A despedida de Jonas: Obrigado, Pistolas!

- Advertisement -

Não há melhor forma de lembrar Jonas do que em dois momentos capitais na sua estadia no SL Benfica. O primeiro, literalmente o primeiro, delineou toda a sua carreira na Luz e avisou a todos os que lá estavam presentes (que sortudos!) o que aí vinha: 5 de Outubro de 2014. Numa tarde soalheira, a Luz enganala-se ainda não sabe para receber bem o quê. O Benfica ressacava de um tareão a meio da semana em Leverkusen e toda a gente queria ver uma resposta forte, servindo-se do Arouca como vítima. Não começou bem o certame e o sol que cobria as bancadas fazia os seus esforços para aquecer o ambiente preocupado que um jogo frio insistia em arrefecer. O espectáculo era de má qualidade, os assobios tímidos começavam a surgir e Jorge Jesus, se já fazia contas debaixo da cabeleira branca, ficou com ainda mais trabalho quando vê Lima a ir ao chão pouco antes do intervalo. Era obrigado a mexer, a mexer-se, a solucionar mais um problema que não esperava ter.

Seguiu a lógica e mete o recém-chegado Jonas Gonçalves Oliveira no gramado. O brasileiro veste o blazer, mete o chapéu de coco e faz a Luz desligar-se quando, ao primeiro toque na bola, sossega uma carambola a meio-campo, faz a bola passar sobre a cabeça de um inocente arouquense e distribui, elegantemente, para a esquerda. O foco estava todo naquela meia-figura, todos os presentes deixaram cair os queixos e, atonitamente em uníssono, deixam soltar um estupefacto “OHHH”. Sem que percebessem, testemunharam o nascimento de uma figura mítica da recente história do Benfica e, junto a Simão e Cardozo, uma das referências máximas do século XXI.

Já como estrela principal por mérito próprio, um ano depois, Jonas e o Benfica visitavam o Bessa para mais uma final na emocionante temporada 2015-2016. O marcador (0-0) foi-se mantendo apesar das investidas encarnadas e o tempo começava a esgotar-se. Eliseu, perto do final, decide despejar uma bola na área e Carcela desvia de cabeça: as luzes apagam-se, novamente.

Um foco ilumina apenas Jonas e, naquele microssegundo em que a bola surge na sua frente, ele é o homem mais feliz do mundo. Um sorrisão, que só não é gargalhada porque não havia tempo para isso, atravessa a cara do brasileiro. Naquele microssegundo, trocaram-se carinhos, houve paixão intensa, Jonas e a bola tornaram-se tão cúmplices e enamorados que não restava mais nada que ela, ela mesmo, despedir-se do pé esquerdo do par e arrumar-se nas redes brancas, qual véu de noiva. Jonas era assim, elegante e galanteador como ninguém: só tinha olhos para ela, a bola. Jurou e prometeu ser-lhe fiel, amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias com a camisola do Benfica, num matrimónio que fez de todos nós os mais orgulhosos filhos.

A influência de Jonas nos futuros líderes de balneário é vital. O futuro sorri com um passado assim
Fonte: SL Benfica

Em 5 anos, Jonas, como Néné, nunca precisou de se sujar para conquistar a Luz. O fato de macaco deixou-o para outros e, de fato e gravata, comandou o Benfica na recuperação da hegemonia do futebol português: 137 golos, 42 assistências, quatro campeonatos, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga, duas Supertaças, duas Bolas de Prata e duas vezes Melhor Jogador do Ano. Sempre conseguiu associar a eficácia a um ideal sem precedentes pela beleza do espectáculo. Jonas foi, na história do Benfica, dos melhores a juntar competência ao divertimento, o compromisso à alegria.

Os problemas físicos que o impediram de terminar com ainda melhores números foram uma batalha longa e a prova da resiliência incrível de Jonas: depois de um 2016-2017 intermitente e de sucessivas recaídas, em 2017-2018 o brasileiro pulveriza recordes pessoais e do clube, com 34 golos em 30 jogos apenas para a Liga. Foi este espírito de sacrificio que foi sempre vísivel no carácter de Jonas e que também ajudou á construção do seu estatuto no balneário, numa postura que era (e é) exemplo para todos. No fundo, Jonas decidiu fazer felizes todos os que o rodearam, sem pedir nada em troca. Jonas Gonçalves Oliveira decidiu, como prova de gratidão, devolver o Benfica ao topo do futebol português e, como se isso não bastasse, ainda nos agradece em lágrimas.

Obrigado nós, Pistoleiro.

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

Subscreve!

Artigos Populares

Francisco Conceição volta aos treinos na Juventus e dá bons sinais na recuperação da lesão

Francisco Conceição poderá ser opção para o Inter Milão x Juventus. Extremo português voltou aos trabalhos com o grupo.

Al Nassr de Jorge Jesus derrota Arkadag na Champions League Asiática 2 sem Cristiano Ronaldo e João Felix

O Al Nassr de Jorge Jesus venceu o Arkadag por 1-0, na primeira mão dos oitavos de final da Champions League Asiática 2.

Real Madrid pondera vender jogador que ainda nem comprou por propostas de 80 milhões de euros

Nico Paz vai ser repatriado pelo Real Madrid, mas pode nem sequer voltar a jogar pelos merengues. Espanhóis abertos a venda choruda.

FC Gaia x Sporting de Andebol adiado devido ao mau tempo e já com nova data

O Sporting viu o seu jogo contra o FC Gaia adiado por culpa do mau tempo. Partida de andebol já foi reagendada.

PUB

Mais Artigos Populares

Real Madrid confirma fim do projeto da Superliga Europeia: «Um acordo para o bem do futebol europeu de clubes»

A Superliga Europeia é um assunto oficialmente encerrado. Real Madrid, UEFA e EFC chegaram a acordo para o fim do projeto.

Imprensa brasileira confirma: Tomás Pérez vai deixar o FC Porto e rumar ao Brasil por empréstimo com opção de compra

Tomás Pérez está a caminho do Atlético Mineiro por empréstimo do FC Porto. Médio vai rumar ao Brasil e regressar à América do Sul.

Francesco Farioli chama quatro jogadores da equipa B para o treino do FC Porto

O FC Porto treinou, na manhã desta quarta-feira, para preparar o encontro diante frente ao Nacional da Madeira.