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Benfica 1-0 Rio Ave: À maneira de Talisca

Francisco Vaz de Miranda · 3 min

Benfica 1-0 Rio Ave: À maneira de Talisca

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Benfica à Benfica
Quase um mês depois do último jogo na Luz, o Benfica regressou a casa para um jogo que foi tudo menos fácil. Valeu Talisca, uma vez mais. Mas antes de o pontapé do brasileiro aparecer, muita anarquia, indecisão e vazio de ideias pintou o jogo do Benfica frente a um Rio Ave atrevido. Jorge Jesus mexeu por obrigação – Eliseu lesionou-se e André Almeida assumiu a posição – e por opção: lançou Jonas na estreia a titular no campeonato, mostrou que Júlio César (finalmente!) será o titular caso se apresente em boas condições físicas e Talisca iniciou o jogo na posição de Gaitán, poupado por estar tocado e de quem o Benfica muito sentiu a falta no primeiro tempo.

Um bocejo podia resumir a primeira parte. Quando se pedia um Benfica a entrar forte no jogo como fizera em Braga – de nada valeu, é certo… – para resolver cedo o problema e poder pensar no Mónaco, apenas se viu uma equipa “manca” – André Almeida não dá qualquer profundidade ofensiva e Talisca não é extremo – que, aqui e ali, ia tendo alguns tímidos apontamentos no ataque. Muito por culpa de Jonas, que realizou mais uma boa exibição e mostrou que, quando mais entrosado, será um caso sério. Também Enzo Pérez, que finalmente voltou a demonstrar pedacinhos da qualidade que lhe é reconhecida, conseguia imprimir alguma dinâmica na fase de construção e disfarçar a desinspiração de Salvio, que tenta, tenta e não consegue, e Talisca, que não é Gaitán. Mas não chegava e algo tinha de mudar.

Num Benfica desinspirado vai valendo Talisca Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Num Benfica desinspirado vai valendo Talisca
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Com mais uma exibição apagada e longe daquilo que pode e vai produzir, Samaris ficou no balneário ao intervalo e Enzo Pérez passou para 6, com Talisca à frente e Gaitán no lugar do costume. Apesar de se perder muito de Enzo (mais ninguém tem a sua capacidade de “comer” linhas adversárias) jogando nessa posição, a verdade é que se viu um Benfica mais organizado e equilibrado. O que não era difícil, dada a desorganização que o primeiro tempo mostrou. O desejado golo que desatasse o jogo chegou por obra de Talisca: mais um remate fantástico de fora da área do ex-Bahia a resolver o problema. Estávamos na hora de jogo mas o jogo longe de estar resolvido. Mérito para o Rio Ave, que espreitou sempre a baliza de Júlio César e mostrou que é uma das boas equipas deste campeonato e chegou mesmo a ter um golo anulado, numa decisão do auxiliar que deixa algumas dúvidas. Demérito para o Benfica, que não conseguiu resolver, de vez, a partida. Porque Gaitán não foi Gaitán, porque Salvio e Lima estão numa forma péssima e porque Jonas perdeu o “gás”. A entrada de Pizzi para o lado de Enzo Pérez fez com que Talisca ocupasse a terceira posição nos 90 minutos e foi importante para segurar o meio-campo.

Num resultado muito mais importante do que a exibição e que vale a liderança isolada, é urgente que Jorge Jesus reflicta sobre a qualidade de jogo que a equipa tem apresentado. Não é normal acumularem-se tantas más decisões no momento ofensivo nas equipas de Jorge Jesus. Mas talvez não surpreenda assim tanto: Cardozo, Markovic, Rodrigo… Valeu o melhor marcador do campeonato, mas isso não vai acontecer sempre.

A Figura
Enzo Pérez
– Este é o Enzo de que o Benfica precisa, ainda para mais este Benfica. O argentino é o cérebro, motor e coração da equipa e tem estado aquém do que mostrou na época passada. Esperemos que esta forma seja para manter.

O Fora-de-Jogo
Lima –
Já é recorrente mas não há como fugir. Nos últimos 19 jogos oficiais, Lima marcou dois golos. Dois. À falta de golos juntam-se as constantes más decisões e a falta de confiança. Está num momento de forma horrível e tem de ir para o banco.

 

Francisco Vaz de Miranda

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