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Não se trata de equação simplista, nem de tentar explicar uma questão complexa com simples números. Muitas vezes, isso acontece no futebol. Atribui-se um carácter demasiado numérico ao desporto-rei. Particularmente na análise às equipas, mais concretamente aos seus sistemas tácticos, opta-se quase sempre por simplificar (demasiado) as questões, considerando sempre que os números (no futebol) são fixos e não têm vida própria (dentro dos jogadores).
Apesar disso tudo, continuam a existir…treinadores de futebol. Seres que, não sendo génios, conseguem dinamizar algo que não pode ficar preso a uma ideia fixa. Como um 4-3-3 ou um 4-4-2. Nos matraquilhos, pode-se levar à letra o número. Os “jogadores” estão presos sempre à mesma posição. No futebol, não há sistemas (fixos). Há modelos.
Quando Rui Vitória sentiu que, na segunda parte do clássico, a perda do meio-campo benfiquista era mais que evidente, fez regressar André Horta ao jogo encarnado. E, não é difícil de adivinhar, o técnico benfiquista terá dito aquela espécie de equação táctica base do futebol. “2+1”. E, provavelmente, terá aliado a isso uma indicação de “jogas ao lado do Pizzi”. A linguagem não sendo indecifrável, tinha uma mensagem clara: colocar mais homens no meio-campo e ter outro controlo da bola, e, consequentemente, do jogo.

Fonte: SL Benfica
Pizzi, depois da lesão de André Horta, assumiu a posição de médio-centro. O Benfica perdeu velocidade, mas, ganhou outras valências com o transmontano no onze. Mais qualidade na posse e capacidade de passe (curto e longo). A equipa não se desequilibrou – nos jogos em que isso aconteceu, não foi devido ao posicionamento de Pizzi –, e ganhou inteligência, numa zona do campo em que ela é bem precisa.
André Horta, depois de semanas de paragem – pelos vistos, a paragem vai continuar – regressou no Dragão e a ele foi atribuída parte da responsabilidade pelo empate. Não só pelo cruzamento – aqui o mérito até é mais de Lisandro -, mas pelo que ofereceu à equipa. Pizzi, engolido pela intensidade do meio-campo portista, precisava de alguém ao lado. Claro que não foi só colocar alguém “lá ao lado dele”. O futebol, como vimos, não é isso. O Benfica, com André Horta, acrescentou presença e intensidade ao seu jogo. O jovem português permitiu, não que o Benfica jogasse melhor – o Porto continuou a evidenciar a sua superioridade -, mas sim que a equipa pudesse impedir parte dessa superioridade do meio-campo portista, tendo pelo menos mais chances de, assim, discutir o resultado. O Benfica foi mais competitivo no meio-campo. E não foi só por ter lá “1+2”









