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Ferro | Demasiado enferrujado para a metalúrgica JJ?

João Pedro Coelho · 2 min

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De bestial a besta, do oito ao oitenta. Estas duas expressões populares são a analogia perfeita para caracterizar o percurso de Francisco Ferreira, mais conhecido por Ferro, ao serviço do SL Benfica.

O jovem central “made in Seixal” estreou-se pela equipa principal das “águias” no dia 6 de fevereiro de 2019, no dérbi eterno frente ao Sporting CP, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal.

Na altura, Ferro entrou aos 37 minutos para o lugar do lesionado Jardel, e de lá não saiu até ao final de uma temporada que culminou num histórico 37º título de campeão nacional.

Pelo meio somou, também, alguns golos, sendo que se destaca o tento frente aos croatas do GNK Dínamo Zagreb, em jogo a contar para a segunda mão dos oitavos-de-final da Liga Europa, em que Ferro disfere um remate potente em direção ao poste esquerdo da baliza croata, colocando as “águias” na frente da eliminatória.

Após uma época de grande sucesso, todos esperavam que a temporada seguinte servisse de afirmação por parte do jovem de Oliveira de Azeméis. No entanto, aconteceu, precisamente o contrário. Ferro passou de bestial a besta, sem nenhuma razão aparente.

Se na primeira época o jovem se destacou pela sua capacidade de sair a jogar e pela segurança defensiva que dava à equipa, na temporada seguinte Ferro destacou-se precisamente pelo contrário.

Apesar da sua estatura elevada (1,92m), o central raramente é capaz de ganhar bolas aéreas, já para não mencionar o fraco desempenho no um para um defensivo, onde, na maior parte das vezes, é ultrapassado pelos adversários.

Ressalva-se apenas a sua capacidade para sair a jogar na primeira fase de construção, que é, neste momento, a sua maior arma. Sem surpresas, o português acabou por ser relegado para o banco de suplentes, com Jardel a acabar a época transata a titular.

Atualmente, e com Jorge Jesus ao comando das operações, é difícil de prever qual será o futuro do central de 23 anos. Relatos dizem que o técnico português impediu a saída do jovem no mercado de verão. No entanto, foram contratados Vertonghen, Otamendi e, no último dia do mercado, Todibo, o que deixa Ferro com pouco espaço de manobra.

De resto, o português entrou na partida contra o SC Farense, para o lugar de Jardel, e mostrou-se a um bom plano, quer a nível defensivo, quer na primeira fase de construção, pelo que será interessante ver se Jorge Jesus consegue recuperar um Ferro enferrujado e trazê-lo para patamares exibicionais elevados.

Artigo revisto por Joana Mendes

João Pedro Coelho

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