O verdadeiro artista

- Advertisement -

sl benfica cabeçalho 1

Andámos décadas a receber dádivas de José Saramago – nunca suficientes por mais que fossem –, obras de arte imensas e intemporais, produzidas, segundo o próprio, como quem pinta uma parede, para agora ouvir pintores de parede afirmarem que produzem algo parecido a uma obra de arte. Neste caso, imensa e intemporal só a falta de noção do ridículo. A arte, a magia, ou qualquer outro termo figurativo do género aplicado ao futebol, exige sempre bola no pé, acontece no interior das quatro linhas; cá fora, simples bastidor para figurantes, a conversa é outra, existe prazo de validade, e quem define se estamos nos oito, nos oitenta ou nos oitenta e oito são somente os resultados.

Existe, no entanto, um actor secundário que, por estes dias, tem feito por merecer as luzes do palco principal: Rui Vitória. O treinador do Benfica, tricampeão, recordista de pontos no campeonato (oitenta e oito), é o principal responsável pela sequência de resultados positivos que valem a liderança no campeonato à 6.ª jornada. Rui Vitória tem sido bem mais que um pintor de paredes, mas uma equipa completa de construção civil – do engenheiro ao servente –, capaz de manter de pé uma casa a necessitar de remendos urgentes, com bons alicerces, é certo, mas ainda de paredes tortas e telhado a descoberto. Perante as dificuldades, Rui Vitória tem encontrado soluções, algumas delas bem originais, engenhosas e corajosas, sem nunca abdicar, todavia, do registo elevado que o caracteriza como treinador e como homem.

Os encarnados têm resistido com sucesso à onda de lesões do plantel Fonte: SL Benfica
Os encarnados têm resistido com sucesso à onda de lesões do plantel
Fonte: SL Benfica

A sua gestão passa por unir o plantel, dar-lhe moderadas doses de tranquilidade e confiança, capacitá-lo de todas as dificuldades, e, muito mais importante, consciencializar todo o grupo daquilo que, neste momento, ela pode verdadeiramente ser – o suficiente que tem de ser –, sem falsas pretensões, usando e abusando do pragmatismo com que se fazem (e mantêm) os campeões. O edifício tem fissuras, mas antes de concluída a requalificação, antes do “onze” ideal surgir à tona, é indispensável vê-lo suportar mais uma ou outra sacudidela – Rui Vitória trabalha nisso, sem lamentos, com eficácia, aguardando pacientemente pelas ferramentas indispensáveis que permitirão a qualidade da habitação.

O Benfica chega ao lugar que lhe pertence, numa fase algo surpreendente, não só pelo flagelo das lesões (que, semanalmente, afasta do jogo parte significativa da equipa titula), mas também pelo fulgor patenteado pelo seu principal concorrente – comprovado, sobretudo, no jogo de Madrid. Como tal, a naturalidade da ocorrência – feita tanto de mérito próprio, como de demérito alheio (e não é esta a fórmula habitual?) –, permite-nos, por esta altura, reforçar a confiança num novo desfecho positivo. A toada denota assertividade; e a margem para fazer mais e melhor é praticamente uma certeza, embora, por agora, seja impossível de calcular – a recuperação de jogadores como Jonas, Jardel, Samaris ou Raúl Jiéenez, bem como a evolução física e táctica de outros, permitirá, certamente, alavancar o nível exibicional da equipa, garantindo as condições necessárias para alcançar os objectivos desta temporada.

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Anatoliy Trubin deixa mensagem antes dos compromissos da Ucrânia: «Confia no trabalho»

Anatoliy Trubin deixou uma mensagem de confiança nas redes sociais, após rumar à seleção ucraniana.

«Quero abrir o leque e explorar mais a qualidade dos jogadores de outros países e continentes» | Entrevista Bola na Rede a Ricardo Pessoa

Ricardo Pessoa é um antigo internacional jovem português, com vários anos de experiência nos relvados da Primeira Liga, muitos deles ao serviço do Portimonense. No final da carreira, desempenhou funções como treinador-adjunto no clube algarvio, antes de iniciar o seu percurso como treinador principal. Destacou-se no comando do Lusitânia dos Açores, promovendo o emblema açoriano até à Liga 3, com passagens pelo Lusitano de Évora, Amora e um regresso ao Portimonense, onde assumiu a liderança da equipa principal.

Fábio Silva recorda saída do FC Porto: «É uma mágoa muito grande para mim a forma precipitada como saí»

Fábio Silva falou aos jornalistas e recordou a saída do FC Porto, rumo ao Wolverhampton em 2020/21.

Santiago Giménez no México: «A seleção vai num bom caminho»

Santiago Giménez está entre os convocados da Seleção do México para os próximos jogos e já se encontra pelo país.

PUB

Mais Artigos Populares

Kylian Mbappé explica escolha pelo PSG e revela que esteve perto de um clube da Premier League: «Sim, estive perto»

Kylian Mbappé recordou as negociações com o Liverpool em 2017 e explicou que chegou a ouvir o projeto de Jurgen Klopp antes de ir para o PSG.

Fábio Silva: «Sou um jogador que pode recuar no campo para fazer ligações»

Fábio Silva projetou o encontro entre Portugal e País de Gales, referente à 1.ª jornada da Liga das Nações.

Antigo internacional italiano analisa as decisões de Ruben Amorim: «Há muitos jogadores bons e acho que colocou em campo os melhores»

Giuseppe Bergomi deixou a sua opinião sobre as decisões de Ruben Amorim. O antigo jogador do AC Milan falou após a vitória dos rossoneri frente ao Lecce.