Os opostos atraem-se | Benfica x Braga

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Taça da Liga, Meia-Final: quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, 20h00.

A ANTEVISÃO: BENFICA QUER REVALIDAR TÍTULO, BRAGA QUER VOLTAR A SER FELIZ

Tenho para mim que Benfica e Braga querem coisas completamente diferentes do jogo, e por isso mesmo, voltam-se a enfrentar semana e meia depois. É mesmo verdade, os opostos atraem-se. Neste caso, atraem-se tanto figurativamente, como literalmente, dentro de campo. O carrossel minhoto e a pressão homem a homem do Benfica desenham um belo de um jogo à la gato e rato. 

Recuando a cassete para o jogo na Pedreira, percebemos que o mesmo entregou exatamente aquilo que prometeu e mostrou-nos como cada uma das equipas se comporta quando exerce controlo sobre a outra: nos primeiros 45, o Benfica teve muitas dificuldades na pressão, os movimentos constantes dos jogadores bracarenses deixavam os jogadores do Benfica com dúvidas se acompanhavam o jogador ou mantinham a sua posição – como aconteceu com Pau Victor e Tomás Araújo. Desta forma, a equipa da casa conseguia bater a pressão e instalar-se no meio-campo adversário, jogando como queria e fazendo proveito de dinâmicas ofensivas entre Zalazar, Pau Victor e Ricardo Horta.

Por outro lado, os segundos 45 foram completamente diferentes. O Benfica, além de acertar a pressão (elemento fundamental do seu jogo), conseguiu desbloquear Sudakov para o jogo e permitir ao ucraniano ter mais tempo e espaço com bola nos pés, podendo ver o jogo e organizá-lo. Com critério e pausa, os visitantes foram capazes de empurrar o Braga ao seu meio-campo. 

Já tendo um jogo como amostra, será interessante perceber como as duas equipas entram para este jogo, sabendo que são antagónicas desde já: o Braga é a equipa que mais dúvidas causa na pressão adversária e o Benfica é uma equipa que precisa da pressão para exercer controlo. Sem dúvidas, a equipa que melhor preparar o jogo e fazer o seu plano inicial sobrepor-se ao adversário vai dominar a primeira parte da partida. 

Querendo forçar transições, não me admiraria de ver um 11 inicial escolhido por José Mourinho semelhante ao último encontro frente ao Braga, com mais elementos confortáveis no momento de pressão, como Barreiro e Aursnes. Esta tese também é suportada pelo facto de Aursnes ter sido recompensado com minutos no banco no passado encontro frente ao Estoril, com José Mourinho a admitir a importância que o jogador tem e a mostrar preocupação pela sua condição física. Sabendo que o Braga ludibria bem a pressão adversária, deverá ser comum vermos o Benfica a estacionar em bloco médio.

Lopes Cabral também já é uma opção válida e que pode desempenhar um par de funções. A haver espaço pela ala direita, a ideia de ter Sudakov a fletir para o meio com o ala a aproveitar o espaço pode ser rica para o jogo encarnado. Também, manter a solidez defensiva de Dahl e ter Lopes Cabral mais à frente, talvez até libertando Sudakov, é uma outra opção que agora existe para José Mourinho.

Em relação ao Braga, creio que se vai apresentar igual a si próprio. É uma equipa que se tornou complicada de pressionar e de jogar contra, dada a variabilidade de saídas que possui e do constante movimento de jogadores confortáveis em fazê-los (Ricardo Horta, Pau Victor), bem como jogadores cómodos taticamente, como é Zalazar ou pela experiência e critério de João Moutinho.

Nessa mesma perspetiva, a equipa minhota irá querer repetir os eventos dos primeiros 45 minutos do último jogo entre as equipas. Há semana e meia, o Braga carregou o lado esquerdo do Benfica e colocou vários jogadores no corredor da bola, determinando este lado como o lado fraco da equipa lisboeta e aproveitando fragilidades defensivas de Dahl, que esteve num dia não.

