📲 Segue o Bola na Rede nos canais oficiais:

Quando o futebol abafa o resto

- Advertisement -

raçaquerer

No último sábado, o Estádio da Luz encheu para ver mais um jogo na longa caminhada para o título. Naquela tarde soalheira de Inverno, juntaram-se famílias, fizeram-se romarias até à capital, vindas de todos os pontos do país, na esperança de que o regresso a casa decorresse em clima de festa. E como é bonita a Catedral com todas as bancadas preenchidas… Festejaram-se dois golos, um em cada parte, reveladores da qualidade do adversário, mas também do poder ofensivo do Benfica, que, em casa, tem construído, para deleite dos adeptos, várias goleadas. Quase tão importante como ganhar era jogar bem. E foi isso que aconteceu. Mais uma vez a equipa mostrou a sua solidez defensiva.

Pouca gente diria no início da época, e perante a perda de Garay e Siqueira, que o registo de golos sofridos pudesse ser melhorado. Para isso muito contribuiu a chegada de Júlio César, cuja contratação eu mesmo critiquei. Felizmente estava errado e agora sinto que a baliza não podia estar em melhores mãos. Mas o Benfica é claramente uma equipa montada para marcar golos. Veja-se a dinâmica que os laterais dão ao ataque. Maxi e Eliseu estão permanentemente a apoiar Gaitán e Salvio. Com quatro extremos, as triangulações são constantes e baralham os defesas adversários.

Mas também o contra ataque está muito bem trabalhado. Jonas e Lima seguram a bola de costas ainda dentro do meio campo defensivo e depois lançam o passe em profundidade nas alas por onde entram os médios criativos. Contra o Braga, os encarnados fizeram 21 remates, número que ainda não tinha sido atingido nesta temporada. Muitos fizeram levantar os adeptos da cadeira para depois darem lugar a rostos de frustração pelo facto de a bola não ter entrado. É por isto que o futebol é tão amado e respeitado: porque cria ansiedade quando a bola se aproxima das balizas, porque faz esquecer os problemas pelo menos durante hora e meia, porque é o pretexto ideal para unir a família ou os amigos. Então quando se fala de um jogo entre o 1º e o 4º classificados a um sábado às cinco da tarde, torna-se quase irresistível.

Adeptos de todo o país fazem centenas de quilómetros até à Luz Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Adeptos de todo o país fazem centenas de quilómetros até à Luz
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Se há situações em que gosto de estar totalmente errado, é naquelas em que vaticino o insucesso de um jogador e depois esse atleta consegue surpreender e ficar no onze inicial. Foi o que aconteceu com Pizzi. Poderia ter sido apenas mais um dos muitos casos de jogadores portugueses (Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, Nélson Oliveira, João Cancelo, Bebé, André Gomes) ou estrangeiros (como Djuricic, que na semana passada concedeu uma entrevista ao jornal Record em que acusava Jorge Jesus de não ter acreditado no seu valor) que acabaram por ser emprestados, nalguns casos bem de modo a ganharem ritmo competitivo, ou mesmo vendidos. Pizzi esteve em Espanha, voltou, Jorge Jesus acreditou que poderia estar ali uma razoável alternativa para colmatar a saída de Enzo, mas nos primeiros jogos a aposta parecia estar condenada ao fracasso.

No entanto, com o passar dos jogos, e também devido à inexplicável queda de forma de Talisca, o transmontano foi ganhando conhecimentos táticos, que o treinador tanto valoriza, foi melhorando a organização dos ataques e tem vindo a melhorar também no plano defensivo, com inúmeras recuperações de bola. É justo dizer-se que atrás de si tem contado com a preciosa ajuda de Samaris, que tem vindo a melhorar significativamente. Não tenho dúvidas de que na próxima época JJ o vá transformar noutro Javi ou Matic. O potencial está lá.

Quem ainda tem dúvidas sobre qual é a equipa que neste momento melhor futebol pratica em Portugal tem um de dois problemas: ou não tem visto jogos nos últimos três meses ou então está amarrado por um pretensiosismo clubista que lhe distorce a visão. Acho curioso que os mesmos indivíduos que se apressam a apontar os erros de arbitragem que favorecem o Benfica tenham agora mantido o silêncio perante dois penáltis por marcar em Arouca a favor dos encarnados e mais dois contra o Braga. Agora, enquanto vão assistindo, com grandes doses de tédio, às exibições fraquinhas das suas equipas, entretêm-se a contabilizar os pontos que o Benfica teria a menos se tivesse acontecido isto e aquilo.

O que vale é que se conjuga tudo no modo condicional e não no indicativo. A realidade é que o glorioso está no melhor momento da época, a jogar um futebol vistoso, rápido, criativo, que alguns jogadores querem parar de forma agressiva: daí o elevado número de cartões vermelhos que são mostrados aos nossos adversários, a maioria, convém dizer isto, para evaporar mais umas acusações, quando o resultado já lhes é desfavorável. Entretanto, os bilhetes disponíveis para a deslocação a Vila do Conde já voaram. Já mal se ouvem as lamúrias do costume na estrada rumo ao título.

Tiago Caeiro
Tiago Caeirohttp://www.bolanarede.pt
É frequente dar por ele a contar as horas até começar o próximo jogo do glorioso Benfica, que não perde por nada. Lá fora, apoia Arsenal, Milan e Bayern só porque os seus jogadores vestem a magnífica cor vermelha.                                                                                                                                                 O Tiago não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Manter a invencibilidade na Invicta | FC Porto x Estoril

O favoritismo do FC Porto neste embate é praticamente inegável, com a turma de Farioli num momento positivo da temporada

Flamengo vence Palmeiras de Abel Ferreira e conquista Taça Libertadores

O Flamengo venceu a final da Taça Libertadores. Na final, disputada em Lima, o Rubro-Negro derrotou a equipa de Abel Ferreira.

O dérbi antes d’O dérbi | Sporting x Estrela da Amadora

Há dez jogos sem perder para todas as competições, o Sporting quer continuar a morder os calcanhares ao FC Porto

Florentino Luís alcança a marca dos 300 jogos na carreira profissional

Florentino Luís chegou, este sábado, aos 300 jogos na carreira profissional, no encontro do Burnley frente ao Brentford, na Premier League.

PUB

Mais Artigos Populares

João Almeida acusa pelotão de falta de respeito: «Não se preocupam realmente com os acidentes»

João Almeida atribuiu a responsabilidade das quedas recentes em descidas à falta de cuidado por parte dos seus colegas.

Atlético Madrid multado pela UEFA por «atos racistas» no jogo frente ao Arsenal

O Atlético Madrid recebeu uma multa da UEFA de 30 mil euros devido a «atos racistas» por parte dos adeptos no jogo contra o Arsenal.

Xabi Alonso reage aos comentários de Joan Laporta: «Conhecemos bem as mensagens populistas»

Xabi Alonso reagiu aos comentários de Joan Laporta sobre o Real Madrid. O técnico abordou o tema na antevisão ao duelo frente ao Girona.