Carta aberta a: Nico Gaitán

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Nico,

Obrigado.

Chegaste em 2010 com a responsabilidade de substituir Di Maria, e não foi preciso muito para encantares a Luz. Bastou ver as primeiras fintas, os primeiros cruzamentos e os primeiros golos. Estava ali algo mágico. Era magia em estado puro, uma magia que verão após verão fazia manchete nos jornais. Diziam que ias para Inglaterra, França, China, Arábia, Espanha… Mas tu não eras mercadoria. Foste recebido com muito amor nesta casa, mesmo tendo vindo contrariado; tu próprio o disseste. Talvez tenha sido por isso que passaste a sentir o manto sagrado de outra forma. Como o tecto de uma casa. E, sim, todos estes anos estiveste em casa.

Foi por isso que me emocionou a primeira vez em que te vi a utilizar a braçadeira de capitão. Lembro-me como se fosse hoje; assentava-te mesmo bem. Dava ainda mais magia às tuas fintas. Era um pequeno pormenor, mas ficava-te bem. Mesmo bem. Fazia sentido seres o sucessor do Luisão. Fazia sentido… Fazia sentido ver-te a ser o ídolo dos pequenos benfiquistas. Fazia sentido tu seres o nosso mago. O nosso 10.

Foi difícil ver-te a chorar no final da final da Taça da Liga. Ao princípio fiquei confuso e no fim fiquei arrebatado. Ias mesmo embora. Senti-me agradecido e orgulhoso por tudo aquilo que tu te tornaste, mas ao mesmo tempo não deixou de custar. Vai ficar um espaço em branco na ala esquerda…

As lágrimas de Gaitán no seu último jogo pelo Benfica
As lágrimas de Gaitán no seu último jogo pelo Benfica
Frame: Sport TV

Apesar de saber que te ias embora, pelas tuas palavras, tentei ignorar esse facto. O tempo passava e não havia confirmação. Pensei que podia, talvez, cair tudo por terra. Que para o ano tivéssemos o Grande Nico a comandar as tropas. Pensei. Hoje, os meus pés voltaram à terra ao ler o comunicado da SAD do Benfica. Doeu. Doeu para caraças. Revi as tuas lágrimas e soltei as minhas. Para o ano não vais lá estar…

Não serve de nada chorar, não é? Afinal de contas, bom filho à casa torna. Sei que voltarás para a Luz, para uma época de magia. És um filho da Luz e o que te tornaste é um orgulho para qualquer adepto benfiquista. És um verdadeiro mago. Resta desejar-te boa sorte. Resta saber que levas o Benfica no coração e que nunca te esquecerás destes que, aqui em Portugal, continuam a olhar para ti como um filho que cresceu e saiu de casa. Serás enorme, vás para onde fores. Está-te nos pés, na cabeça e no coração.

Muito obrigado, Gaitán. Que não seja um adeus, mas um até já.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Tomás Gomes
Tomás Gomes
O Tomás é sócio do Benfica desde os dois meses. Amante do desporto rei, o seu passatempo favorito é passar os domingos a beber imperial e a comer tremoços com o rabo enterrado no sofá enquanto vê Premier League.                                                                                                                                                 O Tomás escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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