Chapecoense, Rui e Eusébio: Perdoem-lhes porque eles não sabem o que fazem

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Foi num jogo que opôs dragões e águias no Dragão Caixa que tudo começou. A claque azul e branca cantou “Quem me dera que o avião do Chapecoense fosse do Benfica”. Após este episódio, veio-se a saber que este cântico já teria sido entoado no clássico no Estádio da Luz, numa partida para o campeonato. Desta forma, tudo começou e até hoje continuou a enegrecer a imagem dos grandes clubes em Portugal.

Passados alguns dias, a claque benfiquista, como que em resposta, numa partida frente ao Sporting no Pavilhão da Luz, para o campeonato nacional também da modalidade de andebol decidiu entoar “Foi no Jamor que o lagarto ardeu, na final da Taça o very-light é que o f*deu”, além dos assobios a relembrar o som que se ouviu antes do very-light da claque do Benfica matar o adepto Sportinguista, Rui Nunes, na final da Taça de Portugal, no Jamor, em 1996. Estava assim iniciado o arrastamento dos leões para a polémica dos cânticos.

Não tardou a resposta do clube leonino, tendo a claque verde e branca cantado sobre a grande lenda do clube encarnado, e do futebol nacional, Eusébio. “Onde está o Eusébio” foi o que se ouviu no Pavilhão da Luz, num jogo de futsal entre as duas equipas de Lisboa. Completaram, assim, eles mesmo a inclusão na polémica das claques que enojam os adeptos por todo o mundo do desporto.

Em menos de duas semanas, as claques dos três grandes em Portugal, provaram ainda serem demasiado pequenas para o clube que pretendem representar. De modo algum, as instituições que apoiam, aprovariam cânticos e ataques repugnantes como os que se têm passado nos últimos dias pelas modalidades que colocam frente a frente os três clubes ditos grandes. São atos vergonhosos e hediondos estes que vêm do lado de seres humanos que vestem as camisolas do respetivo clube e se deslocam aos estádios e pavilhões com o intuito de apoiar o clube do coração. Amam o clube, mas o clube não vos ama, muito menos as vossas atitudes. A pequenez de todas as claques é evidente, pois nenhuma teve a decência de manter uma postura correta, não respondendo na mesma moeda a cânticos como os que são entoados pelos campos portugueses. No momento onde a cautela seria a atitude chave para ficar por cima, todas decidiram colocar-se ao nível abaixo de zero de consideração.

O início deu-se com a claque portista, mas, na verdade, tanto podia ter sido iniciada pela claque benfiquista ou sportinguista. Os dragões fizeram a fogueira, os restantes colocaram palha seca, aumentando o fogo. O desporto tem a particularidade de mover multidões com o mesmo propósito, servir de união entre netos e avôs, marido e mulher, pais e filhos, tios e sobrinhos. É repugnante o facto de um pai ter de recear que o filho poderá presenciar atitudes grotescas do clube do coração ao vivo e a cores, tal como as mesmas por parte do rival que ataca o emblema que o rapaz trás no lado esquerdo do peito.

Pedro Afonso Estorninho
Pedro Afonso Estorninhohttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o Benfica faz parte da vida do Pedro Estorninho. Avô e pai benfiquistas deixaram-lhe no sangue a chama das águias. A viver nos Açores nunca teve muitas oportunidades de ver o clube ao vivo, mas os estudos trouxeram-no à capital, onde pode assistir de perto aos jogos do tricampeão. A paixão pela escrita sempre foi algo dentro dele que nunca conseguiu mostrar e surge agora a oportunidade de juntar o melhor dos dois mundos.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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