Benfiquistas no Mundial | Cinco certos, um em espera

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Benfica

Fernando Santos revelou, enfim, os 26 que o acompanham para o Mundial do Catar.

A maior das surpresas será naturalmente a ausência de Renato Sanches do lote; Moutinho vê o fim de ciclo internacional finalmente impôr-se na sua carreira, e pela primeira vez desde que a Selecção é participante em grandes certames ninguém do Sporting chamou suficientemente à atenção para pertencer à lista.

Do lado encarnado, vão três na comitiva: João Mário (52 internacionalizações) era um nome previsível, António Silva e Gonçalo Ramos, estreantes absolutos, justificaram este presente com muitas e boas exibições. Ganharão experiência internacional e participarão no maior evento desportivo do planeta, treinarão com e jogarão contra os melhores em actividade.

É uma grande notícia para eles e para o clube, que vê os seus activos em franca valorização desportiva e financeira. Quantas mais águias irão voar até ao Médio Oriente?

A maioria das previsões apontam para cinco, que são os benfiquistas já confirmados no Mundial do Catar, divididos apenas por duas selecções – que são de topo e claramente candidatas primárias à vitória final. Impera o ditado – vale mais qualidade que quantidade.

Aos três portugueses, juntam-se Enzo Fernández (duas internacionalizações) e Otamendi (92), que farão parte das escolhas de Scaloni (e Aimar) nos 26 argentinos. O central é um dos capitães e nuclear no balneário celeste; o médio vem vendo o seu nome projectado como uma das grandes revelações na Europa em 2022, orquestrando o fabuloso Benfica de Roger Schmidt em sequência interminável de 24 jogos sem perder em todas as competições

Outros elementos da entusiasmante equipa ainda fizeram certos seleccionadores perder tempo em comparações difíceis. Como mais flagrante caso o de Luis Enrique, que convocou para o Mundial José Gayá ou Jordi Alba deixando para trás Alejandro Baldé, por estes dias um indiscutível para Xavi Hernández no Barça, e outro Alejandro, o Grimaldo, que vem provando no Benfica ser um dos laterais europeus em melhor forma, convicção assente na merecida inclusão no onze da fase de grupos da Champions. Chamar mais à atenção não seria possível.

Na Croácia, Petar Musa viu-lhe negada a possibilidade de viagem intercontinental rumo ao Mundial apesar das boas intervenções vestido de encarnado e da necessidade de renovação nos vice-campeões Mundiais. Zlatko Dalic tem consciência da situação física precária que caminha grande parte da geração de ouro – Modric, Perisic, Brozovic, Vida e Lovren – e tentou reformular como pode, integrando no elenco bons valores prontos a explodir em contexto de elite como Gvardiol, Sutalo, Sucic ou Majer.

Na frente de ataque, a média de idades aproxima-se dos 30 anos e Musa seria, dos da nova fornada, certamente um dos favoritos a saltar dentro caso fosse esse o plano. Aliás, talvez só não tenha acontecido pela desperdiçada oportunidade em Março último, quando voava ainda ao serviço dos axadrezados: Dalic chamou-o, queria vê-lo in loco, mas Petar acusou Covid19 e acabou por ficar por terra.  «Estaria connosco pela primeira vez, queria vê-lo a trabalhar na equipa, mas a vida é mesmo assim» desabafou Dalic na altura, deixando subentendido existir, entre a equipa técnica, um plano a longo prazo para o atleta. Musa, com 24 anos, terá outras oportunidades – a continuar assim.

David Neres sofreu com a exigente concorrência na Canarinha e os últimos três meses não foram suficientes para convencer Tite a chamá-lo em detrimento de Raphinha, Antony ou Martinelli, artistas que têm a vantagem de competir nas duas melhores ligas do planeta, exactamente a mesma justificação para Fernando Santos não ter privilegiado Florentino Luís – que esteve nos 55 pré-convocados – sobre William, Rúben Neves ou Palhinha, apesar do benfiquista ter baralhado todas as estatísticas europeias até Novembro. Como Neres, perdeu o comboio pelo que (não) fez nos anos anteriores, quando foi irresponsavelmente emprestado a Mónaco ou Getafe, sem o acompanhamento mais correcto e qualquer tipo de planeamento quanto ao seu possível desenvolvimento.

Alexander Bah

Desde que chegou ao Benfica que é convocado para a Selecção. É uma verdade absoluta. Ainda que signifique apenas uma convocatória – para a Liga das Nações, em Setembro – foram também os últimos jogos da Dinamarca antes da convocatória parcial que já saiu, de 21 jogadores que já estarão presentes no Mundial. Kasper Hajlmund estará ainda indeciso quanto aos cinco finais e Bah poderá ser um deles, pelo que tem feito na lateral direita encarnada e pelas características distintas dos laterais já convocados: Kristensen, do Leeds United, que tem sido o eleito para compôr a linha de quatro no 4-3-3 (utilizado na última vitória frente à França, por 2-0) ou Stryger Larsen, lateral direito no papel – e no Trabzonspor – mas que na Dinamarca actua, quando é chamado, mais vezes do lado esquerdo em substituição de Maehle.

Pode até compor uma linha de três num sistema de cinco defesas – e da última vez que Haljmund jogou assim, Wass foi o escolhido para encarrilar pela direita – mas a convocação do antigo jogador do Benfica e Valência baseia-se sobretudo na sua polivalência: o jogador de 33 anos tem, nos últimos anos, fixado arraiais mais na intermediária, como ‘6’ e ‘8’, e será nessas posições que irá contar.

Bah está à espera, como estão Vestergaard e Yussuf Poulsen, históricos nórdicos que não alinharam nos primeiros 21. Pelo extenso manancial ofensivo que o seu talento oferece, Bah seria a pedra perfeita para emular o 3-4-2-1 de Hajlmund com que a Dinamarca fez furor no Euro 2020 – Maehle e Bah a furar pelas alas, Hojbjerg, Eriksen ou Jensen a suportar Damsgaard, Braithwaite, Skov Olsen, Lindstrom, Dolberg ou… Holjund, outro entusiasmante prodígio na calha para completar os 26. Nada mau.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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