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Os cães ladram e a caravana passa

Tiago Caeiro · 4 min

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Ainda nada está ganho. Faltam duas jornadas e temos de manter a concentração e o respeito pelos nossos adversários até ao fim. Ao mesmo tempo que admito a minha descrença no início desta época em relação à possibilidade de o Benfica vir a ser campeão, também confesso alguma ansiedade pelo próximo fim-de-semana. Se tudo correr bem, a festa descerá de Guimarães para Lisboa, num passeio triunfal que consagrará campeã aquela que foi, sem dúvida, a equipa que melhor futebol praticou esta época.

Basta lembrar a irregularidade exibicional do FC Porto no início da temporada (equipa que era apontada quase por unanimidade como a favorita a conquistar o campeonato) e o facto de o Benfica ser líder desde a 5ª jornada (está na frente, portanto, há 27 jornadas consecutivas!) para se perceber quem merece ser campeão. Temos visto nos últimos dias o nervosismo a crescer a norte. E percebe-se porquê. Primeiro, porque o Benfica não mais vacilou desde a derrota em Vila do Conde e, para além disso, tem aperfeiçoado a máquina goleadora e mantido a qualidade do seu jogo num nível alto. Segundo, porque a narrativa do colinho já caiu há muito tempo (vão-se sucedendo os jogos em que não há casos de arbitragem a registar) e agora falta outro argumento extra-jogo para colocar em causa a liderança do Benfica. Terceiro, porque vão ficando para trás os anos em que os troféus ficavam na Invicta (o mais provável é o FC Porto não voltar a ganhar rigorosamente nada este ano) e a hegemonia do futebol português parece agora estar a virar-se para sul e a ganhar tons de vermelho.

Não fui capaz de conter o sorriso quando li, ainda esta semana, um artigo publicado aqui no Bola na Rede, intitulado “Parabéns, Coli…Benfica!”, em que o seu autor, numa luta constante para contrariar o tão famoso provérbio popular “o pior cego é aquele que não quer ver”, aponta várias razões pelas quais acredita que o Benfica não será um justo campeão nacional. Apenas por razões de falta de espaço, comentarei apenas as mais ridículas. Salta à vista a acusação de que a FPF ansiava pelo bicampeonato dos encarnados. Este argumento, se é que chega a sê-lo, é facilmente neutralizado pelo facto de o atual presidente da FPF ter estado, durante quase 20 anos, ligado ao FC Porto. Depois, assiste-se ao já habitual ataque a Maxi Pereira, sem nunca ser referido o nome de Casemiro, que muitas vezes leva a agressividade para lá das regras. O autor fala também das arbitragens, aquelas que, acusa, têm cometido erros atrás de erros a favor do Benfica, expulsaram demasiados jogadores dos adversários do Benfica e, pasme-se, até validaram um golo em fora-de-jogo que permitiu aos encarnados garantirem 3 pontos.

O verdadeiro "colinho" do Benfica é este Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O verdadeiro “colinho” do Benfica é este
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Embora o autor deste texto peça a quem o lê para que não fale do escândalo do Apito Dourado, escutas telefónicas, caso da fruta e demais ilegalidades em que Pinto da Costa e os dirigentes do FC Porto estiveram envolvidos durante anos, é inevitável que se fale nestes casos, ou melhor, nestes processos. Processos porque se tornaram casos judiciais, que resultaram em condenações e multas e cujas provas que sustentaram a acusação são públicas: as escutas telefónicas. Apesar de os portistas virarem a cara para o lado e taparem os ouvidos quando se deparam com elas, as escutas não desaparecem; continuam a existir e não são mitos nem fantasias. É verdade que o Benfica ganhou 1-0 ao Gil Vicente com um golo irregular, como também é verdade que o FC Porto ganhou em Penafiel marcando três golos irregulares.

Na grande maioria dos jogos em se diz que o Benfica terá sido beneficiado, os eventuais erros do árbitro nem sequer influenciaram o resultado final. E se em muitos jogos o Benfica ficou a jogar contra 10 foi porque os jogadores adversários não encontraram outra solução para suster o poder do Benfica se não recorrer às faltas. O autor do texto acima citado garante que em todos os jogos em que os encarnados ganharam com alguma dificuldade houve sempre ajudas da equipa de arbitragem, para, de seguida, afirmar que o Benfica deveria ter, pelo menos, menos 10 pontos na classificação. Enfim, adiante. Saltemos para a parte em que, e já no fim do artigo, se arranca, a ferros, um esclarecedor “PARABÉNS, BENFICA”.

Tenho a sensação de que depois daquela que, acredito, será uma vitória histórica, porque nos levará ao 34º campeonato nacional, a caravana do título viajará em festa em direção à capital, espalhando os festejos a todo o país e a todas as comunidades portuguesas por esse mundo fora. À passagem pelo Porto, a caravana não vai parar. Aplicar-se-á o lema “Deixem passar o maior de Portugal”.

Tiago Caeiro

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