Publicidade

Longos anos a Jesus

Francisco Vaz de Miranda · 3 min

Longos anos a Jesus

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

benficaabenfica

Importará parar um pouco para reflectir sobre o sublime trabalho de Jorge Jesus, antes de amanhã, em Paços de Ferreira, o Benfica dar início à volta de regresso na estrada do bicampeonato. Feito que o Benfica não conhece há três décadas e que, há meses atrás, parecia apenas um sonho limitado pelo brutal investimento do rival e pela ruína em que Vieira tornou a melhor equipa que o meu benfiquismo já conheceu. Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Markovic, Rodrigo, Cardozo e, meses mais tarde, Enzo Pérez. Não se preocupando minimamente com a política mercantil com que Luís Filipe Vieira conduz o clube, o segundo melhor treinador português volta, uma vez mais, a dar provas da sua inexcedível competência e qualidade.

Apesar do aproveitamento pontual a roçar a perfeição, é natural, óbvio e consequência das premissas acima escritas que Jorge Jesus e o Benfica tenham, também, tido alguns acidentes de percurso até aqui. A eliminação das competições europeias é o expoente máximo de uma época em que o bicampeonato é a meta final. Sendo um enormíssimo treinador, impossível seria que Jorge Jesus reconstruísse (mais) uma equipa como LEGO a tempo de se conseguir bater na Liga dos Campeões. Não haverá a mais pequena dúvida de que o Benfica de hoje teria fortíssimas possibilidades de ter seguido na prova. Adiante. Nem sequer a saída de Enzo Pérez, coração da equipa na última época e meia, abalou minimamente os alicerces de cinco anos de trabalho de Jesus. Bem pelo contrário. Paradoxal e estranhamente, foi desde a transferência do argentino que surgiu o melhor Benfica da temporada. É este um dos grandes feitos do treinador encarnado e a evidência de que os títulos estarão sempre mais perto se houver Jorge Jesus no banco.

É no Seixal que Jorge Jesus vem (re)construindo equipas atrás de equipas; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
É no Seixal que Jorge Jesus vem (re)construindo equipas atrás de equipas
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Neste momento, parece ser o Benfica que depende mais de Jorge Jesus do que o contrário. Há seis ou sete anos, a saída de UM(!) jogador nuclear da equipa era motivo suficiente para deixar em pó toda uma época. Jogos houve esta temporada em que o Benfica apresentou 4 jogadores (Luisão, Maxi, Lima e Gaitán) que faziam parte da equipa-base do triplete. É certo e indesmentível que a qualidade de jogo faltou, e muito, em alguns momentos da época. No entanto, é neste ponto que vale ao clube o pragmatismo que Jorge Jesus veio ganhando desde que chegou e que se traduz, por exemplo, na melhor defesa do campeonato com apenas 7 golos sofridos em 17 partidas. Nem sequer a menor qualidade de jogadores como André Almeida, César, Jardel ou Lisandro afecta os processos de jogo mais do que conhecidos e consolidados pela equipa.

Os 45 pontos em 51 possíveis são o melhor score de há 30 anos para cá e o avanço de seis pontos para o Porto, principal rival, e dez para o Sporting mostram um Benfica fortíssimo, confiante e já capaz de nota artística. Para os mais limitados de pensamento, não faltarão os chavões da ajuda dos árbitros e dos golos em fora-de-jogo como justificação para o mérito do trabalho do treinador encarnado. Até se compreende. Afinal, para uns, esse é como que um exercício de preparação para mais um ano a ver navios no campeonato. Para outros, o medo do bicampeonato encarnado leva ao desnorte em conferências de imprensa, espectáculo de circo no relvado e a “orgulho, muito orgulho” em modo disco riscado.

 Foto de Capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Francisco Vaz de Miranda

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.