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Fora das quatro linhas

Patrícia Ribeiro Fernandes · 2 min

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A temática da legalização das claques sempre foi muito sensível e controversa na esfera futebolística, no entanto, trata-se de uma obrigatoriedade legal e que a meu ver tem mais de positivo do que negativo para todas as partes e, principalmente, para a modalidade.

Falando nos grandes, o Benfica e os grupos organizados que o seguem, sobejamente conhecidos como são os Diabos Vermelhos e os No Name Boys, são os únicos que não avançaram para a legalização, o que é incompreensível naquele é o maior clube de Portugal.

O “Inferno da Luz” não existiria sem cada uma das claques a criar aquele ambiente fabuloso, puxando por todos os benfiquistas presentes. São de facto muito importantes mas estas também não existiriam sem o Benfica. E uma massa associativa, que é tida como exemplo e alvo de destaque mundial no que a sua dedicação se refere, não cumprir os requisitos legais, não se compreende.

As razões que levam estes grupos a não se legalizarem, estão alegadamente relacionadas com a identificação dos seus membros e suas consequências, a aquisição da patente do nome das claques, as guerras internas que existem, entre outras, mas no meu ponto de vista, todas esses argumentos perdem valor quando falamos de segurança para os espetadores e para todos os intervenientes do espetáculo de futebol.

A legalização devia ser uma preocupação do Benfica Fonte: SL Benfica
A legalização devia ser uma preocupação do Benfica
Fonte: SL Benfica

A contenção da violência é o principal objetivo das entidades que regulam estas questões e Portugal nem é dos países com os maiores índices mas bem sabemos que é uma realidade existente entre claques rivais e mesmo no seu seio, assumindo uns, posições mais radicais que outros, mas será que a legalização não ajudaria a alterar comportamentos? O facto de poderem com essas atitudes prejudicar o clube e haver consequências, não poderia dar força a uma maior consciência de que o futebol deve ser vivido sem competição desmedida, agressões e fanatismos?

No entanto, também não se pode ser utópico ao ponto de pensar que as claques do Porto e Sporting, por exemplo, por estarem legalizadas, representam um risco menor porque não é verdade. Aliás, nessa fase, existe outra questão que se prende com o facto de nem todos os membros dessas claques estarem devidamente identificados, ou seja, nem todos os membros das claques legalizadas têm os seus dados na base de dados do Instituto Português do Desporto e Juventude, como a lei obriga. É verdade que há ainda um longo caminho a percorrer mas a manutenção da clandestinidade é que não é o caminho certo.

Se queremos que o mundo do futebol seja mais claro e seguro, há que se trabalhar na revisão das leis, em enquadrá-las na realidade atual, criando-se condições para que todos os membros das claques estejam identificados e as claques legalizadas com direitos e deveres comuns. O futebol é um espetáculo que tem que ser promovido pela família benfiquista dentro e fora das quatro linhas.

Patrícia Ribeiro Fernandes

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