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Ferro e Florentino, os talismãs preciosos (da formação) da Luz

Miguel Catarino · 3 min

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Depois de ter referido a importância de uma boa estrutura de formação, algo que o Sport Lisboa e Benfica se tem revelado especialista, trago a mesma temática para realçar o impacto que esta caminhada produz nos jogadores que chegam à equipa principal e brilham, desde muito cedo, em qualquer palco. Esta temporada mostrou essa capacidade, com um treinador conhecedor da cantera, das caraterísticas dos jogadores e que fez disso a matriz essencial da época de ataque à reconquista do campeonato.

Dentro das várias alterações que Bruno Lage implementou, Ferro e Florentino destacam-se como duas das muitas surpresas, a par com tantas outras. Apesar da tenra idade – Ferro tem 22 anos e Florentino 19 – o crescimento tem sido imenso e feito em tão pouco tempo! A maturidade e entendimento a cada jogo estão apuradíssimas! Tal deve-se, em grande parte, à estrutura que os acolheu desde muito jovens e permitiu que alcançassem o estrelato, como tem sido recorrente com outros atletas nos últimos anos.

O papel que desempenham na equipa é de grande responsabilidade e tem se revelado decisivo e crucial. O que não foi difícil, dado o nível de exigência com que foi entendido e assumido a partir do primeiro momento em que foram chamados ao escalão máximo. Já o trabalho e o empenho vêm detrás, sendo que o aperfeiçoamento é agora feito ao mais alto nível.

O compromisso e dedicação de Ferro levou-o à distinção de melhor defesa da Liga em março
Fonte: SL Benfica

Ferro, por um lado, é o elemento nuclear de transição entre o processo defensivo e ofensivo. Enquanto central, tem a facilidade de saber ler cada movimento que vai efetuar e o que isso irá provocar no seguimento da partida e no comportamento dos colegas e adversários, que são obrigados a adaptarem e até improvisarem a sua estratégia inicial. Florentino, por outro, desarma como ninguém e de forma absolutamente estonteante! Os 11 jogos já realizados mostraram um sentido de visão e compromisso excecionais e de qualidade máxima nas sucessivas sequências de cortes e passes bem definidos e “tirados”. Nestes dois casos, como em tantos outros produtos da cantera, esta temporada foi de afirmação e a próxima será, pois, de afinação de processos e consolidação no plantel. Isto, claro, se ficarem, tal é a cobiça!

A frescura de Ferro trouxe uma nova dinâmica ao centro da defesa, que Bruno Lage tem utilizado com muita frequência. Em contrapartida, as lesões de Jardel provocaram uma alteração no esquema tático. Apesar do brasileiro já se encontrar recuperado, a aposta principal passou, por estes motivos, para o 97 das águias. Quanto a Florentino, a concorrência é elevada para a posição, com mais quatro alternativas. Além de Fejsa e Gedson, Samaris é o titular e tem dado grandes provas, mas o impasse no processo de renovação pode significar a sua saída. Noutro tópico, a lesão de Gabriel deixou uma vaga em aberto e foi o 61 que aproveitou a oportunidade. Como tal, para a estabilização de Tino ser plena, o mercado de transferências será importante para clarificar algumas destas pontas soltas e que ajudarão a estruturar aquela que será a versão 2019/2020 do Benfica.

Voltando aos atletas, é extrema a importância que estão a alcançar não só no Benfica, mas também no panorama do futebol mundial. A atração de outros mercados é natural e será logicamente difícil segurá-los por muito mais tempo.

Grande parte do sucesso encarnado desta época é de toda a estrutura de formação, de onde são provenientes. Além de seguir na frente na tabela, o Benfica é o grande líder na criação, gestão e deteção dos novos talentos, que tem todas as condições para crescerem e apresentarem um nível indiscutível de maturidade a partir do momento em que cumprem o objetivo de servir a equipa sénior. Ferro e Florentino são fortes exemplos de maturidade, crescimento, talento e qualidade. Aliás, são já muitos! Os que vieram, vêm e continuam a impressionar o mundo do futebol.

Foto de Capa: SL Benfica

Miguel Catarino

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