Podendo antever um Benfica não tão alto no terreno, mas sim estacionado em bloco médio, procurando retirar a saída de pressão como ponto forte à equipa minhota, o Braga terá que pensar em popular o corredor central para desbloquear armas nos corredores laterais, como, por exemplo, Leonardo Lelo.

O árbitro nomeado é João Pinheiro.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Será o primeiro “jogo grande” português do ano de 2026.
  2. O Benfica de José Mourinho não perdeu nos últimos 11 jogos.
  3. Os dois últimos vencedores da competição enfrentam-se nesta meia-final.
  4. O Benfica é o maior vencedor da Taça da Liga, com oito títulos, o Braga conquistou três vezes o troféu
  5. Nas três meias-finais em que Benfica e Braga se encontraram, a contar para a Taça da Liga, o Braga seguiu em frente por duas vezes
  6. O último jogo da Taça da Liga entre estas equipas também foi uma semifinal e as equipas também se tinham defrontado dias antes, desta vez no Estádio da Luz. Tal aconteceu na época passada.
  7.  Para chegar até aqui, a equipa minhota goleou o Santa Clara por 5-0.
  8. Poderá ser o último ano em que a Final Four da Taça da Liga é jogada em Portugal.
  9. O Benfica bateu o Tondela por 3-0 nos quartos de final da prova, repetindo o resultado que já tinha feito no campeonato.
  10. Nenhum jogador destas equipas marcou por duas vezes, até ao momento, na competição.

JOGADORES A TER EM CONTA

Ricardo Horta Braga
Fonte: Edmilson Monteiro/Bola na Rede

Ricardo Horta – Não só por ser o capitão, é uma das grandes caras do Braga nos últimos 10 anos. Ano após ano, tem mantido consistência exibicional e estatística que o levou à seleção nacional. Sob o comando de Carlos Vicens, tem muita liberdade de movimentos e opera quase exclusivamente no último terço, vindo para dentro, tabelando com colegas e aparecendo em zonas de finalização, onde gosta de estar.

Por ser um símbolo do clube e por teimar em envolver-se com a baliza, é um destaque da partida e um jogador que pode fazer a diferença.

Georgiy Sudakov Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Sudakov – Mesmo fora de posição, é Sudakov quem faz a equipa do Benfica parar um bocado e circular a bola com clareza. Verdade seja dita, esteve muito aquém das expectativas na receção ao Estoril, mas já frente ao Braga tinha dado um perfeito exemplo do que consegue fazer quando tem a bola nos pés, basta lembrarmo-nos da segunda parte do jogo na Pedreira. Sudakov é o critério que o Benfica precisa, mas que ainda o amarra a uma ala. Não obstante, se o Benfica é mandão no jogo, é o ucraniano quem tem a bola.

Caso o Benfica consiga impôr-se ao Braga como fez nos segundos 45 há semana e meia, será porque Sudakov está a fazer um bom jogo.

XI´s PROVÁVEIS

Benfica: Anatoliy Trubin, Dedic, Otamendi, Tomás Araújo, Lopes Cabral, Manu, Richard Ríos, Aursnes, Sudakov, Barreiro, Pavlidis

Treinador: José Mourinho

«Não sabemos se vamos ganhar nem se chegamos à final, se a perdemos ou ganhamos. Não gosto de ver as coisas nesse sentido. Suficiente é fazer o que fazemos, chegar ao limite do que temos para dar como treinador, jogadores ou assistentes».

Braga: Tiago Sá, Victor Gomez, Vitor Carvalho, Arrey-Mbi, Leonardo Lelo, Moscardo, Moutinho, Zalazar, Dorgeles, Ricardo Horta, Pau Victor

Treinador: Carlos Vicens

«Temos de ter confiança e motivação para fazermos um bom jogo e fazer os possíveis para ganhar, para podermos estar na final».

PREVISÃO DE RESULTADO: Benfica 2-1 Braga

Rui Gonçalves
Rui Gonçalves
Licenciado em Sociologia, o Rui Gonçalves aborda o futebol dentro e fora das quatro linhas. Através de um olhar crítico, escreve sobre tática, gestão desportiva e os seus impactos individuais e sociais.

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