Somos quase 10 milhões

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Alguma comunicação social – com destaque para alguns especialistas disto e daquilo –, alinhou por quem fala mais grosso e mais esbraceja, por muito que os discursos proferidos redundem, invariavelmente, num imenso vazio. Numa jornada de Taça da Liga marcada pela inexperiência das equipas de arbitragem, da qual resultaram inúmeros erros, no Estádio da Luz o Benfica contornou um golo mal anulado e um penálti não assinalado com bom futebol, quatro golos e a consolidação do 1.º lugar do seu grupo, confirmado, de resto, com naturalidade, na visita seguinte a Guimarães.

É um bom exemplo do que um “grande” pode e deve fazer, mesmo que recorrendo aos seus jovens valores – reduzindo cautelosamente a média de idades das suas equipas, caso seja necessário –, ou jogadores menos utilizados, numa prova disputada, nesta fase, não por eliminação, como alguns convenientemente crêem, mas em três jornadas, disputadas num curto espaço de tempo, onde o sucesso se mede, sobretudo, pela regularidade de cada participante.

No dia seguinte, as primeiras páginas navegaram voluntariamente pelo lamaçal, dando eco às palavras e aos gestos de quem perdeu o jogo, a própria prova, e a decência. Tratou-se de legitimar as tristes figuras de dirigentes e treinadores, acompanhados, em idêntica escala de ridículo, por vários jogadores, dentro e fora do campo – pois o exemplo vem de cima.

Como tudo está bem no FC Porto e no Sporting, como as razões das péssimas exibições e dos péssimos resultados – pese os efeitos visíveis, neste regresso do campeonato, da pressão exercida sobre os árbitros –, se devem, exclusivamente, a factores externos, produzidos, essencialmente, por uma tal de eminência parda omnipresente e omnipotente, não se adivinham grandes alterações nas respectivas estruturas. Os sócios e adeptos do FC Porto e Sporting vão “engolindo”, dia após dia, todo este populismo e toda esta demagogia – e agora, já sabem: se pintarem paredes ou votarem nas alternativas é porque não amam verdadeiramente o vosso clube. Pior: é porque são benfiquistas, como eu.

Foto de capa: SL Benfica

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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