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E agora, Luisão?

Rafael Raimundo · 3 min

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sl benfica cabeçalho 1Em meados de novembro, e quando ainda não havia uma dupla de centrais certa na equipa do Benfica, escrevi que o tempo de Luisão como titular havia chegado ao fim. Hoje, passados dois meses, a certeza com que o digo é ainda maior.

Apesar de ser um jogador de que toda a massa adepta do clube encarnado gosta, é também já um jogador que pouco acrescenta à equipa a nível exibicional. O capitão encarnado é já um jogador lento, face à capacidade física de alguns extremos e avançados do principal escalão português, muitas vezes levando a que tenha de abordar os lances de forma mais agressiva. Ou passa a bola ou passa o jogador, ambos não. Certo é, e dirá quem acompanha futebol com a isenção de que o próprio necessita, que o capitão encarnado nunca foi um jogador de velocidade elevada, mas no entretanto fazia valer-se de outras características necessárias ao jogo, nomeadamente a resistência e a disponibilidade com que se entregava.

Naturalmente, no presente a entrega é tanto ou mais do que a de antigamente, contudo, esta já não é suficiente. Ou pelo menos única. A liderar agora a linha mais recuada dos encarnados está um jogador que teve em Luisão uma referência e que, ou muito me engano, ou também será no futuro uma referência para outros. O novo líder é Jardel, e teve em Luisão o exemplo de excelência.

Jardel, a par de Rúben Dias, está a formar uma dupla capaz de dar consistência suficiente à equipa para que avance no terreno com a autoridade que é exigida de um clube grande em Portugal, não desleixando aquilo que são as bases de um ataque bem organizado. Seja na posição e movimentos dos atacantes, seja nas coberturas que as linhas mais recuadas têm responsabilidade de fazer. A irreverência e a juventude – em todos os seus defeitos e virtudes – de Rúben Dias, é colmatada pela experiência de Jardel.

Luisão está no Benfica desde a época 2003/2004 Fonte: Flickr
Luisão está no Benfica desde a época 2003/2004
Fonte: Flickr

Ainda nesse artigo, abordei Luisão num outro aspecto: o balneário. O capitão, e para os adeptos encarnados sê-lo-á sempre, terá agora uma missão também ela de grau elevado. Não dentro de campo, mas sim à beira do mesmo. E que difícil missão é.

No balneário, o “Girafa” deve ser o rosto do inconformismo com a má temporada que a equipa está a realizar, mas também o líder de uma revolta que se espera que resulte na conquista do penta. O tal papel fundamental de backstage de que falei nesse artigo de novembro.

Cabe agora a Luisão um papel tão ou mais importante do que aquele que tem dentro de campo. Cabe a Luisão ser a cara de um Benfica rejuvenescido e disposto a lutar pelo campeonato. Não dentro de campo, mas sim numa tarefa que não será visível aos olhos dos adeptos. Massacrando os colegas se não derem tudo em campo, ou incentivando se for apenas um dia menos bom. Se desempenhar o seu papel com sucesso, como acredito que irá fazer, em campo esse vai, certamente, ser reconhecido por todos.

Uma vez que renovou o contrato com o clube por mais um ano, que este seja no sentido de passar o testemunho para as gerações futuras e de deixar um legado que para sempre permanecerá na memória do clube e dos adeptos do Benfica. O legado de um capitão que até ao último segundo foi um exemplo de dedicação.

Foto de Capa: SL Benfica

Rafael Raimundo

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Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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