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O líder da vantagem

Pedro Beleza · 2 min

O líder da vantagem

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Com a confirmação de que Jorge Jesus continuará a ser o nosso treinador, convém tentar perceber o que significa, em termos práticos, a permanência do técnico português. Por muito gasta e badalada que esteja a história, há precisamente um ano, depois da época mais triste de toda a existência do Benfica, poucos (muito poucos mesmo) foram os adeptos que defenderam a continuidade de Jorge Jesus. De entre as inúmeras razões que justificavam a saída de JJ, houve uma que foi repetida várias vezes e era unanimemente utilizada por sócios, críticos e até por outros treinadores de futebol: “Jorge Jesus não tem condições para continuar no Benfica”.

Luís Filipe Vieira, loucamente, achou o oposto. O presidente do clube não teve dúvidas e agiu contra os próprios conselheiros do clube. Arriscou e ganhou. Um ano volvido e, digo eu, entre 90% a 95% (se não mais) da nação benfiquista não só deseja como exige a continuidade do técnico. O futebol é isto. Ora se tem tudo, ora não se tem nada.

Para a próxima época, o Benfica parte com o “tudo”: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga. Mas, mais do que isso, o Benfica avança para a época 2014/2015 com uma clara vantagem sobre os rivais: somos o único dos três grandes que não efetuou uma mudança de treinador.

E isto, caros leitores, é uma vantagem clara, pelo menos a curto prazo. E facilmente entendemos porquê: em agosto, Jorge Jesus terá cinco épocas de Benfica. Marco Silva terá três meses de experiência de Sporting, os mesmos que Lopetegui terá de FC Porto.

Jorge Jesus é um líder por natureza Fonte: dailyrecord.co.uk
Jorge Jesus é um líder por natureza
Fonte: dailyrecord.co.uk

Mas a questão temporal nada significa se não percebermos a sua utilidade prática. Desde a adaptação ao clube, passando pelo conhecimento dos jogadores, pela adaptação da filosofia de jogo e da formação tática, e até aos níveis de interação com os vários departamentos do clube, tudo isto requer uma otimização do treinador e ao treinador. Como é óbvio, existem muitos outros fatores que determinam o sucesso e o insucesso de um técnico de futebol, como ter um plantel equilibrado e altamente competitivo (JJ que o diga). Mas, acredito, a chave de um clube de futebol sempre caminhou paralelamente à competência e qualidade do seu treinador. Não há revolução sem líder. Aliás, aquele outro excelente treinador português que orienta uma equipa de Londres disse, certo dia, que “é preciso ser um verdadeiro líder para se ter êxito no futebol”. Goste-se ou não, JJ já demonstrou que é um líder nato, um comandante. O problema é que é um líder que também perde. E perde de forma estrondosa. Isso assusta, não é verdade?

De tudo o que referi acima, Jorge Jesus tem experiência, envolvência e conhecimento suficiente para que eu possa afirmar que a sua continuidade é, de facto, uma grande vantagem para o Benfica. Não sou adivinho, mas, daqui a um ano, se o Benfica for novamente Campeão Nacional, facilmente direi que foi aqui que se começou a ganhar o campeonato.

Pedro Beleza

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