Ficam os três pontos

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Estamos de volta no “Coração Encarnado”. Este é um Sábado especial, porque vos escrevo desde terras lusas. Pois é, tive a oportunidade de voltar a estar perto do tapete da Luz. As saudades daquele estádio eram muitas, mas depressa pus esse sentimento de parte e parti para o normal estado de benfiquismo. E esse estado obrigou-me a gritar até não conseguir mais durante uma primeira-parte que não foi mais do que um conjunto de penosos minutos. Os primeiros quarenta e cinco minutos foram a certeza de muitas coisas de que tenho falado nas últimas semanas, apesar do meu contínuo esforço de realçar os pontos positivos, que neste momento se limitam à classificação no Campeonato Português. Mas é quando estamos em primeiro que devemos olhar para os problemas, de forma a melhorá-los enquanto ainda vamos a tempo. Assim sendo, quero fazer uma análise geral destas últimas nove jornadas.

Vamos começar de trás para a frente. Ontem, no estádio, percebi que sempre que o Júlio César tocava na bola a minha perna direita não tremia. Que segurança, Júlio! Aguenta-me essas costas e não saias da nossa baliza. Quanto aos centrais, não me atrevo a falar do monstro Luisão – aí tudo está dito. Mas quanto ao seu “acompanhante”, o assunto muda de figura. Começámos com o Jardel e depressa se percebeu que talvez fosse adequado olhar para alternativas. Lisandro teve o espaço que merecia. Até agora devo confessar que ainda não estou convencido: erra demasiadas vezes e ontem não fugiu à regra. Defendo a sua continuidade no onze, mais pelo que fez na época passada em Espanha do que pelos jogos de águia ao peito. Do lado direito da defesa tudo certo. Do lado esquerdo, aí temos fumo negro. Eliseu precisa de outra cultura defensiva e não é agora que alguém o vai ensinar. Olhando para ontem, o André teve um erro grave, mas tirando isso pareceu-me um jogo bem conseguido. E parece-me importante destacar o facto de que ontem não tínhamos corredor esquerdo, faltando sempre um jogador a apoiá-lo, até porque metade das vezes o Samaris chegava atrasado. Falando em Samaris, já vejo o fumo outra vez. Posição 6: este é, na minha opinião, o problema mais difícil de resolver. Parece-me que Samaris ainda vai demorar a assimilar as rotinas necessárias e, quando esta posição estiver resolvida, os problemas do lado esquerdo (por exemplo) serão facilmente disfarçados.

Jorge Jesus tem muito trabalho pela frente Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jorge Jesus tem muito trabalho pela frente
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

E depois temos situações latentes mas não tão preocupantes: Lima com uma falta de confiança inexplicável, falta de solução para Salvio (apesar de ter lances geniais, penso que existem jogos onde um jogador mais constante seria recomendável, tal como na época passada) e uma dependência monstruosa da genialidade de Gaitán. E nada melhor do que olhar para o jogo contra o Rio-Ave para perceber isso: sem Nico a equipa fica sem ideias, com poucas oportunidades e sem magia. Não pensem que o meu regresso ao estádio me fez ver isto tudo outra vez, mas agora que o meu sorriso de líder ainda cá está é a altura certa para trabalhar o que ainda corre mal (ou menos bem).

Resumindo, adoro estar em primeiro, mas peço ao Jesus que olhe com atenção para cada um dos pontos acima referidos, de forma a resolvê-los. E a forma de começar é na posição seis, pois sinto que com um melhor equilíbrio do meio-campo, os outros problemas podem ser mais facilmente ocultados. Uma nota para a gestão das substituições na noite de ontem: penso que Jesus podia e devia ter mexido no meio-campo, coisa que não fez. Com isto digo que com a saída de Samaris e o recuo de Enzo, após o golo de Talisca (que golaço, Rivaldo!) deveria ter sido feito um reajustamento do meio-campo (neste caso sugeria a saída do Lima e a entrada do Benito, com o André a ocupar a posição de trinco).

Notas breves: Lima, por favor vê uns filmes da época passada e faz-nos gritar o teu nome outra vez. Gaitán, obrigado, obrigado e obrigado: pelo esforço físico que fizeste e pela alegria que pões nos meus olhos. Jonas, quero-te sempre na equipa. Talisca: magia pura, não pares de me lembrar o Rivaldo. Júlio, dorme com cuidado e obriga-me a tua mulher a cuidar dessas costas. André, qualquer dia estás na baliza – obrigado por dares tudo, seja em que posição for. Por fim… Enzo Pérez. Nome curto mas coração gigante. És o símbolo da minha rubrica, os meus olhos cansam-se só de te ver correr. Não pares nunca.

Agora chega de ontem. Vou voltar para casa a sorrir, e já sonho com a noite europeia de terça-feira. O meu foco está nos três pontos contra o Mónaco, para que o meu sonho europeu continue vivo. Ficou a fraca exibição, ficou a primeira parte fraquíssima, ficou a Nico-dependência e ficaram os três pontos. Os campeonatos ganham-se com pontos, mas atenção ao resto, Jorge…

Francisco Vinagre
Francisco Vinagrehttp://www.bolanarede.pt
O Francisco é um emigrante mas não é por isso que sente menos o seu Benfica. Contou-nos que só pára de gritar com as paredes do seu quarto madrileno quando as palavras chegam ao Estádio da Luz. Desde 1991 que o seu coração é encarnado, por fora e por dentro. Recusa-se a perder um jogo e sabe os números dos jogadores de trás para a frente! Só tem saudades do seu Eusébio e de vez em quando mete-se no avião para cheirar a relva da Luz.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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