Desmistificar o problema

- Advertisement -

Topo Sul

No futebol actual os lances de bola paradas são cada vez mais decisivos para a construção de um bom resultado e, por isso, algo com que qualquer treinador se preocupa em trabalhar nos treinos. Hoje em dia é raro assistir a um jogo em que as equipas não criam perigo através de cantos, livres, lançamentos laterais e, muitas das vezes, esses mesmos lances são traduzidos em golo.

Quando falamos em bolas paradas entende-se que nos referimos aos lances defensivos e ofensivos. Para qualquer uma das variantes as equipas despendem muito tempo e dedicação, dadas as exigências do futebol contemporâneo. Para algumas formações, essas situações são mesmo o seu “abono de família”, a sua especialidade, a forma de criar mais perigo. Sobretudo as equipas ditas pequenas recorrem a este tipo de lances para disfarçar as suas debilidades técnicas e assustar os adversários tidos, na teoria e muitas vezes na prática, como mais fortes e com melhores recursos. Nós, Benfica, como equipa grande e respeitada que somos, estamos constantemente a defrontar adversários desse calibre e, desse modo, estamos sujeitos a que, todas as vezes em que tivermos um lance de bola parada contra, a bola seja colocada na nossa área. Tal pressupõe-se que seja um mau prenúncio para a nós, mas durante algum tempo não foi esse o caso.

Desde que chegou ao Benfica, em 2009, Jorge Jesus tratou de implementar um modelo defensivo de bolas paradas assente na marcação à zona. Em cada livre ou canto os jogadores constroem uma espécie de linha à frente do guarda-redes e esperam que a bola venha para a atacarem. Não há qualquer marcação individual. Nem aos jogadores mais perigosos do adversário nesse tipo de lances. Este sistema parecia adequar-se à equipa encarnada, que sempre conta com jogadores altos e fortes no jogo aéreo. Matic, Garay, Cardozo, Luisão, em tempos Javi Garcia ou Emerson, são unidades que garantem consistência nesse tipo de lances e, até há pouco tempo, os lances de bola parada não eram algo que nos causasse grandes problemas. Contudo, essa toada foi-se alterando e atingiu o seu ponto mais negativo naquele lance na final da Liga Europa que nos tirou a possibilidade de conquistar um prestigiado troféu. No caso, Ivanovic , jogador do Chelsea, salta sozinho na área e cabeceia para oferecer a competição à sua equipa. A partir desse lance inicia-se uma história negra para o Benfica, no que a lances de bola paradas diz respeito. Não sei se esse lance nos tirou toda a confiança e capacidade que sempre tivemos, mas é certo que desde então têm-se cometido erros atrás de erros nesse tipo de lances. Normalmente quando se erra na nossa área é-se punido da forma mais severa no futebol, sofre-se com golo.

Golo do jogador do Olympiakos, Kostas Manolas, ao Benfica Fonte: Record
Golo do jogador do Olympiakos, Kostas Manolas, ao Benfica
Fonte: Record

Nesta temporada, que ainda nem vai a meio, sofremos quinze golos, contabilizando todas as condições, sendo que mais de um quarto desses mesmos sofridos através de lances de bola parada. Dá que pensar, de facto. Se vos disser que esses golos nos valeram um empate em casa para o campeonato (jogo com Belenenses) duas derrotas na Liga dos Campeões (PSG e Olympiakos, este último de carácter absolutamente decisivo) e um valente susto frente ao Sporting para a taça, mais se acentua a necessidade de reflexão e de…mudança. A situação é tão anormal e ridiculamente evidente que se impõe a alteração no modelo a adoptar. Eu tenho uma sugestão, mister. Chama-se modelo de marcação misto e utilizado por clubes em todo mundo, muitos deles de top mundial. O método é simples (à partida) de efectuar e adequa-se aos nossos jogadores. Passa por criar um bloco coeso de três ou quatro jogadores que não marcam ninguém, sendo que os restantes elementos marcam individualmente os adversários mais fortes no jogo aéreo. É um método equilibrado que pode garantir maior eficiência na defesa destes lances, não só porque as unidades mais perigosas estão bloqueadas, como se mantém aquela muralha à frente do guarda-redes, que, estando de frente para o lance, tem clara vantagem em atacar a bola sobre o avançado e afastar o perigo.

Espero, então, que, para bem da nossa equipa, Jorge Jesus reflicta e repense no modelo que utiliza. Ele, de cognome “mestre da táctica”, tem certamente recursos e alternativas suficientes para solucionar este problema e, por isso, confio nas suas capacidades para o fazer. E que remédio. É o que temos e parece não estar para vir mais nenhum.

Subscreve!

Artigos Populares

Ruben Amorim elogia atitude do AC Milan na sua estreia oficial e explica celebração apaixonada: «Foi a comemoração de um adepto habituado a comemorar...

Ruben Amorim analisou a vitória do AC Milan sobre o Torino. Técnico teve estreia vitoriosa no primeiro jogo oficial pelos rossoneri.

FC Porto termina a 3ª jornada com registos quase iguais à última temporada e desta vez sem companhia na liderança

O FC Porto voltou a arrancar a época só com vitórias e sem golos sofridos. Registos semelhantes aos de 2025/26.

Impasse na renovação de Andreas Schjelderup: Eis o ponto de situação

Andreas Schjelderup congelou as negociações para a renovação do seu contrato com o Benfica, recusando negociar pelo menos até ao final da época.

Francesco Farioli faz o rescaldo à vitória do FC Porto sobre o Arouca: eis a conferência de imprensa

Acompanha a conferência de imprensa de Francesco Farioli após o encontro entre FC Porto e Arouca, referente à 3.ª jornada da Primeira Liga.

PUB

Mais Artigos Populares

Vasco Seabra aponta as melhorias necessárias ao Arouca e enaltece: «Mérito ao FC Porto. Temos de bater palmas quando conseguem impedir-nos de ter bola...

Vasco Seabra analisou o desfecho do encontro entre FC Porto e Arouca, referente à 3.ª jornada da primeira Liga.

William Gomes olha para a vitória do FC Porto e deixa mensagem para Rodrigo Mora: «Desejo muita sorte, porque qualidade ele tem»

William Gomes analisou o desfecho do encontro entre FC Porto e Arouca, referente à 3.ª jornada da primeira Liga.

Raphinha e Fermín López brilham na goleada do Barcelona ao Elche: Eis os resultados do dia na La Liga

O Barcelona goleou o Elche por 5-0. Raphinha e Fermín López bisaram na partida que marcou o regresso de João Cancelo.