O triunfo do FC Porto no clássico frente ao Benfica deixou os dragões ainda mais isolados na liderança do campeonato. São já cinco pontos de vantagem em relação aos encarnados e seis em relação ao Sporting. Estamos apenas na sétima jornada e a diferença começa a ser algo significativa. Não vou dizer que é alarmante, longe disso, mas o que estamos a assistir parece ser uma cópia do último campeonato.
O FC Porto a vencer todos os seus jogos, muitos deles sem nota artística, e os seus dois rivais a desperdiçar pontos cedo demais. Os azuis e brancos são uma equipa que sofrem poucos golos, e essa foi a chave do sucesso na conquista do título da temporada passada.
Mas mais que a solidez defensiva, foi a forma pragmática como conseguiu muitos dos seus resultados. Mesmo sem deslumbrar, o FC Porto lá foi ganhando os seus encontros, muitos apenas por um golo de diferença. E isso deu os seus frutos. Por vezes chegou mesmo a roçar o cinismo típico do futebol italiano.
Não é preciso encantar no campo, é preciso é ganhar no campo. E o treinador dos dragões, Francesco Farioli, italiano de gema, tem feito isso de forma exímia. Uns gostam do estilo, outros não tanto. Mas o futebol é isto mesmo. E o que fica para a história são as vitórias. Giovanni Trapattoni, também ele italiano, fez o mesmo no Benfica em 2005. Levou os encarnados à vitória no campeonato que já fugia há 11 anos com um futebol onde os resultados contavam mais que as exibições.


O grande desafio de Benfica e Sporting para esta época é tentar perceber como podem travar o FC Porto e a sua mentalidade resultadista. Copiar essa estratégia seria o caminho mais fácil. Mas nem Marco Silva nem Rui Borges devem estar para aí virados. Mas se tiver de ser, isso irá notar-se.
O campeonato ainda é longo e haverá alturas em que jogar bonito é o que menos vai importar. Até porque já se percebeu que os dragões vão perder (outra vez) poucos pontos e vão continuar a jogar à “italiana”. O que terão de fazer, e porque não podem interferir naquilo que o FC Porto faz em campo, é rezar por um tropeção do conjunto comandado por Farioli. Mas isso só valerá a pena se vencerem também os seus compromissos e evitarem ceder pontos, principalmente em casa. E nesse capítulo os dois emblemas de Lisboa já lá deixaram dois pontos cada.
Depois há os embates entre eles. O Benfica já claudicou no Dragão. O Sporting vai à cidade invicta no final de novembro. Recorde-se que nem águias nem leões conseguiram bater o pé à formação azul e branca na última temporada. E isso também fez diferença nas contas finais. Numa liga como a nossa, onde existe uma diferença enorme entre os três grandes e o resto das equipas, é cada vez mais imperioso que FC Porto, Benfica e Sporting percam o mínimo de pontos possíveis para alcançarem o objetivo número um em Portugal. Quem se atrasar muito de início dificilmente vai recuperar no fim.


Farioli conseguiu implementar no FC Porto uma estratégia onde o resultado conta mais que a exibição. Por isso ganha mais que os seus rivais. E por isso foi campeão.

