SL Benfica | Pré-época completa, o que esperar a seguir?

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A vitória frente ao Rennes (2-0), no passado sábado, representou o culminar de uma pré-temporada bem sucedida para o SL Benfica, que contou por vitórias os sete jogos realizados, com saldo muito positivo de golos (23-4) e as boas indicações que todos esperavam, ainda que a equipa não apresente já os índices competitivos no auge, dada a qualidade do plantel e de quem o dirige.

Jorge Jesus chegou, à semelhança de 2009, a prometer multiplicações na qualidade de jogo – desta vez, o triplo –, mas a equipa, fruto das exigentes cargas físicas do técnico, não conseguiu ainda produzir o futebol entusiasmante que se espera, ainda que as melhoras a nível defensivo tenham sido observáveis desde o primeiro encontro de preparação.

A linha recuada absorveu de imediato as noções de organização do staff e a sincronização do primeiro quarteto foi visível na aplicação da armadilha de fora-de-jogo: o SC Braga foi a principal vítima, com os seus atacantes a serem apanhados inúmeras vezes em posição irregular de forma quase caricata.

Ainda que nem sempre os prováveis titulares estivessem disponíveis, os substitutos apresentavam altos índices de concentração e demonstraram competências válidas para lutar por um lugar.

Os reforços Gilberto e Verthongen tiveram sortes diferentes – à direita, o brasileiro não apresentou ainda motivos que façam destronar André Almeida da titularidade, enquanto que o experiente belga assegurou imediatamente lugar ao lado de Rúben Dias, aproveitando a lesão de Jardel e o eclipse de Ferro.

À esquerda, a lesão de Grimaldo foi propícia para a continuidade de Nuno Tavares, que intercalou bons pormenores e exibições com momentos de fragilidade, e para a aparição de Franco Cervi como solução na traseira esquerda, materializando opiniões de diversos quadrantes da massa adepta que viam na disponibilidade física do argentino justificação para um recuo no campo.

O meio-campo foi o sector com mais alterações forçadas, dada a quantidade de soluções de qualidade. Weigl encabeçou o núcleo de apostas totalitárias, cumpriu todas as titularidades e foi observando a dança de cadeiras à sua frente: Taarabt foi mais vezes aposta, mas Gabriel e Florentino surgiram largos minutos em campo e até Pizzi experimentou a posição ‘8’, ainda que sem resultados práticos que motivem repetição da aposta.

O português conseguiu os melhores números da carreira no lado direito e, após um 2019-2020 a grande nível, as pretensões de Jorge Jesus em colocá-lo no centro do terreno parecem concluir em opção única: o lugar de segundo-avançado, libertando Luís Miguel da exigência física e da preocupação defensiva. O que resultou, já que surgiu em grandíssimo plano no apoio ao último homem e relegou, para já, o alemão Waldschmidt para o banco de suplentes.

Morato, Gonçalo Ramos e João Ferreira vão crescendo na companhia dos mais velhos, depois da excelente caminhada na Youth League
Fonte: SL Benfica

Nas alas parece não existir grande dúvida: Everton Cebolinha e Rafa são craques de nível internacional e será questão de tempo até assegurarem totalmente lugar cativo no onze. Isto apesar dos jogos menos bem conseguidos por parte do português, que terminou a época transacta irreconhecível e que demora a voltar ao nível que atingiu com Bruno Lage, em 2018-19.

Pedrinho é um dos nomes à espreita dessa eventual quebra de rendimento, brasileiro que aterrou na Luz com selo Corinthians e que não tardou em mostrar pormenores técnicos de elevado gabarito: mas não é só essa a sua principal valência, há outros pressupostos com os quais exige minutos logo à partida, como a noção tática invulgar para um fantasista brasileiro e a disponibilidade para ocupar várias posições no último terço.

Jota, uma das grandes esperanças, parece cada vez mais relegado a posto solitário nas masmorras da inutilização, fala-se insistentemente em empréstimos para o estrangeiro: o Record noticiava esta semana a possibilidade de West Ham e Everton serem os clubes do português na próxima temporada, depois do fugaz interesse do Valência.

Lá na frente, Dyego Souza é carta fora do baralho, compreensivelmente. O brasileiro nunca demonstrou aptidões para ser solução válida às eventuais quebras de rendimento de Seferovic e Vinícius, e o cancelamento do seu empréstimo parece o mais provável desenrolar da sua situação.

Quanto aos outros dois, experienciaram minutos que baste para mostrar serviço – o suíço mostrou competências físicas para as funções que Jorge Jesus pede aos seus avançados, tanto na exploração da profundidade como na agressividade em momento de pressão –, mas a chegada de Darwin Nuñez parece remetê-los para papel secundário.

Carlos Vinícius foi figura, bisou frente ao SC Braga, mas a insistência da comunicação social na sua saída por valores avultados é fumo de um fogo que vai ardendo sem grandes desenvolvimentos, ainda que o encaixe financeiro que a transferência poderia representar seria apenas e só para libertar o clube dos limites do fair-play financeiro e encarar o mercado com renovada abordagem.

O jogo da próxima terça-feira, frente ao PAOK de Abel Ferreira, será o primeiro grande teste de uma equipa de quem se espera grandes feitos. Tudo o que não seja uma vitória no Toumba será visto como fracasso monumental.

Três dias depois joga-se a jornada inicial da Primeira Liga em Famalicão, e será fundamental encarar esse jogo com almofada emocional que só um sucesso na Grécia poderá disponibilizar, libertando um grupo de jogadores da pressão monumental que as peripécias e fracassos de 2019-2020 entregam.

Artigo revisto por Joana Mendes

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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