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Recuperação de Chiquinho: uma necessidade criativa

Daniel Oliveira · 3 min

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Pode parecer demasiado impensável mas Francisco Machado, mais conhecido como Chiquinho, pode mesmo ser a solução para os maiores problemas que a equipa de Bruno Lage tem sentido. A urgência da sua recuperação e integração fica bem perceptível no seu impacto imediato no futebol da equipa.

Nos últimos meses já muito falei e escrevi sobre o momento que vive o futebol jogado do Sport Lisboa e Benfica. Há uma clara carência de um jogador mais criativo e imaginativo nas costas do avançado. Há uma clara carência de um jogador capaz de dar linhas de passe no centro do terreno. Há uma clara carência de mais um jogador que coloque a bola a rolar no relvado. E olhando para o plantel do SL Benfica e para aquilo que os jogadores têm demonstrado, o único com caraterísticas e qualidade para resolver essa carência é o recém-resgatado, e até agora suplente, Chiquinho.

Após uma rápida recuperação de uma lesão que se anunciava mais prolongada, foi convocado para o jogo em Tondela e, perante um futebol colectivo sem qualquer inspiração, foi lançado no decorrer da segunda parte. Nele estiveram os lances de maior interesse da equipa, fosse no momento da construção fosse no momento da finalização.
Três dias depois foi lançado como titular na recepção ao Portimonense. Mais uma vez, numa total desinspiração colectiva da equipa, foi dos pés de Chiquinho – e também de Grimaldo – que nasceram os melhores e mais decisivos lances da equipa.

O regresso de Chiquinho às convocatórias e a sua integração como titular da equipa é crucial neste momento do Sport Lisboa e Benfica. Contudo, apesar da urgência, esta não deve ser feita à pressa. O jogador veio agora de uma lesão, o relvado da Luz está uma vergonha e a chuva vai afectando os relvados por todo o país.

O que temos visto no futebol da equipa de Bruno Lage é uma ausência de jogo entre os avançados e o meio-campo. O não aproveitamento desse espaço resulta tanto em bolas longas dos defesas a procurar a profundidade dos alas e avançados como na muita lateralização do jogo à procura de cruzamentos: bolas pelo ar, as bolas mais fáceis de defender.

Com Chiquinho, o futebol do Benfica surge de forma mais natural
Fonte: SL Benfica

Se olharmos para a época passada encontraremos um Jonas e, principalmente, um João Félix a fomentarem um jogo mais pelo centro. A sua presença em campo triplicava as linhas de passe, aproximava todos os jogadores de ataque, permitia manter a bola junto ao relvado com muito mais qualidade, fomentava a progressão em tabelinhas e permitia encontrar espaços não evidentes. Criatividade, imaginação, técnica, apoios, passes, posse de bola, assistências e golos. Um só jogador pode dar tudo isto a uma equipa.

Chiquinho não é Jonas. Chiquinho não é Félix. Chiquinho é Chiquinho e é enquanto Chiquinho que poderá catapultar o futebol encarnado. Ocupa aquele espaço e ocupa-o com qualidade. Sabe jogar de gostas para a baliza e é rápido a dominar a bola e a virar-se. Tem criatividade para desiquilibrar as defesas com uma desmarcação, uma finta, um passe ou até uma simples arrancada. É um jogador inteligente e sabe tratar a bola. Saberá criar as linhas de passe, decidir o momento de soltar a bola e o que fazer assim que a solta. Tem aproximação à área e tem golo. Com Chiquinho, tanto Florentino como Gabriel terão menos dificuldades com a bola no pé. Com Chiquinho, Rúben Dias não terá de recorrer tanto ao balão. Com Chiquinho, Grimaldo tem um apoio para as suas ingressões no ataque. Com Chiquinho, as arrancadas de Rafa não terão de ser movimentos individuais. Com Chiquinho, Pizzi poderá voltar a explanar todo o seu futebol. Com Chiquinho, seja qual for o avançado, estará muito melhor servido e muito menos marcado.

Em dois anos veio da Académica ao Moreirense e a indispensável no Sport Lisboa e Benfica. Parece impensável, mas é mesmo isso que se pode esperar dele: o que os outros não conseguem pensar.

Foto de capa: SL Benfica

Daniel Oliveira

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