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Ser sonhador

Pedro Beleza · 2 min

Ser sonhador

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Só há duas formas de ficar na história de um clube: pelo sucesso ou pelo fracasso. É um facto inquestionável. Podemos até dizer que é “a lei do futebol”. Se o sucesso de um presidente, de um treinador e de um ou vários jogadores é facilmente visível nos almanaques, livros e museus do clube, o insucesso fica, invariavelmente, marcado na memória dos sócios e adeptos.
Voltando atrás no tempo, em junho de 2010, após a forma espetacular como o Benfica conquistou o Campeonato Nacional, o meu pensamento foi só um: Jorge Jesus vai ficar na história deste clube. Vai ser um vencedor.

Estava longe de imaginar o que se iria passar nos três anos seguintes. Humilhações à parte, na última época – aquela que mais cicatrizes deixou no ego encarnado – o Benfica de Jorge Jesus perdeu a liderança da Liga Zon Sagres, uma final da Liga Europa e uma final da Taça de Portugal em… duas semanas. Devastador, sem dúvida alguma. A ideia de um Jorge Jesus histórico e imortal nos livros benfiquistas era agora transformada num pessimismo nítido de que aquela equipa seria recordada pela piores razões.

Volvido um ano (ou quase), é ainda uma árdua tarefa entender o que realmente se passou naqueles 15 dias. Como é que um coletivo daqueles, a jogar um futebol brilhante, deixa fugir tudo? Enganaram-nos durante toda uma temporada? Os “porquês” são muitos, mas não menos do que os “ses”: se Carlos Martins não tivesse sido expulso; se Artur fosse um bocadinho mais comprido; se Jardel não tivesse oferecido o canto… Caso queira, a lista aumenta exponencialmente – que o diga a minha almofada, que tantos “ses” partilhou comigo.

O momento da conquista do último título nacional  Fonte: lavozdelinterior.com.ar
O momento da conquista do último título nacional
Fonte: lavozdelinterior.com.ar

Mas a verdade é que, um ano depois, o mesmo Jorge Jesus e a mesma equipa (com alguns reajustamentos, é verdade) estão a pouquíssimos jogos de regressar a uma situação em tudo igual à do ano passado: a possibilidade de vencer tudo.
O Benfica está praticamente nas meias-finais da Liga Europa, está a um jogo de alcançar a final da Taça de Portugal e precisa de “apenas” três vitórias para se consagrar campeão nacional. Independentemente dos adversários, o Benfica (e reforço a ideia de que é praticamente a mesma equipa de há um ano) tem tudo para fazer história. Uma história com final feliz. Uma história de orgulho, de superação, de vencedores. Não querendo ser injusto para quem teve/tem o mérito de levar o símbolo do nosso clube tão longe, este é um comboio que passou duas vezes. É uma oportunidade de ouro para repor alguma justiça e verdade ao final da época passada.

Não escondo que sinto a equipa confiante, madura e concentrada. Sou, contudo, intolerante com excesso de confiança e desrespeito pelo adversário (ora, talvez aqui esteja outro “porquê”). É por esta razão que a política do “jogo a jogo” nunca fez tanto sentido. Sabemos perfeitamente qual é o percurso até ao destino mais desejado e, por isso mesmo, temos a obrigação de ser mais fortes.
Porém, por muito que a lógica me diga o contrário, o meu coração só deseja a glória sublime. Só deseja justiça completa. Só quer ganhar. Só quer que este Benfica viva para a eternidade.

Sou um sonhador.

Pedro Beleza

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