Desculpem-se com a crise

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Glóbulos Vermelhos

10 anos da Catedral, dia bonito, pois claro. Vai daí e chovem bilhetes a 5€ para sócios e a 15€ para simpatizantes, para qualquer bancada. Bem bonito, diga-se. A isto há que juntar os bilhetes família, pacotes promocionais com miúdos ao barulho, primos, afilhados e sobrinho: tudo à bola.

Ora não seria de esperar uma casa consistente? Não. A imprensa falou em números a rondar os 40 mil, ou até a superar essa barreira que muitas vezes faz a diferença. A verdade é que a Luz recebeu 35 mil espectadores, suficiente para ser a melhor casa da época. Por esta altura, ou talvez um pouco mais à frente, o Benfica jogava à bola, dava goleadas e espectáculo aos adeptos, os jogadores corriam todos para o mesmo lado, havia alegria, a expressão denominada ‘carrega Benfica’ era o pão nosso de cada dia. Não venho aqui exigir goleadas e vitórias expressivas, e se continuarem sem jogar nada até ao final do campeonato e vencermos, calo-me já. Mas as coisas não parecem seguir nesse rumo, Jesus não é Trapattoni, com uma ideologia de jogo propositadamente cautelosa. A equipa não responde. E isso reflecte-se nas bancadas.

A casa encarnada a rebentar pelas costuras Fonte: apanhadosquanticos.blogspot.com
A casa encarnada a rebentar pelas costuras
Fonte: apanhadosquanticos.blogspot.com

Em 2012/2013 a média de espectadores foi de 42 365. Este ano ainda nem chegámos a essa meta. È certo que ainda faltam os clássicos, mas não são dois ou três jogos que fazem disparar a média, já para não falar das assistências na Champions, que está visivelmente condenada. Os responsáveis do clube da Luz desculpam-se com a crise que assola o nosso país, com as condições climatéricas que têm afectado alguns jogos do Benfica em casa, entre outros aspectos. Claro, como se no ano passado os portugueses vivessem à grande, com putas e vinho verde e, como tal, esbanjavam dinheiro a ir ao estádio apoiar a sua equipa, uma espécie de vício de gente rica. É isso? Parece-me que o esforço que muitos adeptos faziam o ano passado para ir à bola era claramente recompensado, dentro de campo. Confesso, fui à Luz este domingo, dos três jogos que vi do Benfica este ano, um deles na Amoreira, não paguei nenhum, foram todos bilhetes oferecidos. Não deixei de gritar, nem de levantar o cachecol para cantar o hino, mas desculpem-me, não pago. Não nado em dinheiro e para ver um jogo mediano ou sofrer porque vencemos a ferros, tenho uma tv em casa ou vou ao café beber umas jolas com os amigos, sofrer em conjunto e à distância custa bem menos. Mas sim, isto é da crise, as pessoas não têm poder de comprar, além disso já viram como anda o tempo? Talvez assim consigam dormir descansados.

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