Guardiões de títulos

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sl benfica cabeçalho 1De todas as movimentações de mercado concretizadas pelo Benfica, existem saídas, neste caso, que ainda não foram devidamente compensadas e deixaram algumas posições mais fragilizadas que outras, sendo que a mais crítica, a meu entender, é na baliza.

Ora vejamos, a ausência de Nélson Semedo nota-se e deixa-nos algo inseguros, no entanto, apesar de ser muito melhor que o seu substituto André Almeida, acho que podemos esperar uma época tranquila nesta posição. Sabemos que o André não é tão bom a nível ofensivo quanto o Nélson, mas, defensivamente, talvez seja melhor nas compensações aos centrais e arrisca mais pela certa nas subidas, já o Nélson, aventurava-se muito no ataque e acabava por deixar a defesa mais a descoberto.

Outra posição que merece a nossa atenção é a de defesa central, com saída de Lindelof. Jardel, na época passada, pouco jogou devido a lesão mas, analisando mais ao pormenor, tanto um como outro são defesas rápidos, o que ajuda a compensar o maior sentido posicional do Luisão, que requer um central rápido ao lado e isso ambos o são. O Lindelof tinha a irreverência e o Jardel conta com a maturidade. Penso que aqui também não haverá problemas de maior. Isto, claro, se as lesões não afetarem novamente o Jardel, pois um ano de paragem pode causar alguns problemas físicos, mas esperemos que não.

Assim, a grande incógnita no plantel do Benfica esta época é, sem dúvida, o guarda-redes.

Ederson, a quem, num artigo que escrevi em Fevereiro passado, ousei designar como um dos melhores guarda-redes do mundo da atualidade, viu a sua saída ser colmatada pelo experiente Júlio César. Uma incontornável referência do futebol mundial sim, devidas e merecidas vénias à parte, mas uma referência com algumas desconfianças na verdade. A idade e o seu problema crónico nas costas, levam-me a acreditar que o imperador não irá conseguir realizar todos os jogos do Benfica e, com o exigente calendário desta temporada, precisamos certamente de uma opção ao nível do melhor Júlio. E é aqui que entra Varela, um guarda-redes jovem que fez toda a carreira no Benfica e que Luís Filipe Vieira foi resgatar ao Vitória de Setúbal.

O jovem internacional sub-21 voltou à casa onde foi formado Fonte: Vitória FC
O jovem internacional sub-21 voltou à casa onde foi formado
Fonte: Vitória FC

Quando todos julgavam que o Paulo Lopes ia assumir um lugar na estrutura do Benfica, voltou a vestir o equipamento e voltou a ser terceira opção na baliza, o que demonstra, nitidamente, que o Benfica tinha um alvo bem definido para render Ederson mas esse negócio não se concretizou.

Voltando a Varela, assumo com franqueza, não me impressiona e não sei se impressionará. O jogador evoluiu bastante na última época, assumiu a titularidade no Vitória e essa regularidade de jogos trouxe-lhe alguma experiência, mas não a suficiente para agarrar um desafio como é guardar a baliza do Benfica (espero estar enganada).

Na Supertaça até fez uma exibição razoável, mas continuo a achar que lhe falta experiência, falta-lhe a autoridade para gritar com centrais como o Luisão e Jardel e ainda não é um guarda-redes seguro que transmita confiança à defesa e aos adeptos.

Contudo, os tetracampeões têm pouco mais de um mês para ir ao mercado, numa tarefa que não me parece nada fácil. Primeiro, porque este mercado já está muito inflacionado, depois dos valores pagos pelas transferências, tanto de Neymar (222 milhões), como na baliza, de Ederson, que, recorde-se, saiu por 40 milhões. E segundo, porque é preciso um guarda-redes que lute pelo lugar com Júlio César e esse tipo de guarda-redes não se compra por meia dúzia de milhões.

Ao que parece, o Benfica teve já em conversações com jogadores, alguns deles, clara especulação, como é o caso de Jasper Cillessen, guarda redes do Barcelona, que apesar de não ser opção inicial, o clube espanhol não se irá desfazer dele facilmente pois foi contratado recentemente e é internacional pela Holanda.

Patrícia Ribeiro Fernandes
Patrícia Ribeiro Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Desde que se conhece que a Patrícia gosta de bola e chegou mesmo a jogar, mas a vida seguiu por outros rumos. Como mulher de paixões que é, encontra no Benfica a maior de todas e é a escrever que se sente em casa.                                                                                                                                                 A Patrícia escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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