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O pior jogo da vida de Gabriel

Pedro Cantoneiro · 2 min

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Gabriel teve nos Açores uma das piores primeiras partes da sua vida e mesmo com a melhoria na segunda metade, não mais conseguiu livrar-se da carga negativa de passes falhados em catadupa. Como principal municiador do passe longo e como primeiro construtor de jogo, a tendência será sempre estar mais exposto ao erro e ás circunstâncias exteriores que impedem o bom funcionamento da equipa: o relvado não ajudou e o Benfica não existiu. Gabriel estava condicionado.

É ele quem efectua mais passes por jogo, com a média a cifrar-se nos 68 passes e na taxa de acerto na ordem dos 77%, notável para quem tanto arrisca no passe vertical mas ainda assim um decréscimo acentuado face ao último semestre da temporada transacta (84%). Foi assim que se tornou inevitável o seu destaque na equipa desde que chegou Bruno Lage, que o protegeu no seu duplo-pivot e não o obrigou a ocupar espaços tão avançados como o 4-3-3 de Rui Vitória exigia nem a definições apressadas no último terço: é ali atrás, sobre a linha do meio-campo, que o xerife encarnado gosta de se apresentar ao serviço.

Nos Açores, porém, não foi ele quem chegou para trabalhar. Um duplo? Os números não mentem: a média da eficácia de passe desceu para os 67%, com 13 passes falhados só no primeiro tempo. Gabriel, apesar do que ofereceu em termos defensivos (quatro duelos aéreos ganhos e duas intercepções bem sucedidas), não existiu no plano ofensivo e a equipa ressentiu-se. Com a insistência no passe longo e o final previsível, Pizzi foi obrigado a jogar uns metros mais atrás na procura do apoio ao colega, em movimentos que congestionavam toda a manobra da equipa, já que nem Chiquinho nem Almeida conseguiram compensar na profundidade.

Gabriel agradecendo ao concidadão Carlos o golo que desatou um nó que parecia apertadíssimo
Fonte: SL Benfica

Chico Ramos e Rashid, numa exibição de superação, estiveram também competentes no preenchimento dos espaços e acertaram geralmente nos timmings de pressão, retirando ao ataque do Benfica as ligações pelo corredor central e obrigando a equipa a explorar os corredores como solução para todos os males.

A má forma do brasileiro teve em Ponta Delgada o seu clímax. As condições físicas não parecem as ideais e esperamos que seja uma questão de tempo até voltar à normalidade. O jogo em Leipzig pede o melhor Gabriel para que possa existir o melhor Benfica. Exigem-se os três pontos.

 

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Pedro Cantoneiro

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