A Supertaça é mesmo “super”?

- Advertisement -

É o primeiro jogo oficial em Portugal – e na maioria dos países europeus – em cada nova época e vale um troféu. No entanto, com raízes na época anterior, as implicações da Supertaça para a nova temporada são difusas e discutíveis. Argumenta-se que é só um jogo, que “interessa é como acaba, não como começa”. Argumenta-se também que é “o” jogo que dita o que será o campeonato, que pode ter o condão de fazer mexer o mercado, que é “a” prova de fogo antes de começar a Liga. Há quem a valorize, há quem faça o contrário. Então, a Supertaça merece a designação que tem?

Resposta curta e simples: talvez. Sendo um jogo – já foram dois – que vale um título oficial, a sua importância é inegável. Vale por si. Não é uma competição longa e árdua, mas para chegar ao momento da decisão é preciso vencer uma das duas provas mais importantes do futebol português (ou chegar à final da Taça de Portugal, caso o seu vencedor se sagre também campeão nacional). O vencedor aumenta o seu espólio e o seu ego. Mas não deixa de ser um jogo.

E num jogo tudo pode acontecer, sem que o resultado final seja indicador ou revelador do que será o desempenho desportivo de cada uma das equipas. De resto, em 41 edições da Supertaça, só por 13 vezes (31%) o vencedor da Supertaça se sagrou campeão nacional no final da época. Também comprovativo de que se trata de uma prova diferente, em que o vencedor é muito mais imprevisível do que no que se refere ao campeonato, é o facto de, em 41 edições – desde 1979 –, já cinco clubes terem vencido o troféu (FC Porto, 21 títulos, Sporting CP, 8, SL Benfica, 7, Boavista FC, 3 e Vitória SC, 1), precisamente o mesmo número de campeões nacionais (cinco), em 85 campeonatos. Contudo, a Supertaça é ainda mais salomónica, uma vez que os dois não tidos como grandes venceram quatro títulos, enquanto na Liga Portuguesa, os dois não tidos como grandes – Boavista FC e CF “Os Belenenses” – venceram um cada.

Posto isto, as implicações futuras são poucas e/ou irrelevantes. A Supertaça, o que valer, vale pelo que significa por si própria e pelas consequências diretas que se fazem sentir no presente (entenda-se, o momento de época em que é jogada). E aí é preciso valorizá-la. Apesar de poder ser vista como um importuno, que obriga a preparação da época a começar mais cedo, que impede que as equipas se foquem desde o início no campeonato, tendo que disputar um jogo único sem ramificações, a verdade é que a disputa da Supertaça carrega muitos pontos positivos.

O Estádio do Algarve recebe SL Benfica e Sporting CP na 41ª edição da Supertaça
Fonte: SL Benfica

Por ser vista pela maioria dos adeptos (pelo menos os dos “três grandes”) como um título menor, por vezes menosprezado, a pressão e a exigência não são as que os jogadores encontram noutras provas. Ainda assim, é um excelente primeiro teste para os novos jogadores, que, logo no primeiro jogo que realizam, sentem o “peso da camisola” e, como é o caso este ano, defrontam um rival. Também para os elementos que transitam da época anterior e para o coletivo é uma prova mais exigente do que abrir oficialmente a temporada com um jogo da Liga Portuguesa, em que a urgência e a necessidade de ganhar são – ilusoriamente – menores, por se tratar de uma maratona e não de uma corrida de sprint.

Além disso, é de vital importância para o treinador tomar decisões importantes no respeitante ao plantel e ao onze que poderá revelar-se o “onze tipo” (expressão que, acredito, não agrada a Bruno Lage, pelo que têm sido as suas declarações à imprensa). É a única oportunidade que as equipas técnicas têm para avaliar os seus jogadores em contexto de competição antes do começo das provas de maior relevo.

Não menos importante é construir desde cedo uma mentalidade ganhadora e trabalhar numa cultura de vitórias. A confiança que a conquista de um troféu confere à equipa e à massa adepta pode revelar-se determinante nas semanas seguintes. Do ponto de vista financeiro, é igualmente relevante vencer uma competição, aumentando a confiança que os patrocinadores e investidores têm na marca. Por outro lado, a não conquista do primeiro troféu da temporada (ou o último da anterior) pode ter o efeito precisamente contrário, tendo efeitos nocivos que se revelam nos jogos posteriores.

Somando tudo, é difícil concluir a verdadeira importância e o verdadeiro significado da Supertaça. No fundo, é “apenas” um troféu. Não vale nem mais nem menos do que isso. Não significa nem mais nem menos do que isso. Não presume, não prevê, não indica, não revela. Simplesmente é. É um jogo, é um título oficial, é um momento, um breve momento que morre e não deixa filhos. É o que é e, no final, foi o que foi. Mas é importante não esquecer, filosofias e redundâncias à parte: um título é um título. E todos querem ganhar.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Jorge Neves

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

Subscreve!

Artigos Populares

Al Ittihad de Sérgio Conceição paga 30 milhões de euros e garante George Ilenikhena como substituto de Karim Benzema

O Al Ittihad de Sérgio Conceição oficializou a contratação de George Ilenikhena. Avançado francês chega como substituto de Karim Benzema.  

Clayton Silva oficializado como reforço do Olympiacos de Evangelos Marinakis

Clayton Silva foi apresentado como novo jogador do Olympiacos. Avançado deixa Rio Ave e junta-se ao clube grego de Evangelos Marinakis.

Fabrizio Romano: «Bernardo Silva vai deixar o Manchester City no verão»

Bernardo Silva prepara-se para encerrar o ciclo do Manchester City. Médio de 31 anos deixa clube no final da temporada.

Wolverhampton apresenta 2 reforços no último dia do mercado

O Wolverhampton oficializou dois reforços no último dia do mercado. Angel Gomes e Adam Armstrong juntam-se aos wolves.

PUB

Mais Artigos Populares

Gelson Martins renova contrato com o Olympiacos

Gelson Martins vai continuar no Olympiacos. Extremo português chegou a acordo para renovar com o conjunto grego.

Fenerbahçe explica o que aconteceu com os negócios de Kanté e En-Nesyri

Negócios de N'Golo Kanté e Youssef En-Nesyri colapsaram neste fim de mercado. Fenerbahçe emite comunicado oficial.

Benfica: Já é conhecida a duração do novo contrato de João Rego

João Rego vai renovar contrato com o Benfica até 2030. Jovem de 20 anos contou com o interesse de alguns clubes.