No futebol está tudo inventado!

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Neste vasto mundo futebolístico é lógico, pelo menos para mim, que existam alguns senhores que, pelo seu estatuto de sábios do futebol, experimentem novas abordagens, testem determinados movimentos ou que apostem em novos jogadores. Coisas da bola. O futebol só progride se estiver em constante mutação e evolução e, nesse sentido, estou totalmente do lado daqueles treinadores que assumem o desejo de arriscar e de implementar a sua filosofia e as suas ideias de jogo. Como se diz na gíria, meter o seu próprio cunho na sua equipa para que esta se reveja no treinador. Os melhores trabalham assim e Jorge Jesus está entre os melhores. Disso ninguém duvida.

Já disse que a capacidade criativa é crucial no futebol. Também já disse que o treinador do Benfica é dos melhores do Mundo a trabalhar com os jogadores e a fazê-los evoluir. Só ainda não referenciei o termo “inventar no futebol”, mas ainda vou tempo. Nos meus tempos de futebolista, tive vários treinadores e todos eles , no primeiro treino da época, diziam: “Jogadores, no mundo está tudo inventado. Aqui ninguém vai inventar nada”. De facto, eu sempre tive aquelas palavras em conta e hoje, quando vejo o meu Benfica jogar, lembro-me sempre delas. Para mim a palavra inventar, no Mundo do futebol, sempre teve uma conotação negativa. Fazer um passe de calcanhar quando se pode ser mais eficaz, arriscar um pontapé acrobático, quando se pode encostar de cabeça, enfim isso é inventar no futebol, enquanto jogador. Porém, agora interessa-me relacionar este misterioso termo com o papel do treinador e para isso vou centrar-me em Jorge Jesus.

Desde que chegou ao Benfica, Jesus não tem parado nem de experimentar, nem de inventar. Experimentou jogadores em novas posições, colocando-os a jogar o dobro do que quando o faziam na sua posição original, como é o caso de Enzo Pérez ou Fábio Coentrão. Experimentou um losango no meio campo, que impressionava qualquer adepto de futebol, no ano do título em 2010. Mas também inventou. E muito. E experimentar, não é inventar. Inventou sempre que defrontou um adversário de qualidade acima da média. Inventou sempre nos momentos cruciais e quando não o devia fazer.
Como adepto positivo e optimista que sou, não costumo agarrar-me às desilusões do passado e de fazer perdurar a mágoa do minuto noventa e dois. Por isso mesmo, já só vejo o Benfica versão 2013/2014. Este Benfica tem o mesmo plantel que tinha na temporada passada e acrescentou a qualidade sérvia. Os “vic” são jogadores talentosos e com um futuro brilhante, mas ainda estão cá os mesmos artistas que brilharam na época transacta, mister! Para quê mexer numa equipa que (esquecendo as não conquistas) fez uma temporada de altíssimo nível em três frentes?

Em pouquíssimos meses, Jorge Jesus já ligou o seu “inventor” e parece não querer desligá-lo. E ninguém parece querer desligar-lhe a ficha. O técnico começou por substituir um lateral-ofensivo (que havia sido invenção sua), por um ainda mais ofensivo que, por sua vez, foi substituído por outro ainda mais ofensivo. Hoje, ainda não temos defesa-esquerdo, na verdadeira acepção da palavra. Ao caso Melgarejo-Cortez-Siqueira, seguiram-se as mexidas no meio campo. A lesão de Salvio teve um efeito devastador nas ideias de Jesus, que, para solucionar o problema, decidiu mexer na organização da equipa ao deslocar Enzo para extremo, Matic para oito e colocar um muro chamado Fejsa para a posição seis. Eis o resultado: Enzo em sub-rendimento e Matic sem a mínima influência na construção de jogo ofensivo. A invenção de Jesus acabou com um meio-campo que, na época passada, era alma e o coração da equipa.
Caros benfiquistas, ainda estamos na primeira metade da temporada, muita coisa pode acontecer. E mais invenções poderão estar a caminho.

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