Última horaRelatório e Contas: FC Porto SAD apresenta saldo negativo de 21,1 milhões de euros em 2025/26
Publicidade

Longos anos a Jesus

Francisco Vaz de Miranda · 3 min

Longos anos a Jesus

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

benficaabenfica

Importará parar um pouco para reflectir sobre o sublime trabalho de Jorge Jesus, antes de amanhã, em Paços de Ferreira, o Benfica dar início à volta de regresso na estrada do bicampeonato. Feito que o Benfica não conhece há três décadas e que, há meses atrás, parecia apenas um sonho limitado pelo brutal investimento do rival e pela ruína em que Vieira tornou a melhor equipa que o meu benfiquismo já conheceu. Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Markovic, Rodrigo, Cardozo e, meses mais tarde, Enzo Pérez. Não se preocupando minimamente com a política mercantil com que Luís Filipe Vieira conduz o clube, o segundo melhor treinador português volta, uma vez mais, a dar provas da sua inexcedível competência e qualidade.

Apesar do aproveitamento pontual a roçar a perfeição, é natural, óbvio e consequência das premissas acima escritas que Jorge Jesus e o Benfica tenham, também, tido alguns acidentes de percurso até aqui. A eliminação das competições europeias é o expoente máximo de uma época em que o bicampeonato é a meta final. Sendo um enormíssimo treinador, impossível seria que Jorge Jesus reconstruísse (mais) uma equipa como LEGO a tempo de se conseguir bater na Liga dos Campeões. Não haverá a mais pequena dúvida de que o Benfica de hoje teria fortíssimas possibilidades de ter seguido na prova. Adiante. Nem sequer a saída de Enzo Pérez, coração da equipa na última época e meia, abalou minimamente os alicerces de cinco anos de trabalho de Jesus. Bem pelo contrário. Paradoxal e estranhamente, foi desde a transferência do argentino que surgiu o melhor Benfica da temporada. É este um dos grandes feitos do treinador encarnado e a evidência de que os títulos estarão sempre mais perto se houver Jorge Jesus no banco.

É no Seixal que Jorge Jesus vem (re)construindo equipas atrás de equipas; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
É no Seixal que Jorge Jesus vem (re)construindo equipas atrás de equipas
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Neste momento, parece ser o Benfica que depende mais de Jorge Jesus do que o contrário. Há seis ou sete anos, a saída de UM(!) jogador nuclear da equipa era motivo suficiente para deixar em pó toda uma época. Jogos houve esta temporada em que o Benfica apresentou 4 jogadores (Luisão, Maxi, Lima e Gaitán) que faziam parte da equipa-base do triplete. É certo e indesmentível que a qualidade de jogo faltou, e muito, em alguns momentos da época. No entanto, é neste ponto que vale ao clube o pragmatismo que Jorge Jesus veio ganhando desde que chegou e que se traduz, por exemplo, na melhor defesa do campeonato com apenas 7 golos sofridos em 17 partidas. Nem sequer a menor qualidade de jogadores como André Almeida, César, Jardel ou Lisandro afecta os processos de jogo mais do que conhecidos e consolidados pela equipa.

Os 45 pontos em 51 possíveis são o melhor score de há 30 anos para cá e o avanço de seis pontos para o Porto, principal rival, e dez para o Sporting mostram um Benfica fortíssimo, confiante e já capaz de nota artística. Para os mais limitados de pensamento, não faltarão os chavões da ajuda dos árbitros e dos golos em fora-de-jogo como justificação para o mérito do trabalho do treinador encarnado. Até se compreende. Afinal, para uns, esse é como que um exercício de preparação para mais um ano a ver navios no campeonato. Para outros, o medo do bicampeonato encarnado leva ao desnorte em conferências de imprensa, espectáculo de circo no relvado e a “orgulho, muito orgulho” em modo disco riscado.

 Foto de Capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Francisco Vaz de Miranda

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.