Publicidade

“1+2” (Apesar dos números contarem pouco no futebol)

Jorge Fernandes · 2 min

“1+2” (Apesar dos números contarem pouco no futebol)

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Não se trata de equação simplista, nem de tentar explicar uma questão complexa com simples números. Muitas vezes, isso acontece no futebol. Atribui-se um carácter demasiado numérico ao desporto-rei. Particularmente na análise às equipas, mais concretamente aos seus sistemas tácticos, opta-se quase sempre por simplificar (demasiado) as questões, considerando sempre que os números (no futebol) são fixos e não têm vida própria (dentro dos jogadores).

Apesar disso tudo, continuam a existir…treinadores de futebol. Seres que, não sendo génios, conseguem dinamizar algo que não pode ficar preso a uma ideia fixa. Como um 4-3-3 ou um 4-4-2. Nos matraquilhos, pode-se levar à letra o número. Os “jogadores” estão presos sempre à mesma posição. No futebol, não há sistemas (fixos). Há modelos.

Quando Rui Vitória sentiu que, na segunda parte do clássico, a perda do meio-campo benfiquista era mais que evidente, fez regressar André Horta ao jogo encarnado. E, não é difícil de adivinhar, o técnico benfiquista terá dito aquela espécie de equação táctica base do futebol. “2+1”. E, provavelmente, terá aliado a isso uma indicação de “jogas ao lado do Pizzi”. A linguagem não sendo indecifrável, tinha uma mensagem clara: colocar mais homens no meio-campo e ter outro controlo da bola, e, consequentemente, do jogo.

A entrada de André Horta mudou o rumo do jogo Fonte: SL Benfica
A entrada de André Horta mudou o rumo do jogo
Fonte: SL Benfica

Pizzi, depois da lesão de André Horta, assumiu a posição de médio-centro. O Benfica perdeu velocidade, mas, ganhou outras valências com o transmontano no onze. Mais qualidade na posse e capacidade de passe (curto e longo). A equipa não se desequilibrou – nos jogos em que isso aconteceu, não foi devido ao posicionamento de Pizzi –, e ganhou inteligência, numa zona do campo em que ela é bem precisa.

André Horta, depois de semanas de paragem – pelos vistos, a paragem vai continuar – regressou no Dragão e a ele foi atribuída parte da responsabilidade pelo empate. Não só pelo cruzamento – aqui o mérito até é mais de Lisandro -, mas pelo que ofereceu à equipa. Pizzi, engolido pela intensidade do meio-campo portista, precisava de alguém ao lado. Claro que não foi só colocar alguém “lá ao lado dele”. O futebol, como vimos, não é isso. O Benfica, com André Horta, acrescentou presença e intensidade ao seu jogo. O jovem português permitiu, não que o Benfica jogasse melhor – o Porto continuou a evidenciar a sua superioridade -, mas sim que a equipa pudesse impedir parte dessa superioridade do meio-campo portista, tendo pelo menos mais chances de, assim, discutir o resultado. O Benfica foi mais competitivo no meio-campo. E não foi só por ter lá “1+2”

Jorge Fernandes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.