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Ganhar a Taliscar

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coraçãoencarnado

Anderson Souza Conceição. Um metro e 88 centímetros, 74 quilos. Leve como uma pena e rápido como uma águia que voa bem alto e só para com a bola dentro da baliza. Não, não é o Rivaldo (ainda) mas parece. É craque, marca que se farta e até já deu que falar lá para os lados de Londres.

Veio do Bahia e tem uma música só dele: 

«Desde pequeno, com sete anos já jogava com alegria

mas agora o moleque cresceu e anda jogando é no Bahia

Ele é o rei de campo que a galera toda vibra

Sabe de quem eu tô falando? É do meu mano Talisca

bate para cima dos adversários a torcida começa a cantar

joga com muita febre e raça para fazer o seu time ganhar

deixa o Talisca jogar.» 

O Talisca nasceu no dia 1 de fevereiro de 1994. Até me custa dizer isto, mas aquele brasileiro ligeiro que vai fintando desde o meio-campo até à baliza é mais novo do que eu. Yaya Talisca, Rivaldo ou D´Artagnan tem apenas 20 anos e facilmente conquistou os nossos corações encarnados. Apesar da inicial indecisão quanto à posição onde iria jogar (na posição de número oito, entrando para o lugar de Enzo ou mais avançado no terreno, perto de Lima), Talisca depressa assimilou os processos que Jesus lhe pedia. Aos poucos foi ganhando confiança, tornando-se no maior goleador do Benfica, com nove golos marcados.

Gostava também de realçar que, apesar das muitas dúvidas que por essa imprensa andaram, não me parece sequer racional pôr em causa o valor deste jovem brasileiro. É craque, craque, craque! Fala-se já numa possível ida à selecção principal brasileira. Apesar de me parecer cedo, não posso esconder que o meu sorriso ganha vida quando leio essas notícias vindas do outro lado do Atlântico. Sim, porque não somos só nós que olhamos para o mágico. Durante esta semana tive algumas conversas com amigos brasileiros, onde o tema principal foi o novo Rivaldo. Como seria de esperar, já conheciam bem as características do “meio-campista”. Ambos me revelaram o prazer que tinham ao ver aquelas pernas a beijar o esférico, seja num livre ou num remate de fora-de-área colocado onde a “coruja dorme”. Bem, mas por que é que estou a falar do Talisca no “Coração Encarnado” desta semana? Primeiro, porque estou apaixonado. Segundo, porque este homem tem-me dado pontos e mais pontos. E, terceiro, porque é o melhor marcador do campeonato. Chega?

Talisca agradecendo o seu mágico pé esquerdo Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Talisca agradecendo o seu mágico pé esquerdo
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Vou passar a primeira justificação, visto não vos querer fazer perder tempo com as minhas paixonetas por jogadores do Sport Lisboa e Benfica. Mas vou-me focar na segunda razão: pontos. Pois é, Yaya Talisca Rivaldo D´Artagnan tem-nos dado sorrisos e mais sorrisos, que quando todos somados dão origem ao tal místico sorriso de líder. E o jogo de terça-feira foi mais um exemplo disso mesmo. Não foram só três pontos, foi muito mais do que isso. Foi uma equipa toda abraçada na bandeirola de canto. Foram os meus gritos a percorrer Espanha até chegarem à Luz. Foi a demonstração de força de todos os nossos guerreiros. Foi a certeza de que o monstro europeu ainda lá está, bem vivo. Foi o retomar da certeza de que juntos somos mais fortes. Foi uma vitória ao Mónaco, que tanto gozo me deu. E, por fim, foi a esperança a sair da alma de cada um de nós e a juntar-se num todo cheio de tudo. Há vitórias que são muito mais do que isso, e a de terça é só isso: um triunfo que sabe a tudo o que de bom o futebol tem.

Não posso fechar este comentário sem falar dos receios para o jogo de amanhã. Mais uma final e mais um jogo de dificuldade de Champions. Ah! E que venham os jogos de Liga dos Campeões todos juntos, que já não os tememos. O Talisca vai lá estar. Que os três pontos venham com vocês para Lisboa, rapazes! Um abraço e não se esqueçam: quem não Talisca não petisca!

 

Francisco Vinagre
Francisco Vinagrehttp://www.bolanarede.pt
O Francisco é um emigrante mas não é por isso que sente menos o seu Benfica. Contou-nos que só pára de gritar com as paredes do seu quarto madrileno quando as palavras chegam ao Estádio da Luz. Desde 1991 que o seu coração é encarnado, por fora e por dentro. Recusa-se a perder um jogo e sabe os números dos jogadores de trás para a frente! Só tem saudades do seu Eusébio e de vez em quando mete-se no avião para cheirar a relva da Luz.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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