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André Eusébio · 2 min

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Nunca é fácil escrever depois de uma vitória quando o nosso clube está em crise. Podemos inconscientemente achar que há volta a dar, que o importante contra o Olympiacos foi mesmo não perder, que a coisa tem como melhorar sem o Salvio e que o Ola John vai dar jogador. Podemos voltar a acreditar neste treinador derrotado, com aura de derrotado e discurso de… derrotado. Podemos fazer contas de cabeça, imaginar que temos de receber o Porto (quantas vezes lhes ganhámos nos últimos cinco anos, mesmo?) e eternamente dizer que é na próxima jornada que o rival perde pontos. Tudo certo, não fosse o futebol um desporto que se alimenta da paixão e da fé que nos move. Mas há coisas e sinais que, de tão evidentes que são, esmagam qualquer possível esperança do mais louco adepto. E este Benfica não engana ninguém para além de a si próprio e o quase-êxito do passado vai servindo de desculpa para encobrir este deprimente futebol. Havemos de chegar ao nível da época passada, assim como devemos estar quase a ter a hegemonia do futebol nacional. Está tudo quase, até a quarta época consecutiva sem qualquer título. Ah, as Taças da Liga, bandeira do “mandato desportivo”.

Jorge Jesus vai indo, vai aguentando e adiando o inadiável, envolto num discurso digno do seu Estrela da Amadora. Quando o treinador vê empates importantes – quanta demagogia e areia para os olhos – em jogos não decisivos (na Grécia, lá virá o mesmo discurso) contra o adversário directo na Liga dos Campeões, percebemos, conscientes adeptos, que o clube está no fundo. Não deixa de ser irónico constatar que é Cardozo quem tem constantemente salvo o lugar de Jorge Jesus (Estoril, Olympiacos e Nacional) e por aqui facilmente percebemos quem é que deveria ter abandonado o clube. Os sinais eram óbvios e ainda assim Luís Filipe Vieira decidiu arriscar. Mal, mais uma vez. Jorge Jesus é, hoje por hoje, a imagem do próprio clube: sem rumo, sem vida, um zero é goleada. Desde que não seja na Liga dos Campeões: aí estamos permitidos a achar que até um empate é goleada.

André Eusébio

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