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FC Porto 0-2 Benfica: Ao coração ganha sempre a razão

Francisco Vaz de Miranda · 3 min

FC Porto 0-2 Benfica: Ao coração ganha sempre a razão

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Se o coração pode trazer a felicidade no futebol em alguns momentos soltos, a razão será sempre a chave para o sucesso. Como aconteceu hoje. Importantíssimo e saboroso triunfo no Dragão, o primeiro de Jesus em jogos a contar para o campeonato. Enorme passo para o bicampeonato foi hoje dado e caber-nos-á saber gerir esta almofada pontual da melhor forma. No regresso de Lima à titularidade, foi um Benfica diferente do habitual a jogar no terreno do rival. Um Benfica calculista, racional, frio e ciente de que é inferior em termos de qualidade individual mas muitíssimo superior a nível colectivo.

O início de jogo trouxe um Porto forte e com vontade de se colocar cedo em vantagem. Se estas entradas fortes dos azuis-e-brancos não surpreendem ninguém, o mesmo não se pode dizer da forma como o Benfica a tentou segurar. Muito subido no terreno e tentando limitar a saída de bola em posse desde trás da equipa de Lopetegui, a equipa encarnada aguentou a primeira meia-hora inicial de bom nível dos portistas. Jackson teve o golo nos pés mas Júlio César mostrou o porquê de – finalmente! – ser o dono e senhor da baliza do Benfica. Um Porto veloz e a criar enormes dificuldades ao espaço morto entre a defesa e o meio-campo encarnados, com Brahimi e Óliver em bom plano, não foi capaz de reagir ao primeiro golo do encontro. De um lançamento lateral se começou a construir a vitória encarnada, com Lima a aproveitar a passividade defensiva (uma das grandes pechas deste Porto) do Porto. Se o Benfica pouco arriscava no momento ofensivo com o nulo no marcador, ainda menos o fez depois de se ver em vantagem. Eficácia quase total da equipa de Jorge Jesus, pois antes do golo houve apenas um fraco remate de Talisca para contar.

Depois de César Brito e Nuno Gomes, foi a vez de Lima bisar no Dragão Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Depois de César Brito e Nuno Gomes, foi a vez de Lima bisar no Dragão
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Apesar de ter dado mostras de querer repor a igualdade o mais rapidamente possível, o 0-2 que Fabiano ofereceu a Lima (soberba a jogada de Gaitán que antecede o bis do brasileiro) acabou por ser quase o xeque-mate dos dragões. A partir daí, a equipa de Lopetegui entrou num desnorte total, apesar de se poder queixar de algum azar na finalização, já que Jackson encontrou por duas vezes a trave da baliza de Júlio César. Naquele que, provavelmente, foi o melhor jogo do Benfica de Jesus no Dragão (perfeita a forma como bloqueou o jogo lateral do Porto e obrigou os defesas e médios a jogarem em lançamentos longos), a eficácia encarnada foi vital para o resultado. Nas poucas oportunidades que criou (fruto da estratégia adoptada para a partida), o Benfica acabou por conseguir segurar uma vantagem no Dragão, coisa rara nos tempos mais recentes. Para a história fica a pouca qualidade futebolística que marcou o clássico, apenas pintado, aqui e ali, com os rasgos de Brahimi e Gaitán. O fantasma portista parece estar a querer desaparecer e deu lugar a um Benfica pragmático e racional, que irá passar o Natal na liderança isolada. Para o devaneio do Porto no mercado de verão, estar a 6 pontos do primeiro lugar e fora da Taça de Portugal dará muito que pensar. Restará, pois, a boa campanha europeia para ir enganando os papalvos. Lopetegui disse que, depois do jogo de hoje, tem mais certezas de que o Porto será campeão. Pois bem, eu digo que o caminho para o bicampeonato encarnado começa a dar sinais de vida.

A Figura:
Nico Gaitán – O craque argentino voltou a a provar a sua classe no jogo de hoje. Teve pouca bola, é certo, mas sabe sempre o que lhe fazer quando em posse.

O Fora de Jogo:
Salvio – Inconsequente. É assim que se pode definir a época do extremo argentino. Ao contrário do compatriota de sector, perde-se em constantes iniciativas individuais sem princípio, meio e fim.

Francisco Vaz de Miranda

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