Última horaEm Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)
Publicidade

O autocarro acidental

André Eusébio · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Topo Sul

Tropeção à Benfica! É isto, somente isto, que me apraz dizer depois daquilo que vi hoje, no Estádio da Luz. Ainda afectado com o resultado, vou tentar ser o mais coerente possível nesta minha análise ao jogo entre o Benfica e o Arouca. Desacertos, oportunidades desperdiçadas, uma imensidão de equívocos e, sobretudo, mais dois pontos que escaparam ao Benfica.

No relvado da Luz entraram duas equipas em condições anímicas completamente opostas. Se de um lado surgia um Arouca em lugar de despromoção, com apenas duas vitórias no campeonato, do outro estava um Benfica altamente motivado pela conquista do primeiro lugar da tabela e que chegava a este jogo com uma série de cinco vitórias no campeonato. São indicadores que assumem sempre a sua relevância e o Benfica, a jogar em casa, entrava em campo como claro favorito, num jogo em que nem o mais fanático adepto do adversário acreditava num bom resultado da sua equipa.

Numa noite que se adivinhava tranquila para o Benfica, os encarnados desde cedo começaram a criar perigo para a baliza de Cássio. Lima, Rodrigo, Gáitan e Markovic, os homens mais adiantados das águias, mostraram alguma mobilidade no início do jogo e com isso foram, aqui e ali, criando situações de relativo perigo para o Arouca. Ainda assim, este “sinal mais” do Benfica não foi suficiente para inaugurar o marcador. Aliás quem o fez foi mesmo o adversário, antes do intervalo. De bola parada, como era de esperar. Quem não esperava o desacerto de Artur eram os benfiquistas que ficaram incrédulos quando o guarda-redes brasileiro deixou passar aquela bola rematada por David Simão. Em desvantagem, o Benfica procurou reduzir o mais rápido possível e Rodrigo, após bela jogada colectiva, animou os adeptos e entusiasmou-os para os segundos quarenta e cinco minutos.

A segunda parte inicia-se com as equipas posicionadas da mesma forma e a adoptarem o mesmo estilo de jogo. O Arouca com o seu autocarro, daqueles com um bom motor, à frente da sua baliza e o Benfica a tentar encontrar espaços por entre aquele mar de gente vestida de amarelo. Mudanças de flanco, tentativa de explorar as laterais, cruzamentos atrás de cruzamentos e a mesma ineficácia dos avançados de encarnado. A falta de agressividade, velocidade e concentração dos atacantes benfiquistas era incompreensível e foi essa mesma apatia que fazia com que o empate perdurasse.

Benfica desperdiça dois pontos contra o Arouca / Fonte: maisfutebol.iol.pt
Benfica desperdiça dois pontos contra o Arouca
Fonte: Maisfutebol

A confiança de Lima desvanecia-se com o passar do tempo e Funes Mori não teve propriamente a estreia mais auspiciosa no campeonato. Até Enzo Perez parecia murcho. De Markovic nem vale a pena falar. Simplesmente não esteve em campo. E de entre este marasmo ofensivo, eram os cruzamentos de Sulejmani e Gáitan que colocavam em sentido a defesa do Arouca. Eram esses lances que agarravam os adeptos e que os faziam acreditar que o golo da vitória acabaria por surgir. Só não contavam é que esse tento surgiria na sua própria baliza. Mais uma bola parada, outra desconcentração defensiva e o balde de água fria na Luz. O Arouca, umas das piores equipas do campeonato, vencia na Luz a quinze minutos do fim do jogo. Seguiu-se uma boa reacção encarnada e o golo do empate num penalty convertido por Lima. Até ao final, Ivan ainda acertou no poste e tudo poderia ter sido diferente se Luisão não se tivesse deixado dormir na área do Arouca desperdiçando o golo da vitória encarnada.

Soube a pouco. A muito pouco. Tudo foi escasso neste noite na Luz. Desde a dinâmica e velocidade impostas no jogo, até ao futebol de unidades com Lima ou Markovic…e ao resultado final. Na primeira dose pressão como primeiros vacilámos e mostrámos que continuamos vulneráveis. Voaram mais dois pontos. A ver vamos se não nos farão falta. Normalmente costumam fazer.

André Eusébio

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.