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SL Benfica | A consolidação da muralha encarnada

Gonçalo Batista · 2 min

O SL Benfica está cada vez mais sólido defensivamente
Foto: Carlos Silva/ Bola na Rede

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Nos últimos jogos temos visto um melhoramento no nível exibicional da equipa do SL Benfica. Se ofensivamente a equipa vai crescendo lentamente, a nível defensivo as melhorias são muito mais evidentes. Nos primeiros 25 jogos da época, a equipa de Jorge Jesus sofreu golos em 14 deles. Em sete desses jogos, os encarnados sofreram dois ou mais golos.

Contrariamente, nos últimos seis jogos para a Primeira Liga, o SL Benfica conseguiu manter a sua baliza a zeros. A marca de dois golos sofridos nas últimas oito partidas para a competição é já um valor respeitável. A que é que se deveu esta alteração tão drástica no desempenho do setor defensivo das “águias”?

Antes de mais, Jorge Jesus implementou mudanças na organização defensiva da equipa. Mesmo continuando a alinhar no habitual 4-4-2 (ou 4-4-1-1) a equipa passou a defender muitas vezes num 4-3-3. O extremo do lado da bola saia na pressão, enquanto que o extremo do lado contrário ao do esférico juntava-se aos homens do meio campo formando uma linha de três. Se o esférico estiver no lado direito, o avançado mais descaído para a esquerda bascula para cobrir a ala esquerda permitindo assim ao extremo recuar.

Este tipo de posicionamento permitiu ao SL Benfica condicionar de forma mais eficiente a primeira fase de construção do adversário e impedir a desvantagem numérica no meio campo. Para além das mudanças táticas, o incremento exibicional a nível defensivo deveu- se a alguns bons momentos de forma e também a algumas entradas chave na equipa.

Julian Weigl assumiu definitivamente o lugar de “número seis” nesta equipa. O alemão continuou a demonstrar-se vital na construção ofensiva, mas amentou muito a sua produtividade defensiva sobretudo através da leitura de jogo e dos espaços. Otamendi, depois de cometer vários erros diretamente ligados a golos sofridos ou situações de finalização, foi subindo gradualmente o seu nível exibicional. O central argentino tornou-se num dos jogadores mais importantes da equipa.

A chegada de Lucas Veríssimo veio garantir uma alternativa de grande nível a Otamendi e Vertonghen e permitir a Jorge Jesus alinhar o tão desejado esquema com três centrais. O ex-Santos FC tem-se apresentado de forma muito positiva, tendo já ganho um lugar de destaque no plantel.

Helton Leite relegou Vlachodimos para o banco
Helton Leite tem sido decisivo no controlo da profundidade
Sebastião Rôxo/ Bola na Rede

No entanto, para mim, uma das razões do melhoramento da manobra defensiva foi a entrada direta de Helton Leite para o onze. Podemos discutir a qualidade entre os postes de Vlachodimos e Helton Leite, mas é inegável que o guardião brasileiro tem muito mais qualidade a sair da baliza.

No início da temporada, o SL Benfica foi absolutamente bombardeado com bolas nas costas da sua (já lenta) linha defensiva. Com uma equipa que joga com a linha defensiva tão alta, é absolutamente necessário ter um guardião que saiba controlar bem a profundidade (veja-se o que faz Matheus no SC Braga).

Odysseas não é capaz de proporcionar segurança neste capítulo do jogo. Se é inegável que o guardião grego salvou muitas vezes os encarnados com defesas de levado grau de dificuldade, também é verdade que muitas vezes se viu obrigado a realizá-las devido ao fraco controlo da profundidade.

A equipa das “águias” tem melhorado muito a sua forma de defender. No entanto, continuo a achar que existem ainda algumas lacunas a limar, como as bolas paradas defensivas e o controlo dos cruzamentos.

Gonçalo Batista

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