O Mantorras Mexicano

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Algum chamaram-lhe sorte, outros talento. Mas o nome de Pedro Mantorras é indissociável a esse campeonato. Entrava, marcava e era um elemento que galvanizava os colegas e o público. Podia até não marcar, mas só o facto de se saber que se podia contar com esse impulso moral já era uma arma poderosa, a que acrescia a sua disponibilidade física, a crença e o espírito de sacríficio que trazia para dentro de campo. São semelhanças a mais com um jogador, também ele camisola 9, que integra o plantel do Benfica. Raúl Jímenez.

Também ele foi decisivo para que o Benfica se sagrasse campeão. No caso, tricampeão, 39 anos depois (3 vezes o número de anos que foi preciso para que o Benfica vencesse o campeoanto de 2005). Foi decisivo em Vila do Conde e em Coimbra, quando o caso estava mal parado para o lado encarnado, com o tempo a fugir e com ele 4 pontos que chegariam para que o campeão fosse outro. Algo a que se agarram os defensores da “corrente de pensamento crítico” que se opõe à justiça do campeão. Terá sido sorte, dizem eles. Foi raça, querer e ambição, respondem-lhes.

A meu ver, podiam apontar exactamente Jímenez como figura ilustrativa desse lema. Jímenez é aquele jogador que vai sempre, que acredita que o outro vai falhar, que não se importa de fazer um sprint até à linha final mesmo que a hipótese de chegar à bola seja mínima. Jímenez entrega-se, de corpo e alma ao jogo. Como Mantorras.

É certo que as comparações terminam aqui, porque, por exemplo, se o 9 actual do Benfica é mais dado à marcação e não se importa com o contacto físico, o antigo era mais fugidio, à procura do drible. Mas a capacidade mental e a forma como ambos encaram cada bola como uma oportunidade, mexendo com as esperanças do público benfiquista, fazem com que sejam perfeitamente comparáveis. Jímenez já se tornou uma espécie de “Mantorras Mexicano”.

Raúl levou isso para fora do contexto clubístico, e há duas madrugadas atrás, entrou no México 1-1 Uruguai. Passados 5 minutos assistia para o 2-1. À beira do fim fechava as contas com outra assistência.

Não terá passado isento, este feito do mexicano. A conversa sobre a justiça do campeão ter-se-á reanimado, incomodando quem está de fora por ver interrompido o seu sossego. Mas o tempo tem valido a pena e os 0,70€ do café são preço justo a pagar pela consciência tranquila de que se aproveitou o dia, tal como Jímenez aproveita cada oportunidade.

Foto de capa: SL Benfica

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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