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Chapecoense, Rui e Eusébio: Perdoem-lhes porque eles não sabem o que fazem

Pedro Afonso Estorninho · 4 min

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Foi num jogo que opôs dragões e águias no Dragão Caixa que tudo começou. A claque azul e branca cantou “Quem me dera que o avião do Chapecoense fosse do Benfica”. Após este episódio, veio-se a saber que este cântico já teria sido entoado no clássico no Estádio da Luz, numa partida para o campeonato. Desta forma, tudo começou e até hoje continuou a enegrecer a imagem dos grandes clubes em Portugal.

Passados alguns dias, a claque benfiquista, como que em resposta, numa partida frente ao Sporting no Pavilhão da Luz, para o campeonato nacional também da modalidade de andebol decidiu entoar “Foi no Jamor que o lagarto ardeu, na final da Taça o very-light é que o f*deu”, além dos assobios a relembrar o som que se ouviu antes do very-light da claque do Benfica matar o adepto Sportinguista, Rui Nunes, na final da Taça de Portugal, no Jamor, em 1996. Estava assim iniciado o arrastamento dos leões para a polémica dos cânticos.

Não tardou a resposta do clube leonino, tendo a claque verde e branca cantado sobre a grande lenda do clube encarnado, e do futebol nacional, Eusébio. “Onde está o Eusébio” foi o que se ouviu no Pavilhão da Luz, num jogo de futsal entre as duas equipas de Lisboa. Completaram, assim, eles mesmo a inclusão na polémica das claques que enojam os adeptos por todo o mundo do desporto.

Em menos de duas semanas, as claques dos três grandes em Portugal, provaram ainda serem demasiado pequenas para o clube que pretendem representar. De modo algum, as instituições que apoiam, aprovariam cânticos e ataques repugnantes como os que se têm passado nos últimos dias pelas modalidades que colocam frente a frente os três clubes ditos grandes. São atos vergonhosos e hediondos estes que vêm do lado de seres humanos que vestem as camisolas do respetivo clube e se deslocam aos estádios e pavilhões com o intuito de apoiar o clube do coração. Amam o clube, mas o clube não vos ama, muito menos as vossas atitudes. A pequenez de todas as claques é evidente, pois nenhuma teve a decência de manter uma postura correta, não respondendo na mesma moeda a cânticos como os que são entoados pelos campos portugueses. No momento onde a cautela seria a atitude chave para ficar por cima, todas decidiram colocar-se ao nível abaixo de zero de consideração.

O início deu-se com a claque portista, mas, na verdade, tanto podia ter sido iniciada pela claque benfiquista ou sportinguista. Os dragões fizeram a fogueira, os restantes colocaram palha seca, aumentando o fogo. O desporto tem a particularidade de mover multidões com o mesmo propósito, servir de união entre netos e avôs, marido e mulher, pais e filhos, tios e sobrinhos. É repugnante o facto de um pai ter de recear que o filho poderá presenciar atitudes grotescas do clube do coração ao vivo e a cores, tal como as mesmas por parte do rival que ataca o emblema que o rapaz trás no lado esquerdo do peito.

Enfatizo a minha desolação por ver colegas benfiquistas a proferir cânticos ofensivos. Eu quero que o meu clube ganhe ao rival, claro, mas não os odeio, não detesto os outros que não defendem as minhas cores. Detesto sim atitudes que vão contra as leis de humanos civilizados, logo repudio, assim como os clubes que dizem defender o fizeram, os cânticos que decidiram cantar atacando o adversário, ao invés de apoiar o nosso.

Foi no Clássico que se ouviu pela primeira vez o cântico dos Super Dragões que iniciou a polémica
Foi no Clássico que se ouviu pela primeira vez o cântico dos Super Dragões que iniciou a polémica

Os verdes e os azuis que façam como desejarem, repudiarei com toda a vontade, pois vejo o meu clube ainda mais acima do que já está, vejo o Benfica num patamar inalcançável por aqueles que se dizem cidadãos de um país desenvolvido. Contudo, repudio também os das minhas cores que fizeram o mesmo que os de outras. Entristece-me ter de o fazer, entristece a todos os órgãos que defendem verdadeiramente o Benfica e entristece todos os outros adeptos, que continuo a dizer que são a maioria, que não se identificam em tais atos desonrosos.

Aproxima-se um escaldante derby entre Sporting e Benfica para a Liga NOS, um jogo importante para as contas do título de campeão, e tenho medo que tenha ainda mais vergonha de ter colegas defensores do vermelho e branco que poderão vir a desonrar ainda mais a camisola.

Neste sábado que ganhe o melhor dentro de campo, e que esse seja o Benfica. Fora de campo que ganhemos todos ao deixar de lado a mesquinhice retardada de cantar pela morte de outros. E se, por alguma razão que me ultrapassa, o decidirem fazer, façam um favor e não tragam a indumentária encarnada vestida: sujam o manto sagrado.

Saudações Benfiquistas!

Foto de capa: SL Benfica

Pedro Afonso Estorninho

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