- Advertisement -

sl benfica cabeçalho 1

Na ressaca do dérbi, eis uma análise minimamente profunda, para variar. Não capaz de explicar e de curar todos os males do futebol benfiquista, mas reflexiva. É claro que é sempre mais fácil, em cima do sucesso e das vitórias, enaltecer as coisas boas. Contudo, as derrotas e os insucessos, amiúde, acabam por contar outras histórias. E o problema da incapacidade do Benfica em controlar os jogos – particularmente os mais exigentes – não é de agora. Nem está presente ao sabor do resultado.

Se recuarmos ao tempo do Benfica de Jorge Jesus, já se dizia que era uma equipa de vertigem. O termo “vertigem” passou a ser utilizado para explicar uma filosofia de jogo assente num futebol ofensivamente pujante, mas defensivamente desequilibrado. Com o passar das temporadas, Jorge Jesus preocupou-se em dar um carácter mais pragmático às suas equipas. Ainda assim, a equipa parecia que só vivia em dois mundos: um primeiro, em que a equipa mostrava grande profundidade ofensiva, com todos os riscos que advinham daí para a segurança defensiva; e um segundo, em que a equipa renunciava (demasiado) à sua identidade – veja-se jogos de Champions.

Agora com Rui Vitória, o Benfica manteve a sua identidade de equipa. Não estamos a discutir a qualidade exibicional da equipa – como já se percebeu, o termo “jogar bem” é subjectivo -, porém, a verdade é que o Benfica é claramente uma equipa de tracção à frente. O problema vem depois…

Fejsa tenta segurar as rédeas do meio-campo Fonte: SL Benfica
Fejsa tenta segurar as rédeas do meio-campo
Fonte: SL Benfica

É claro que deve ser apanágio de qualquer equipa grande jogar um futebol ofensivo, afinal estamos na Liga Portuguesa, competição em que uma equipa grande passa o maior número de tempo a atacar. Esse é um mundo (futebolístico) à parte. Para o Benfica, interessa analisar e aprofundar os comportamentos colectivos face aos adversários de maior exigência. E aí, a equipa de Rui Vitória falha naquilo que pode ser essencial: o controlo. Se pensarmos em dois jogos concretos (Besiktas e Sporting), apesar de terem resultados diferentes, são paradigmáticos sobre a incapacidade encarnada em controlar as partidas. Nesses dois encontros, e com vantagens confortáveis, o Benfica sofreu. Nesses dois encontros, Rui Vitória optou por fortalecer o meio-campo, e, mesmo assim, o Benfica não conseguiu “descansar com bola”, expressão de José Mourinho, que não implica uma renúncia ao jogo, mas sim um controlo de bola, impedindo que o adversário possa recuar.

Este conflito táctico da equipa pode ter várias interpretações. Ou Rui Vitória ainda não estabeleceu uma alternativa ao modelo normal, ou então, como a patologia não é de agora – lembra-se da referencia aos tempos de Jesus, caro leitor? -, fica a ideia que a filosofia de vertigem ofensiva já é algo enraizado na mente dos jogadores. Porém, enquanto o descontrolo for controlável, está o Benfica bem…

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Jorge Fernandes
Jorge Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
O futebol acompanhou-o desde sempre. Do amor ao Benfica, às conquistas europeias do Porto, passando pelas desilusões dos galácticos do real Madrid. A década continuou e o bichinho do jornalismo surgiu. Daí até chegarmos ao jornalismo desportivo foi um instante Benfiquista de alma e coração, pretende fazer o que mais gosta: escrever e falar sobre futebol. Com a certeza de que futebol é um desporto e ao mesmo tempo a metáfora perfeita da vida.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Kjetil Knutsen responde ao Bola na Rede: «Tivemos dificuldades desde o primeiro minuto»

Kjetil Knutsen esteve presente na sala de imprensa do Estádio José de Alvalade, depois do Sporting 5-0 Bodo/Glimt.

Boas memórias: da última vez que Sporting e Arsenal se enfrentaram em fase a eliminar foram os leões que seguiram em frente

O Sporting eliminou o Arsenal nos oitavos de final da Europa League em 2022/23. Os gunners são os próximos adversários dos leões na Champions League.

José Mourinho foi o último a bater o Bodo/Glimt por 4 golos ou mais com a AS Roma

Antes da goleada histórica do Sporting, o Bodo/Glimt só foi derrotado por quatro golos ou mais pela AS Roma de José Mourinho, em abril de 2022.

Sporting bate marca relacionada com golos na Champions League

O Sporting recebeu e venceu o Bodo/Glimt por cinco bolas a zero e conseguiu apurar-se para os quartos de final da Champions League.

PUB

Mais Artigos Populares

Mikel Arteta de olho no Sporting após garantir passagem aos quartos da Champions League: «Vi a primeira parte… São uma equipa de topo»

O Arsenal enfrentará o Sporting nos quartos-de-final da Champions League. Após eliminar o Bayer Leverkusen, Mikel Arteta analisou o próximo adversário.

Robbie Keane cauteloso antes da visita à Pedreira: «Não se pode celebrar demasiado cedo»

Em antevisão à segunda mão dos oitavos-de-final da Europa League entre Braga e Ferencváros, Robbie Keane destacou que «ninguém celebrou no final do último jogo».

Gala Cosme Damião: Eis todos os premiados do 122.º aniversário do Benfica

Na passada quarta-feira, o Benfica atribuiu os prémios relativos ao 122.º aniversário do clube. Fredrik Aursnes e Andreas Schjelderup foram dois dos galardoados.