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A Supertaça é mesmo “super”?

Márcio Francisco Paiva · 4 min

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É o primeiro jogo oficial em Portugal – e na maioria dos países europeus – em cada nova época e vale um troféu. No entanto, com raízes na época anterior, as implicações da Supertaça para a nova temporada são difusas e discutíveis. Argumenta-se que é só um jogo, que “interessa é como acaba, não como começa”. Argumenta-se também que é “o” jogo que dita o que será o campeonato, que pode ter o condão de fazer mexer o mercado, que é “a” prova de fogo antes de começar a Liga. Há quem a valorize, há quem faça o contrário. Então, a Supertaça merece a designação que tem?

Resposta curta e simples: talvez. Sendo um jogo – já foram dois – que vale um título oficial, a sua importância é inegável. Vale por si. Não é uma competição longa e árdua, mas para chegar ao momento da decisão é preciso vencer uma das duas provas mais importantes do futebol português (ou chegar à final da Taça de Portugal, caso o seu vencedor se sagre também campeão nacional). O vencedor aumenta o seu espólio e o seu ego. Mas não deixa de ser um jogo.

E num jogo tudo pode acontecer, sem que o resultado final seja indicador ou revelador do que será o desempenho desportivo de cada uma das equipas. De resto, em 41 edições da Supertaça, só por 13 vezes (31%) o vencedor da Supertaça se sagrou campeão nacional no final da época. Também comprovativo de que se trata de uma prova diferente, em que o vencedor é muito mais imprevisível do que no que se refere ao campeonato, é o facto de, em 41 edições – desde 1979 –, já cinco clubes terem vencido o troféu (FC Porto, 21 títulos, Sporting CP, 8, SL Benfica, 7, Boavista FC, 3 e Vitória SC, 1), precisamente o mesmo número de campeões nacionais (cinco), em 85 campeonatos. Contudo, a Supertaça é ainda mais salomónica, uma vez que os dois não tidos como grandes venceram quatro títulos, enquanto na Liga Portuguesa, os dois não tidos como grandes – Boavista FC e CF “Os Belenenses” – venceram um cada.

Posto isto, as implicações futuras são poucas e/ou irrelevantes. A Supertaça, o que valer, vale pelo que significa por si própria e pelas consequências diretas que se fazem sentir no presente (entenda-se, o momento de época em que é jogada). E aí é preciso valorizá-la. Apesar de poder ser vista como um importuno, que obriga a preparação da época a começar mais cedo, que impede que as equipas se foquem desde o início no campeonato, tendo que disputar um jogo único sem ramificações, a verdade é que a disputa da Supertaça carrega muitos pontos positivos.

O Estádio do Algarve recebe SL Benfica e Sporting CP na 41ª edição da Supertaça
Fonte: SL Benfica

Por ser vista pela maioria dos adeptos (pelo menos os dos “três grandes”) como um título menor, por vezes menosprezado, a pressão e a exigência não são as que os jogadores encontram noutras provas. Ainda assim, é um excelente primeiro teste para os novos jogadores, que, logo no primeiro jogo que realizam, sentem o “peso da camisola” e, como é o caso este ano, defrontam um rival. Também para os elementos que transitam da época anterior e para o coletivo é uma prova mais exigente do que abrir oficialmente a temporada com um jogo da Liga Portuguesa, em que a urgência e a necessidade de ganhar são – ilusoriamente – menores, por se tratar de uma maratona e não de uma corrida de sprint.

Além disso, é de vital importância para o treinador tomar decisões importantes no respeitante ao plantel e ao onze que poderá revelar-se o “onze tipo” (expressão que, acredito, não agrada a Bruno Lage, pelo que têm sido as suas declarações à imprensa). É a única oportunidade que as equipas técnicas têm para avaliar os seus jogadores em contexto de competição antes do começo das provas de maior relevo.

Não menos importante é construir desde cedo uma mentalidade ganhadora e trabalhar numa cultura de vitórias. A confiança que a conquista de um troféu confere à equipa e à massa adepta pode revelar-se determinante nas semanas seguintes. Do ponto de vista financeiro, é igualmente relevante vencer uma competição, aumentando a confiança que os patrocinadores e investidores têm na marca. Por outro lado, a não conquista do primeiro troféu da temporada (ou o último da anterior) pode ter o efeito precisamente contrário, tendo efeitos nocivos que se revelam nos jogos posteriores.

Somando tudo, é difícil concluir a verdadeira importância e o verdadeiro significado da Supertaça. No fundo, é “apenas” um troféu. Não vale nem mais nem menos do que isso. Não significa nem mais nem menos do que isso. Não presume, não prevê, não indica, não revela. Simplesmente é. É um jogo, é um título oficial, é um momento, um breve momento que morre e não deixa filhos. É o que é e, no final, foi o que foi. Mas é importante não esquecer, filosofias e redundâncias à parte: um título é um título. E todos querem ganhar.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Jorge Neves

Márcio Francisco Paiva

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