A intoxicação comunicacional do adversário

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O termo “fake news” passou a fazer parte do nosso léxico diário. A profusão de dados e informação, numa Era de infinitude digital, obriga, necessariamente, a que jornalistas e leitores efectuem, a cada nova ligação, uma selecção (ou filtragem) mais rigorosa. Não existem, por esta altura, conclusões alargadas, muito menos definitivas, acerca do verdadeiro impacto das “fake news” a nível global. No entanto, são já muitos os especialistas que crêem serem estes meios – largamente disseminados, com agendas próprias e bem definidas – a garantirem a melhor estratégia no sentido de influenciarem, eficaz e decisivamente, a opinião pública nas áreas em que actuam (normalmente nos sectores financeiro e político); contribuindo, assim, e em grande medida, para a obtenção de determinado resultado.

Não me porei aqui a dissertar sobre campanhas eleitorais, ou em como colocar ineptos em cadeiras de poder, servindo esta introdução somente para alertar o leitor para a existência, na actualidade, de “fazedores de opinião”, que actuam deliberadamente tendo como base a contra-informação feita de imprecisões e mentiras, ou, e não fugindo muito à questão, de falsas notícias (ou “fake news”). A estratégia é relativamente simples: conquista-se um espaço mediático – utilizando-se o potencial alargado das redes sociais –, publica-se algo onde, muitas vezes, apenas se induz o que realmente se quer relevar e aguarda-se, pacientemente, que os agentes online – simples leitores que, em qualquer parte do mundo, partilham a mesma, e tantas vezes deformada, opinião da fonte – utilizem os acessíveis mecanismos de partilha que a Internet coloca ao dispor de todos nós. E assim, à distância de um simples click, se divulga e difunde, sem qualquer controlo, uma mentira (se nos reduzíssemos à política dir-se-ia inverdade) que, instantânea e espontaneamente, se torna verdade para todos aqueles que a querem aceitar como verdadeira.

Nuno Saraiva e Francisco J. Marques continuam ativos na guerra contra o SL Benfica Fonte: planete-sporting.blogspot.pt/
Nuno Saraiva e Francisco J. Marques continuam ativos na guerra contra o SL Benfica
Fonte: planete-sporting.blogspot.pt/

É esta a estratégia concertada, definida atempadamente, utilizada por Nuno Saraiva, director de comunicação do Sporting, e por Francisco José Marques, seu homólogo do FC Porto. Estes profissionais experientes, há muito ao serviço dos seus empregadores – e agora oficialmente ao seu serviço – oferecem à franja anti-benfiquista, maioritária por entre os adeptos dos seus respectivos clubes, os argumentos que sustentam a justificação para males que, invariavelmente, nos últimos anos, têm vindo a acumular.

A dialéctica aponta o Benfica como culpado. De quê? De ter poder. De ser o maior clube português, com mais sócios e adeptos; o mais reconhecido nacional e internacionalmente; aquele que mais receitas e riqueza gera; de possuir um poderio social e desportivo inigualável neste país. De ser o tetracampeão; e dos seus rivais, pelo contrário, atravessarem jejuns de títulos mais ou menos longos. A intoxicação é constante: fala-se de árbitros e de arbitragens; primeiro os vouchers; depois os e-mails; as claques; como no Benfica só jogam vilões: Samaris, Jonas e agora Eliseu, o anti-cristo da moda. É o Inferno; o demónio encarnado em clube de futebol. Conversa para encher páginas de jornal, conversas de café, e, sobretudo, para criar e consolidar nas redes sociais – nas suas caixas de comentários livres – a ideia do bem contra o mal.

Esta gente, paga a peso de ouro, apenas e só para acicatar a rivalidade (a má, e nunca a boa), usa do seu espaço profissional para, ao contrário do previsto inicialmente, abdicar, por completo, de servir a comunicação do clube que representa e, simplesmente, atacar, caluniar e difamar o Benfica. Esta estratégia, com mensagens diárias, de um ou de outro lado, incendeia o futebol português, faz-lhe mal, e promove uma pressão e um condicionamento ilegítimos sobre todos os seus intervenientes. As alegadas denúncias, as acusações no espaço digital mediático, as mentiras tornadas verdade por repetição, são da autoria irmanada de Nuno Saraiva e Francisco José Marques e contribuem – essas sim! – para o real desvirtuar da verdade desportiva.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Beatriz Silva

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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