudo, também aqui o trio mais utilizado de início ocorreu em apenas 5 partidas. Nos últimos encontros, o trio Luan – João Vilela – Luís Silva tem-se imposto no 11 inicial, mas, ainda assim, são muitos jogadores experimentados para conseguir criar a solidez necessária. César Peixoto foi alvo de um processo disciplinar por parte do clube no início do mês e, claro está, este facto não veio ajudar às contas. É o jogador que poderia transmitir mais experiência aos seus colegas e é um dos que tem mais anos de casa. Está a cumprir a quarta temporada nos “galos”, depois de já ter passado por clubes como Benfica e Sporting de Braga.

Também não compreendo a falta de oportunidades para Leandro Pimenta. Apenas foi titular uma vez e suplente utilizado em outras duas ocasiões.  Tendo em conta o que demonstrou na época passada no Gil Vicente e há duas épocas no Benfica B, juntamente com o paupérrimo desempenho da equipa, não percebo o porquê de ser tão poucas vezes utilizado.

Pior ainda para as cores gilistas, é olhar para o calendário e perceber que, até ao final da primeira volta do campeonato (faltam 7 jornadas), a equipa tem de visitar o Rio Ave, o Benfica e o Belenenses -três equipas que estão a efetuar temporadas de bom nível-, tendo ainda de receber também o FC Porto. Não se afigura nada fácil a tarefa de José Mota para alcançar a permanência com este grupo de jogadores. Creio que António Fiúza terá de trazer 4 ou 5 atletas no mercado de inverno (um central, um médio organizador de jogo e um extremo no topo das prioridades) para que o Gil Vicente possa bater-se com os seus concorrentes na luta pelos objetivos. Em relação às taças, vai receber no próximo domingo, no Cidade de Barcelos, o Varzim na Taça de Portugal. Apesar de ser favorito, o Gil Vicente terá de mostrar muita atenção perante uma equipa que, na eliminatória anterior, enviou o “europeu” Estoril para casa. Na Taça da Liga, a equipa está apurada para a próxima fase.

Em suma: ou José Mota estabiliza um 11 inicial, permitindo a criação de rotinas de jogo, ou então o mais certo é que, na próxima época, vejamos o Gil Vicente na Segunda Liga.

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Diogo Janeiro Oliveira
Diogo Janeiro Oliveira
Apaixonado por futebol, antes dos livros da escola primária já lia jornais desportivos. Seja nas tardes intermináveis a jogar, nas horas passadas no FIFA ou a ver jogos, o futebol está sempre presente. Snooker, futsal e andebol são outras paixões. Em Portugal torce pelo Sporting; lá fora é o Barcelona que lhe enche as medidas. Também sonha ver o Farense de volta à primeira…                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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