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O impacto das vendas made in Seixal

Francisco Nogueira · 3 min

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São já várias as vendas por parte do SL Benfica de jogadores com origem no Seixal. Muitas delas foram bastante questionadas, uma vez que algumas apenas tiveram rentabilidade financeira e não rentabilidade desportiva, como se esperava.

É certo que, para as equipas que coabitam no campeonato português, manter grandes valores chega a ser impossível. A sustentabilidade passa por comprar barato e vender caro, sem que muitas vezes consigam amadurecer o jogador antes da venda. Têm também uma cota parte de responsabilidade os empresários destes jogadores, pois sabemos que hoje em dia o futebol é cada vez mais um negócio, deixando para segundo plano o que realmente é mais importante para o jogador.

No caso particular do SL Benfica, é destacadamente a equipa portuguesa com maior receita de vendas no que toca a produtos oriundos da formação. A questão que se impõe é se essas vendas foram realizadas na altura certa e por valores corretos. Posto isto, irei dar a minha opinião pessoal sobre algumas vendas.

  • Renato Sanches e João Félix

Dois jogadores com muito, senão tudo em comum.

Ambos entram no onze encarnado quando o SL Benfica estava a atravessar uma altura muito frágil e, nos dois casos, quando a imprensa desportiva dava o título como perdido para os lados da luz.

Os dois ficam só um ano de águia ao peito no plantel principal e são determinantes na conquista de dois títulos de campeão nacional. Novamente tem em comum o facto de já contarem com títulos ao serviço da seleção nacional.

Renato Sanches sai para o Bayern Munique por 35 milhões, ainda antes do Europeu começar, e João Félix por 120 milhões para o Atlético de Madrid. Não é possível afirmar que não foram grandes vendas, pois os juntos atingiram a marca dos 160 milhões.

Mas observando o lado do jogador, em ambos os casos terá sido muito prematura a venda. Renato e Félix deveriam ter permanecido mais um ano no clube, para ganharem mais maturidade.

  • Bernardo Silva e João Cancelo

Dois jogadores que não consigo ver a jogar sem sentir um vazio na alma. Questiono-me muitas vezes como teria sido bom ver estes dois jogadores com o manto sagrado a celebrarem vitórias no Estádio da Luz. Pois bem, a realidade é que, para já, isso não será possível. Ambos atingiram um patamar tão elevado, que hoje é impossível para os cofres encarnados resgatarem Bernardo e Cancelo.

Considero estas as piores vendas feitas por parte do SL Benfica, apesar de pesarem os 30 milhões recebidos por dois jogadores com muitos poucos minutos na equipa principal. O valor que mostravam na equipa B era inquestionável, e foi por isso que foram os dois emprestados (com opção de compra) a equipas de renome a nível europeu: Mónaco e Valencia.

Florentino e Gedson, dois jogadores made in Seixal com bastantes pretendentes no mercado de transferências
Fonte: SL Benfica
  • Ivan Cavaleiro/Helder Costa

É incrível perceber que posso falar de um destes jogadores e automaticamente o mesmo parágrafo servirá para descrever o outro. Apenas dois fatores os separam: o facto de Ivan Cavaleiro ter na sua carreira uma época na equipa principal (tendo sido opção numa final europeia); e o facto de um ser destro e o outro esquerdino.

Ambos foram emprestados ao Deportivo da Corunha, passam posteriormente pelo Mónaco, até coincidirem depois no Wolverhampton. Nesta época, são os dois emprestados a equipas do Championship.

15 milhões foi o valor que o SL Benfica recebeu por cada um, sendo que mais uma vez, acho que estes dois extremos deveriam ter tido mais oportunidades na equipa principal.

  • Ederson/Lindelof

Aqui sim, considero duas excelentes vendas. Dois jogadores com rentabilidade tanto financeira como desportiva. Ederson sai já do SL Benfica como um dos melhores na sua posição e é hoje sem surpresa titular do atual campeão inglês Manchester City. Lindelof joga atualmente no Manchester United e é hoje, apesar de um inicio conturbado, igualmente titular no gigante inglês.

Foram muitos milhões a entrar nos cofres encarnados, mas será que o SL Benfica deveria ter feito um esforço para segurar aqueles que muito prematuramente saíram da equipa encarnada? Seria esse esforço possível de fazer?

Foto de Capa: Manchester City FC

Francisco Nogueira

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